Fazendo bom proveito do molde estabelecido por Arrow e Flash, mas sempre destacando suas principais distinções, Raio Negro retorna para sua segunda temporada de maneira segura e disposta a evoluir.

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A segunda temporada começa com algumas mudanças em dinâmicas primordiais da série, trazendo consequências orgânicas (o suficiente) da primeira temporada. A família de Jefferson (Cress WIlliams), agora já completamente integrada à sua vida de vigilante, ainda apresenta todos os elementos de um núcleo familiar comum, e indica que continuará trazendo à tona os obstáculos mais pessoais destes personagens, além de suas interações como super-heróis. Tal núcleo se mostra necessário em séries deste gênero, visando complementar o engajamento do espectador com dramas mais relacionáveis ao público.

Com a dinâmica familiar sempre em evidência, Raio Negro apresenta o espaço para continuar produzindo tramas episódicas que explorem tanto o lado individual e humano de seus principais personagens, quanto suas reflexões e embates ideológicos como vigilantes. Ambos os lados ajudam a desenvolver o núcleo familiar de maneira produtiva, e garantem a longevidade desta proposta.

Raio Negro é uma série que utiliza tópicos sociais em evidência no mundo atual para compor suas tramas, tanto principais, quanto secundárias. De maneira semelhante à Luke Cage, a narrativa incorpora aspectos comuns à realidades de cidades e bairros mais carentes dos EUA, como é o caso de Freeland (Arrow já flertou com esta abordagem no passado, mas nem sempre conseguiu assimilar, com eficiência, o peso de suas referências da realidade.)

A série não esconde sua predisposição ao argumento político e embora não possua o tempo ou o destaque midiático que outra produções como, por exemplo, algumas séries da Netflix possuem, os roteiristas se esforçam para deixar claro quais paralelos procuram traçar entre suas tramas fantasiosas, e a vivência em que se baseiam. Este lado político da série, no entanto, não parece estar mais rebuscado ou evidenciado neste primeiro episódio da segunda temporada, e tudo indica que a série permanece sendo mais um escapismo consciente, do que a expressão de protesto que às vezes gostaria de ser.

Dramas familiares à parte, no entanto, talvez a maior mudança no “status quo” da série até então, tenha sido a realização do policial Henderson (Damon Gupton) de que seu amigo, Jefferson, é a identidade secreta do vigilante Raio Negro. Fãs de séries deste gênero já devem estar mais do que acostumados ao típico “jogo de gato e rato” que os protagonistas super-poderosos precisam enfrentar, ao tentarem manter suas vidas-duplas longe de seus coadjuvantes. Sendo assim, não deixa de ser um tanto revigorante perceber que a série está se esforçando para não cair nestes eternos clichês e tramas batidas.

Este primeiro episódio também trouxe um elemento que vem se tornando cada vez mais frequente em produções deste estilo: uma sequência de ação em um corredor. Originalmente evidenciada no cultuado filme coreano “Oldboy”, este tipo de cena vem sendo usado a esmo por diversas séries, mas normalmente não apresenta (nem de longe) a mesma inventividade ou eficiência. Sem os recursos que estão a disposição de séries como Demolidor e Into the Badlands, Raio Negro tem coordenações de ação frequentemente desleixadas e pouco verossímeis, pobremente maquiadas por um trabalho de efeitos especiais questionável.

E por fim, o protagonista volta a ser o foco principal, diante de um obstáculo próprio. Para evitar que a escola fosse fechada, após tantos problemas com a segurança, Jefferson resolve deixar o cargo de diretor. Seu trabalho civil trouxe algumas boas perspectivas aos dilemas do protagonista durante o primeiro ano, mas deixar de lado este trabalho ordinário pode representar uma intenção da série de, gradativamente, levar suas tramas para escalas mais fantásticas, o que (normalmente) costuma agradar o público cativo.

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