Inegavelmente, Joe Wright é um diretor que se preocupa em dar alma às suas ricas adaptações de obras tão conhecidas, com ricas composições dramáticas, e sempre prezando a teatralidade em seus textos e puxando algumas ótimas atuações, ainda se arriscando em outros gêneros por vezes aqui e ali, mesmo que nunca fuja de certas desgastadas familiaridades.

» Siga o Bastidores no Facebook , Instagram e no Twitter para saber todas as notícias sobre cinema «

E aproveitando a estreia de seu mais novo e ambicioso longa O Destino de uma Nação, sua primeira investida em um filme de caráter biográfico sobre a figura de Winston Churchill, decidimos ranquear aqui todos os filmes da relativamente curta mas bem decente filmografia do diretor dramaturgo. Indo do seu pior ao seu melhor filme até hoje!

Confira nossa ordem:

7. Peter Pan (2015)

Dito o que foi descrito acima das capacidades do diretor, talvez fosse de esperar que ele viesse a realizar um trabalho digno e fiel em sua adaptação/reimaginação da clássica história de Peter Pan, talvez um filme que encontrasse um perfeito equilíbrio para ambos crianças e adultos na sua história de aventura e magia. Mas acaba sendo, sem exageros (pelo menos aqui nesse texto), um verdadeiro desastre de exageros narrativos e em tom. Se por um lado entrega sim (como sempre) um aval técnico soberbo em ricos visuais e efeitos, o mesmo não pode se dizer para sua história coberta de clichês batidos, personagens extrapolando em suas caricaturas exageradas e um linguajar infantilizado sem equilíbrio. Já falei da cena onde Hugh Jackman, fantasiado de Barba Negra para o Carnaval, lidera um soneto de Smells Like Teen Spirit do Nirvana no meio do filme?! Pois é, uma grande bola fora do diretor!

6. Hanna (2011)

Quando você menos esperava, o mesmo diretor responsável pelas excelentes adaptações dramáticas de Orgulho e Preconceito e Desejo e Reparação, vem e decide fazer um thriller de ação estrelando uma garotinha como a “porradeira brucutu” da vez. Mas o interessante de Hannah é exatamente a metáfora alegórica que Wright busca criar na construção da sua jovem protagonista, que parece tirada do conto de fadas Alice no País das Maravilhas. Com a jovem Saoirse Ronan mostrando seu talento e carisma desde cedo, suas insanas cenas de ação são uma espécie de representação da sua puberdade entrando em chamas e seu lado violento sendo posto para fora sem poupar ninguém. Apesar de uns clichês bem familiares e genéricos do gênero, o filme entrega um saldo positivo de entretenimento graças à uma competente direção nas suas ótimas sequências de ação e assegura boas performances do elenco, principalmente uma ótima vilã com a agente Marissa de Cate Blanchett. Apenas imagine Jason Bourne com uma garotinha loira.

5. O Solista (2007)

Um homem de personalidade arrogante descobre um incrível talento musical em uma alma pura e com corpo adoentado por uma condição de saúde da cruel vida, mas que, no final, ambos se encontram em sua amizade e salvação moral e espiritual – nada de novo não é mesmo? Mais eis que O Solista consegue se destacar e até, de certa forma, surpreender na filmografia de Joe Wright graças ao tom bem sofisticado que ele entrega na composição de seu filme. Não só com uma direção bem classuda, mas também com uma trilha sonora soberba e evocativa do classicismo musical. Ainda acompanhado de sim ótimas atuações de seu duo principal, com Downey Jr. e sua petulância e arrogância mas cheio de emoção em seus olhos, ao lado de um Jamie Foxx mostrando que ele é, sim, um excelente ator quando quer. Uma boa Sessão da Tarde muito bem filmada e atuada!

4. O Destino de uma Nação (2017)

O Destino de uma Nação é, em sua maior parte, satisfatório. Com o brilho de um elenco incrivelmente confortável dentro do escopo narrativo, Wright consegue mais uma vez firmar seu nome na indústria do entretenimento, ainda que a completude da obra esteja manchada por algumas investidas equivocadas, que se mostram destoantes de sua mensagem final. De qualquer modo, não espere ver toda a visceralidade da Segunda Guerra Mundial aqui, mas sim uma perspectiva infelizmente tragicômica sobre um dos nomes mais controversos de todos os tempos. De sobra uma das melhores performances de Gary Oldman de toda a sua carreira!

3. Anna Karenina (2012)

Quando um diretor tem em mãos um orçamento gordinho e ousa em adaptar uma das mais amadas obras de ninguém menos que Leo Tolstói, com total liberdade, respeito merecidamente deve ser dado para Joe Wright por tamanha paixão pela literatura clássica. Paixão essa que se reflete na criatividade cênica e visual que o diretor proporciona aqui, que consegue ser um verdadeiro manjar para os olhos, se permitindo usar de todas as técnicas mirabolantes de montagem e movimentação para se criar um verdadeiro espetáculo digno de Broadway para dar vida ao mundo de Anna Karenina. Mesmo que tropece narrativamente aqui e ali, sem capturar o mesmo brilho dramático de suas adaptações anteriores, a altamente carismática Keira Knightley e um elenco bem entrosado fazem tudo valer a pena. Tornando essa adaptação de Anna Karenina uma visualmente rica, embora quase emocionalmente vazia, experiência.

2. Orgulho e Preconceito (2005)

Eis este que talvez seja o mais amado por público e crítica do diretor, e não por coincidência seu grande longa de estreia. Aqui, Joe Wright delicadamente chutou a porta de entrada Hollywood com sua adaptação fidedigna de um dos mais aclamados dramas já escritos, fazendo jus a Orgulho e Preconceito de Jane Austen. Dando vida ao retrato dramático e comedido com o humor tragicômico da vida burguesa da clássica família Bennet com ótima destreza narrativa, e ainda trata da retratação do clássico tomando de Elizabeth e o complexo tonto senhor Darcy com devida fidelidade característica e cheia de emoção. Acuados com seu rico esmero técnico desde cedo, criando uma textura digna de um retrato barroco, agraciado por um elenco não menos que soberbo, com destaque para a excelente Keira Knightley, que nasceu para interpretar damas de época com tanta graciosidade e humanidade.

1. Desejo e Reparação (2007)

Se o último longa do diretor não fora o bastante para provar sua grande paixão e respeito pela literatura, que o permitiram trazer à vida cinematográfica com devido respeito e alto nível dramático, com certeza Desejo e Reparação foi a cartada com a qual ele provou seu jogo com exuberância e muitas lágrimas. Fazendo da obra de Ian McEwan uma trágica história de amor e guerra, da inocência e da ingenuidade, das consequências do falso testemunho. Um relato poderoso, que demonstra o terrível impacto que pequenas ações podem ter sobre a vida das pessoas e no final apenas sobra muita dor sem cura. A maior prova dos talentos dramáticos do diretor em contar uma história carregada de tantos sentimentos complexos e algumas soberbas atuações. Um filme doloroso porém de caráter inesquecível!

***

O que acharam da nossa ordem dos filmes de Joe Wright? Qual o seu favorito entre tantos bons exemplos?

Comente!