Werner Herzog definitivamente não é um professor de cinema comum, principalmente por ser um diretor autodidata cujas aventuras e dramas caóticos entre homem e natureza configurarem-se como projetos ambiciosos e nem um pouco simples de serem realizados.

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Seja através da sua Rogue Film School ou do império de aprendizagem MasterClass, Herzog não tem interesse em ensinar os elementos técnicos dessa arte, e sim criar o que ele intitula como “soldados do cinema” e o caminho para a vitória. Ele encontra suas lições em lugares obscuros, como a poética islandesa, literais buracos no chão para busca da criatividade e outros momentos um tanto quanto não convencionais.

O site IndieWire conversou com o cineasta, e nós estamos disponibilizando a transcrição da entrevista abaixo:

INDIEWIRE: Você recebe ofertas para seu próprio programa educacional na Rogue Film School desde 2009.

Provavelmente. Eu não contei os anos. Eu faço isso raras vezes, quando tenho tempo, e tenho que anunciar isso cinco meses antes do tempo. Eu tenho que saber que não estou sob obrigação contratual de fazer nada, que não vou rodar um filme ao mesmo tempo. E já que sou um homem trabalhador, às vezes não é fácil encontrar uma data muito longe no futuro porque estou anunciando e escrevendo aplicações – e também pedindo para todo mundo me mandar filmes. Para a Rogue Film School, não são apenas amadores. De certo modo, todos ali são profissionais. Eu assisto cada um dos longas, então preciso do meu tempo para ver centenas e centenas dele quando anuncio os programas.

Quando de seu curso de cinema é refletido no currículo da MasterClass?

Creio que grande parte do conteúdo. Entretanto, a Rogue Film School tem um conteúdo bruto e irreverente. Como, por exemplo, escolher uma locação, forjar um perímetro de tiros e coisas assim, que a MasterClass não faz. Claro, lá você tem contato físico direto com um pequeno e seleto grupo de alunos que imediatamente falam sobre seus problemas, seus obstáculos, suas indagações. Então é um tipo diferente, mas o espírito é o mesmo.

Hoje, vemos muitos dos melhores e mais criativos diretores migrando para a televisão e até mesmo para blockbusters como um “segundo ato”. Uma vez que eles se provam no cenário pessoal, eles fazem algo para a Marvel. O que você acha sobre isso?

Bom, os resultados são bem convincentes. Há séries de TV muito, muito boas e, pela primeira vez, cineastas – eu não estou incluso – têm a chance de desenvolver filmes grandes e épicos com ramificações e diferentes estratos. Em outras palavras, “Guerra e Paz” de Tólstoi de repente se tornou possível. Filmes não são a única coisa que deveríamos fazer, e essa é uma possibilidade válida, sem dúvida.

Então você acha que essa é uma coisa legítima e válida a ser feita?

Claro. Não para mim, mas eu vejo um objetivo.

Alguém já lhe fez essa oferta?

Já, mas o básico. Histórias grandiosas não eram boas o suficiente.

Como você faz a sua vida como cineasta hoje?

Ah, é basicamente a mesma coisa. Vivo uma vida arriscada, fazendo projetos incomuns e que não seguem as efêmeras modinhas de hoje, mas sempre sobrevivi de um jeito ou de outro. E faço outras coisas na indústria cinematográfica, também. Ganhei algum dinheiro como ator, como vilão. Dei aulas, instalações de artes – principalmente uma no Whitney Museum, seguida pela no Getty. E poderia ganhar dinheiro, digamos, como chef de cozinha.

Que conselho você daria para os cineastas em termos de ‘sobrevivência’ e como continuar seu trabalho?

Ninguém tem uma resposta exata para isso. Eu apenas sobrevivo porque tenho uma longa vida nesse meio, significando que normalmente os diretores têm uma vida na estante de catorze, quinze anos, que atingiu os mais fortes. D.W. GriffithOrson Welles e muitos outros. Você vê isso em todo lugar. Então não creio que seja apenas sobreviver. A questão é como fazer que sua vida dure mais? Eu mergulho muito, muito fundo nessa pergunta em minha MasterClass. Isso significa que você tem que começar relações duradouras com produtores ou atores ou patrocinadores, e sempre pensar como eles também.

Confira a entrevista na íntegra clicando aqui!