2019 está chegando ao fim e, como é de costume, o Bastidores separou para você uma lista com as melhores séries do ano.

Confira abaixo nossas escolhas e conte para nós qual foi a sua favorita:

10. DICKINSON

“Hailee Steinfeld, saindo de uma ótima interpretação em ‘Bumblebee’ e resgatando certas inclinações performáticas de ‘Quase 18’, interpreta a personagem principal e logo de cara consegue nos envolver com uma atuação que tangencia a perfeição. Diferente dos longas-metragens e produções televisivas de época, as quais normalmente prezam pelo preciosismo cênico e pelo melodrama narrativo, percebemos que Smith e seu compacto time de diretores têm um apreço delicioso pela irreverência artística: os diálogos eruditos são substituídos por versões contemporâneas que acertam em cheio no que pretendem explorar, construindo laços de envoltura com o público e transfaz algo pesado em uma trama leve o bastante para nos carregar pela temporada.” – Thiago Nolla

 9. GOOD OMENS

“Se as habilidades criativas de Neil Gaiman já haviam sido exploradas com enorme competência no passado – diga-se de passagem, em obras como Stardust – O Mistério da Estrela e Coraline e o Mundo Secreto -, Good Omens não ficaria de fora dessa ótima onda artística. Na verdade, a série brinca com sátiras e ironias tão ácidas que chega a ser deliciosamente doloroso observar tantas críticas transpostas para as telinhas – e impossivelmente compulsório conseguir tirar os olhos de arcos narrativos tão tragicômicos quando os de Aziraphale e Crowley”. – Thiago Nolla

8. LOVE, DEATH & ROBOTS

“Entre as diversas obras de animação que são lançadas semana após semana, grande parte delas rende-se ou ao público infantil ou a uma perspectiva mais adulta. É escolhendo a segunda opção que Love, Death & Robots ergue-se como uma surpresa interessante para os fãs do gênero, ainda mais por acrescentar elementos antológicos e sci-fi a um espectro dramático bastante familiar. Ao longo de 18 incríveis episódios, é difícil não se apaixonar por seus personagens e narrativas– por mais mecânicos que eles sejam”. – Thiago Nolla

7. OLHOS QUE CONDENAM

“Não é surpresa que o capítulo de abertura nos dê a sensação regurgitante de um soco no estômago. Sabemos o que cada um dos detetives está fazendo e observamo-nos quebrar as leis e a própria constituição para unir peças de um quebra-cabeça que não existe; Linda faz de tudo para arquitetar uma impressionante trama que seja chocante o suficiente para que cada jornalista, juiz e membro do júri popular não tenha outra saída além de incriminar os rapazes – e o mais agonizante é que eles simplesmente estavam no momento errado, na hora errada: Kevin (Asante Blackk), Antron (Caleel Harris), Yusef (Ethan Herisse), Korey (Jharrel Jerome) e Raymond (Marquis Rodriguez) são influenciados por forças muito maiores que todos eles a culparem uns aos outros sem ao menos se conhecerem, preferindo a mentira à verdade em uma irreversível inversão de valores éticos e morais.” – Thiago Nolla

6. EUPHORIA

A 1ª temporada de Euphoria mostrou que o seriado veio para fazer algo de diferente, que se via em muitas séries do gênero, mas não com a profundidade presenciada na produção da HBO. O principal fato é a tentativa de quebrar estereótipos, como a do capitão do time de futebol americano que é homossexual, a da protagonista que se apaixona por uma garota trans, e muitos outros aspectos tabus em séries ou que são apenas apresentados de forma superficial. Euphoria não foi criada para agradar, e nem para chocar e sim para mostrar um retratado real de acontecimentos presentes do dia a dia, mas que muitos preferem manter escondido.” – Gabriel Danius

5. POSE

“Em meio a esses problemas aparentemente “comuns”, cada uma das personas lida com pesarosos dialogismos com a realidade, incluindo a crescente viralização do HIV, a homofobia e a transfobia cometidas pela comunidade heterossexual dos Estados Unidos e do mundo, e o fato de lidarem com perdas sem deixar se levar pelas ruínas do luto: é nesse contexto que Billy Porter alça voo com uma provocante e propositalmente controversa performance que libera as fragilidades de seu personagem, Pray Tell, digladiando com seus demônios interiores e fazendo denúncias extremamente necessárias. Também é dentro dessa esfera que Candy (Angelica Ross) é brutalmente assassinada em uma espécie de sacrifício para reunir pessoas outrora separadas por divergências idiotas, por assim dizer.” – Thiago Nolla

4. THE CROWN

Dentre os múltiplos temas explorados, a série resolve se afastar do que já foi apresentado ao público e opta por ergue fundações delimitadas no paradoxo entre aparência e essência. A perspectiva platônica é expandida para tramas históricas, é claro, como a greve de mineradores contra o descaso governamental e as extenuantes jornadas de trabalho e a revolta do povo galês contra o imperialismo inglês; mas, nos bastidores, vemos que a realeza luta para se aproximar do público, atravessando uma corda-bamba que oscila entre o ridículo e as intenções benfazejas – incluindo um documentário televisivo que dá errado de absolutamente todos os jeitos.” – Thiago Nolla

3. WATCHMEN

“A HBO trouxe grandes produções em 2019, e Watchmen talvez seja a mais surpreendente e satisfatória. São 9 episódios concisos e diferentes entre si, capturando o espírito da graphic novel de Alan Moore ao mesmo tempo em que a expande de forma audaciosa e inteligente. Watchmen, a série, faz o que Laurie fez com o Doutor Manhattan na graphic novel original: convencer todos nós de que milagres, como o ar se transformando em ouro, são possíveis de acontecer.” – Lucas Nascimento

 2. FLEABAG

“Em seu segundo ano, Fleabag vai muito além do que poderíamos esperar da perturbada e envolvente mente de Phoebe Waller-Bridge. O novo ciclo, representando um precoce e antecipado finale, tangencia a perfeição estética com tamanho prazer que chega a ser triste imaginarmos um mundo onde a série não exista – e, dessa forma, rezamos para que sua criadora esteja aberta para mais um futuro ano (mesmo que isso seja intangível demais para ser verdade)” – Thiago Nolla

1. CHERNOBYL

Chernobyl é um incrível acerto da HBO e uma declaração realista-pessimista, sobre a ambição humana e suas derradeiras consequências. É um fato declarar que não houve precedentes para o que aconteceu à Pripyat e a seus habitantes; mas é instigante e frustrante saber, através de uma história bem construída e coesa, que tudo poderia ser evitado.” – Thiago Nolla