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Planeta dos Macacos: A Guerra | “As franquias de hoje não oferecem nada de novo”, diz Andy Serkis em coletiva em São Paulo

Andy Serkis cravou seu nome no imaginário popular cinéfilo. Basta escutar seu nome para que personagens marcantes como Gollum de O Senhor dos Anéis e César de O Planeta dos Macacos surgirem na nossa mente. O ator participou ativamente na história pioneira da técnica de motion capture e, justamente por ter crescido ao lado da tecnologia, sua carreira como ator é considerada polêmica, dividindo opiniões sobre os méritos de Serkis em suas performances potencializadas por efeitos de maquiagem digital.

Concluindo sua trajetória como César na trilogia rebootada de Planeta dos Macacos, Serkis veio até o Brasil, mais especificamente em São Paulo, promover Planeta dos Macacos: A Guerra, filmaço dirigido por Matt Reeves que ganhou nota máxima aqui no site!

O simpático britânico não poupou palavras na coletiva logo após a sessão especial para a imprensa. Com eloquência e respostas longas, Serkis revelou frustrações na carreira, novos horizontes e muitos detalhes de seu método de atuação ao longo da franquia para manter César um personagem sempre em constante evolução.

“Pude usar a voz e minha expressão corporal para tornar César cada vez mais humanizado. Em Origem, praticamente meu personagem não fala. Suas primeiras palavras é um sonoro ‘NÃO’ totalmente emotivo e potencializado pela expressão raivosa do corpo. Confronto marca realmente o ponto da virada do meu trabalho com César. Agora sou bípede, na maior parte do tempo. Falo pausadamente, mas já formo algumas frases rudimentares, meus gestos são mais humanos e minha relação com os outros símios já é de liderança. É a idade adulta de César. Em Guerra temos o fim disso, beirando a terceira idade. É um personagem mais lento, mas muito mais inteligente. Fala fluidamente, o raciocínio e dedução estão mais avançados do que nunca, mas seu psicológico também está ferido. Por isso que ele anda de um modo tão pesado. Fiz isso para metaforizar o peso da responsabilidade que ele carrega nas costas. Literalmente andei com pesos nos braços e nas pernas para atingir o efeito desejado. ”, revelou o ator.

Sobre a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, Serkis foi seco. “Isso me esgota a paciência. Estou cansado de esperar para que os senhores votantes compreendam que a minha atuação nesses filmes é integral. Se eu estivesse fantasiado e com prostéticos na cara, pronto, aí sim reconheceriam que há alguém atuando por trás das máscaras. Mas como o motion capture é um processo digitalizado, é como se eu nem existisse. O que é um absurdo, pois o método de atuação é preservado. É frustrante e cansativo, mas acho que isso pode mudar em cinco anos, creio. ”.

Planeta dos Macacos: A Guerra é um thriller político, além de ser um épico religioso. Mas seu tema principal é a empatia humana. “Desde o primeiro filme, há 50 anos, a alegoria dos Macacos serve para elucidar nossa condição humana. Guerra é muito sobre isso: nos colocar no lugar do outro. O ódio de César pode levá-lo ao próprio fim, por isso a catarse é tão poderosa. Em exibições-teste, diversas pessoas falaram que era difícil ver os macacos morrerem nas batalhas. Isso diz muita coisa. Vivemos em um tempo que ver um macaco digital ser assassinado é mais chocante e pesado do que ver um humano ser morto em tela. Vejo que nosso mundo atual vive em um momento político conturbado, buscando soluções simplórias para problemas complexos. O filme chama a atenção para esse problema contemporâneo, sobre as nossas sucessivas falhas de comunicação com os nossos semelhantes.”.

Desde o surgimento embrionário da tecnologia do motion capture, Serkis já estava totalmente imerso nela. Com O Senhor dos Anéis, no uso revolucionário da técnica para fazer o Gollum, Serkis tinha que atuar duas vezes. Uma nos sets de filmagem para marcar o recorte da criatura com o fundo e depois no estúdio da WETA, com câmeras em 360 graus gravando suas ações para moldar o bicho digitalmente e colar novamente no filme com os outros atores live action.

“Uma burocracia tremenda. O processo da evolução tecnológica fez milagres conforme o tempo passou. E rápido. Em King Kong o processo de captura dos movimentos faciais foi atualizado. Em Tintim, as câmeras acopladas no traje já permitiam a gravação das expressões faciais no ato da primeira gravação. Com Origem, praticamente a filmagem e a gravação se tornaram um só. Não precisava ir mais ao estúdio do motion capture para que a WETA trabalhasse com os efeitos em duas etapas. Logo, a atuação se tornou pura, tão normal e real quanto qualquer outra de live action que existe hoje. Com o fotorrealismo dos efeitos da franquia, a fidelidade de performance é máxima. ”.

Mas nem só de atuação que vive Andy Serkis. Como deixou bem claro nos momentos finais da coletiva, o ator tem ambições grandiosas. “Quando fundei a Imaginarium, meu intuito não era apenas fornecer maior assistência e desenvolvimento para a tecnologia de motion capture. Ela andará também pelo pioneirismo de outros empreendedores. Veremos mais o entretenimento se comportando de modos mais imersivos como nunca imaginados antes, afinal essa tecnologia permite a atuação pura em todas as mídias até mesmo no teatro como já feito recentemente. (…) estou com dois grandes projetos que dirigi muito bem encaminhados. O primeiro será o drama Breathe que será lançado neste ano. Já o segundo é o Mogli que estou fazendo há bastante tempo. O meu filme será bastante distinto do da Disney. Seguirei um roteiro mais aproximado à obra original de Kipling. Esperem para ver. Se já tem dificuldade em enxergar trejeitos da atuação do elenco em símios virtuais, imagine enxergar a expressão humana em um rosto de uma cobra ou de um tigre. ”.

O ator também não poupou comentários sobre as sequências infindáveis que assombram a criatividade de Hollywood. “Parece que nunca trazem nada de novo. Se isso tivesse acontecido com Planeta dos Macacos, eu não teria retornado para as sequências. A história de empatia e a reflexão sobre o outro me encantaram nesse filme. Isso será o que vai mover o povo ao cinema. Grandes emoções e um belo espetáculo. Agora, sobre meu retorno para um próximo filme? Estou aberto às ideias sim. Desde que seja com um diretor tão fantástico quanto Matt Reeves, que tenha uma ótima história, além de trazer elementos novos e pertinentes a franquia.”, finalizou.

Você pode ver Andy Serkis encarnando César pela última vez em Planeta dos Macacos: A Guerra que estreia em circuito nacional no dia 3 de agosto.

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Publicado por Matheus Fragata

Editor-geral do Bastidores, formado em Cinema seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas.

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