Filhos da Esperança (2006)

Dirigido por Alfonso Cuarón

Quando hoje se menciona no nome de Alfonso Cuarón, muitos já tendem a automaticamente remeter como sendo o diretor de Prisioneiro de Azkaban, o melhor filme da saga Harry Potter de todos os tempos (o que é), ou para o seu grande sucesso Gravidade que muitos o colocam como sendo grande sua obra-prima.

Mas sem querer desmerecer o grande filme que este último é, quando se trata de falar sobre o grande diretor que Afonso Cuarón é, e pelo o que ele deveria realmente ser lembrado, merecia ser por sua verdadeira obra-prima que é este seu Filhos da Esperança, talvez o filme de ficção científica mais atual e moderno da última década, e um dos melhores do gênero talvez desde o próprio Blade Runner ouso dizer!

Eu realmente não consigo me lembrar quando foi a última vez que tive esperança, e certamente não consigo lembrar quando alguém mais teve. Porque realmente, já que as mulheres deixaram de ter bebês, o que há de se ter esperança?

E que graças ao gordo sucesso que teve com seu filme Harry Potter, lhe permitiu criar aqui seu filme com um esmero cinematográfico INVEJÁVEL, que infelizmente não teve o mesmo sucesso financeiro, mas um sucesso qualitativo é o que importou primeiramente aqui para Cuarón.

Sucesso esse que se reflete na sua nada menos que extraordinária direção que trabalhando em conjunto com a fotografia sempre exuberante de Emmanuel Lubezki que no meio de seus planos sequências mirabolantes e um clima pueril esfumaçado encontram momentos oras belos e contemplativos e outros de pura tensão e extraordinária ação, com direito a uma trilha sonora tão evocativa e melancólica de John Travener.

Que juntos de um soberbo roteiro, trabalhado nos mais mínimos detalhes que balanceiam um surpreendente humor junto do drama trágico e melancólico, servem juntos na criação do futuro pós-apocalíptico talvez mais palpável e realista já feito no cinema. Que talvez consiga acabar sendo o retrato mais fiel da nossa caótica sociedade moderna. E como a guerra do ódio, preconceito e xenofobia que nos afligem até hoje serão os verdadeiros causadores do fim do mundo, e a inexistência da fertilidade presente em sua trama se torna como a força da natureza de Deus contra a sociedade.

E a jornada do protagonista sem fé, Theo Faron de um ótimo Clive Owen, se torna uma peregrinação e a luta pela sobrevivência de um novo possível Cristo e salvação de um mundo onde a dizimação é a única lei. E a esperança, amor e amizade, fatores cada vez mais esquecidos tanto no filme quanto em nossa realidade, são talvez a única força de salvação possível.

Tudo isso em um (suposto) blockbuster de thriller e ação altamente dramático, mas sem seu toque de humor, com um esmero técnico digno de um filme de arte, com uma mensagem humanista tão difícil e tão palpável?! A barreira da perfeição foi riscada fortemente com essa verdadeira obra-prima do grande Alfonso Cuarón que há de ser um dia melhor apreciada merecidamente, assim como seu grande diretor!