Sobre Meninos e Lobos (2003)

Dirigido por Clint Eastwood

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É tão notável e admirável o quando vemos um cineasta como Clint Eastwood, que vem dos tempos áureos de seus spaghetti Westerns que fez com Sergio Leone; que começou sua desventura como diretor na nova Hollywood com ousados e sombrios filmes como seu faroeste Estranho sem nome e o suspense Perversa Paixão entre outros, e depois veio a mostrar sua vertente mais versátil em outros gêneros com o drama de vida Um Mundo Perfeito ou o divertido sci-fi Cowboys do Espaço; ainda está mais vivo que nunca e em boa forma no século 21 realizando grandes e relevantes filmes até hoje (com uns tropeços aqui e ali, mas nada de lixos imperdoáveis).

Mas para mim, nenhum de seus ótimos e alguns medianos filmes dessa década, talvez chegue aos pés do que ele realizou aqui com Sobre Meninos e Lobos, um de seus filmes mais ousados, sombrios, brutais, e, inevitavelmente, realista e tão atual. E com certeza absoluta um de seus grandes e melhores filmes!

É onde vemos o diretor tão ciente da potencial polêmica e fragilidade que o tema de seu filme aborda, e não teme em nada em querer buscar encontrar sim o desconforto emocional de seu público ao ponto de abalá-lo em todos os sentidos emocionais e psicológicos possíveis, mas ainda conseguir se encantar com o que se forma na tela. Que é indiscutivelmente um dos melhores suspenses/dramas policiais dos últimos anos, e porque não um dos grandes de todos os tempos!

E não busco exagerar ao enfatizar o quanto Eastwood consegue brincar com as emoções do público com grande louvor, o roteiro de Brian Helgeland é tão bom ao ponto de conseguir construir o realismo nos diálogos dos personagens e lhe ser embutido uma aura quase de um sonho sombrio e pesado, providos pela sempre segura direção de Eastwood completamente cheia de esmero com a ajuda de seu parceiro de longa data Tom Stern na fotografia dando esse clima pesado, depressivo e quase claustrofóbico de aprisionamento nesse pequeno universo dos personagens coberto de traumas e violência!

O ritmo nunca se apressa, pois sabe exatamente em que pontos se incumbir de desenvolver cada pedaço da trama policial que se costura cheia de um intrigante mistério, e ainda lidar com as conseqüências psicológicas e dramáticas em cada um dos também misteriosos e complexos personagens, mas construídos de forma sempre extremamente palpáveis!

Com um elenco que é uma obra-prima à parte, onde nenhum dos FANTÁSTICOS atores é desperdiçado e cada um é usado de forma chave dentro da trama, onde os mais inesperados surpreendem ser às vezes os raios de bondade, e outros o mal puro. E o mal em um filme de Clint Eastwood, é sempre o pior que a sociedade tem a dar em seu estado de puro ódio e negatividade incorruptíveis. Com destaque claro para o trio Sean Penn, Tim Robins e Kevin Bacon, os inocentes meninos que ao crescer alguns vieram a se tornar os selvagens lobos que tanto temiam. E por essa perspectiva, talvez esse seja também um dos mais cínicos e secos filmes de Eastwood, ao mesmo tempo que carrega em si um saco cheio de dolorosas e traumatizantes emoções.

Talvez a forma que ele revele suas verdadeiras camadas no final com inesperadas reviravoltas, vão ser confundidos com mero artifício manipulativo de narrativa, coisa que está longe de fazer parte da técnica de contar histórias de Clint Eastwood, coisa que ele sempre o faz de forma magistral. E como disse, manipula todas as percepções possíveis que nós o público podemos ter dentro dessa história e suas desenvolturas, para no final nos surpreender e talvez deixar um vazio de esperança dentro de nós, aquele mesmo sentimento de frustração depois de um pesadelo tão injusto e macabro. Mas com certeza o sentimento de termos visto aqui uma grande obra, é instantâneo!

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