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CCXP | Painel HBO 2016

O segundo painel de maior relevância audiovisual do primeiro dia da CCXP 2016. O principal assunto foi mesmo Game of Thrones, principalmente pela presença confirmada de Natalie Dormer, a rainha Marjorie, presente em cinco das seis temporadas do seriado.

Porém, sabendo da força da presença da atriz, a principal atração ficou por último. Tivemos então dois convidados trazendo materiais interessantíssimos para preencher pouco mais de uma hora de evento no auditório.

Desenhos de sangue

O primeiro convidado foi o artista de storyboard, Will Simpson, desenhista que trabalha no seriado desde a 1ª temporada de GoT em 2011. As entrevistas, novamente sem espaço para perguntas da imprensa e do público, foram conduzidas por Natália Bridi, uma das integrantes da equipe do Omelete, uma das empresas organizadoras do evento.

Simpson ofereceu bons insights para o público que podia acompanhar o que ele falava com uma tradução simultânea escrita no telão. Simpson então se pôs a responder as diversas perguntas da jornalista. Disse que era preciso entender o storyboard e sua psicologia, além de compreender que seu trabalho é sempre um enorme auxílio para o diretor de cada episódio, louvando essa oportunidade de trabalhar com tantos talentos diferentes ao decorrer de tantos anos de produção.

Ele brincou muito com o fato de ter que desenhar tantas e tantas morte na 6ª temporada. “Eu recebia os roteiros, desenhava e bebia para esquecer de toda aquela carnificina”, brincou. Também lembrou que sempre visitava o bar para esquecer os spoilers das temporadas que ele já havia desenhado como no caso da 7ª agora, com segredos guardados a sete chaves.

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Simpson deu detalhes do processo de produção dos desenhos, revelou que tem mais ou menos 1 mês e meio para finalizar diversos episódios, confessando que os do meio sempre são os mais complicados por conta do maior rodízio de diretores, afinal o trabalho é sempre conjunto.

Mantendo o humor, confessou que adorou trabalhar com Sapotchnik, pois ele fazia os boards quase que na sua totalidade. Quando questionado onde ficava sua identidade através da adaptação do olhar de tanto diretores, Simpson disse que na 2ª temporada há episódios que alguns diretores não ousaram alterar os desenhos originais de tão bons e orgânicos que eram. Ao reconhecer que tudo estava em ordem e sequência, Simpson disse que nada lhe deu mais orgulho.

Hoje, revendo os episódios da 1ª temporada, ele se assusta ao ver as proporções de produção que o seriado adquiriu ao longo de tantos anos de preparação e exibição, agradecendo os fãs que possibilitaram tornar GoT no fenômeno histórico que é hoje, inclusive elogiando o trabalho impressionante dos técnicos de efeitos visuais que engrandecem a obra.

Encerrando a entrevista, Simpson confessou que após concluir seus trabalhos em GoT, gostaria de iniciar desenhos ainda mais violentos, bárbaros e com mais mortes! Pensa em se aventurar mais nos quadrinhos. Saiu sob uma chuva de aplausos.

Durante a entrevista, o telão exibia diversos desenhos originais e storyboards do próprio seriado.

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Dragões existem

O segundo convidado foi Sven Martin, um dos técnicos em efeitos visuais do escritório consagrado e premiado da Pixomondo que já produziu efeitos de diversas obras como O Espetacular Homem Aranha, A Invenção de Hugo Cabret, Sucker Punch, Mulher-Maravilha, entre outros.

O foco da apresentação de Sven foi explicar para o público como a Pixomondo deu vida aos fabulosos dragões do seriado, desde a 1ª temporada. Mas antes, Sven mostrou diversas composições de imagens “virgens” captadas em locações que sofreriam a inclusão de efeitos para encaixar cenários totalmente construídos digitalmente como Pyke e Dragonstone. É uma mistura perfeita entre realidade e artificialidade imperceptível nas telas, tornando a magia de GoT mais crível.

Sven reforçou que a Pixomondo sempre promoveu seus efeitos calcados na realidade. Logo, os dragões seriam criações próximas da realidade. E para isso, tendo a oportunidade de desenvolver a biologia das criaturas desde filhotes, confessou que foi uma experiência inédita e muito trabalhosa.

O primeiro passo para a concepção dos bichos foi a pesquisa de esqueletos e musculaturas de diversas aves: desde pombos até águias. Se inspirando na física real dos animais, os artistas constroem a parte interna do dragão enquanto escultores começam a concepção do corpo trabalhado em argila.

Depois é hora para trabalhar as texturas e cores do réptil então, obviamente, os artistas buscam referencias de escamas de repteis reais como lagartos, cobras e tartarugas. Detalhe que as escamas são colocadas uma a uma nos modelos animados “virgens” o que torna o processo de criação do modelo em algo trabalhoso e maçante.

Cada dragão levou 4 meses para ficar pronto para os animadores trabalharem nas cenas. E como eles costumam crescer e mudar de texturas, todo o processo é recriado do zero para deixar o crescimento das criaturas mais orgânico e crível para a audiência.

Sven preparou uma verdadeira aula. Foi uma apresentação de slides e vídeos muito lúdicos que deixaram claro para o público a importância do trabalho da Pixomondo para a criação de GoT. Diversos vídeos de construção de efeitos comparando com o “antes” e “depois” foram exibidos. Um verdadeiro deleite em observar a arte de tanta gente talentosa. Assim como Simpson, Sven saiu sob fortes aplausos.

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A Rainha da Comic Con

E então finalmente tivemos o momento mais aguardado do dia: a chegada da musa Natalie Dormer. Novamente, quem conduziu a entrevista, foi Natália Bridi que pode ter decepcionado muita gente interessada no seriado e na personagem devido a carga excessiva de perguntas de teor politizado e ideológico que insistia em trazer elementos externos pouco pertinentes à ênfase em Game of Thrones.

Natalie compartilhou seu primeiro contato com o seriado e enfatizou que foi igual ao nosso, o espectador final. Ela já era fã na 1ª temporada e quando soube da possibilidade de entrar no elenco do seriado, não mediu esforços para entrar no processo de casting para interpretar Marjorie Tyrell. Continuou dizendo o quão fantástico foi participar daquilo com tantos companheiros talentosos até o fim.

Até mesmo depois que encerrou seus trabalhos na série no último episódio da 6ª temporada, diz que ainda se sente parte da família, pois é impossível se distanciar de pessoas presentes na vida depois de cinco anos de intensos trabalhos.

Quando questionada sobre a morte de sua personagem, Dormer revelou que pensava que Marjorie até conseguiria sobreviver até o fim, mas já sentia que algo de ruim aconteceria a ela nessa última temporada exibida. Encarou com tristeza, mas sentiu orgulho pela personagem encerrar seu arco junto de seu irmão – destacou que são poucas obras que trabalham bem a relação entre irmãos como fazem os roteiristas de Game of Thrones.

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“Quero ver Cersei sofrer, e muito. Ela vai receber o que merece, pois tenho certeza que os Tyrell vão investir seu dinheiro em Daenerys, que é a coisa certa a se fazer.”, respondeu quando questionada sobre suas expectativas para a próxima temporada.

Após estas respostas singelas sobre seu trabalho, a entrevista tomou os rumos políticos da noite. Bridi questionou Dormer sobre a cultura machista brasileira, em sua opinião, e sobre como Dormer via as mudanças das marés na indústria que aposta em protagonistas femininas agora.

“Não posso opinar sobre políticas ou culturas internas tão específicas, pois desconheço. Mas vejo sim que Hollywood e a grande indústria caminham para maior abertura para história com mulheres em papéis fortes, seja em Got, Jogos Vorazes  ou em Mad Max, há uma mudança de visão de mercado com toda a certeza”, comentou. “Para mim, feminismo é a igualdade, igualdade de oportunidades e empregos, mas não de supressão de gênero ou uma guerra de sexos. ”.

“Porém, mesmo reconhecendo a importância dessa pauta, prefiro ir além desse conflito, pois estou interessada em boas histórias e ótimos personagens, pois é disso que a arte mais se trata, em contar experiências humanas. ”, concluiu.

Depois, tivemos a pergunta mais tensa da noite, com a jornalista questionando para a atriz sobre como ela via a vitória de Donald Trump na eleição americana e sobre as políticas restritivas pautadas pelo presidente eleito.

Dormer, visivelmente surpresa, tentou esquivar da questão polêmica. “Bom, 2016 é um ano bastante estranho. Com o Brexit e tudo mais. Vejo a tecnologia como peça libertadora e assustadora, pois a linha da privacidade e o público está cada vez mais tênue. Mas creio que a arte, ainda mais agora, pode triunfar sobre os maiores medos que podem ser fundados nesse momento politicamente conturbado. É justamente por isso que Game of Thrones é tão popular. Mesmo tão fantasioso, sua história entre bem e mal é próxima da realidade que acaba conquistando o público. Temos Presidentes Snow e Ramsés, algo que pode ser comparado ao momento atual. “, respondeu.

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Depois, a entrevista trilhou por caminhos mais pertinentes ao painel. Dormer disse que não imaginava que tinha tantos fãs brasileiros, agradecendo pelo carinho do público. Também revelou que adora o trabalho que os roteiristas fazem em unir duplas de personagens tão distintos como Arya e Cão de Caça – seu núcleo favorito, ou Tyrion com Varys, que forçam diversos conflitos inteligentes. Sua cena favorita é a da morte de Joffey, não apenas por se livrar de um personagem horroroso, mas pela semana de gravação que reuniu tantos atores contracenando juntos permitindo uma semana muito agradável de filmagens.

Agora que está livre da produção intensa do seriado, revelou seus planos, incluindo a gravação de um roteiro que escreveu com seu noivo. O trabalho se chama In Darkness. Além disso, concluiu as filmagens de um filme com Mel Gibson. Ela espera se aventurar tanto diante quanto por trás das telas. Tudo dependerá do sucesso do seu primeiro roteiro. Se considera sortuda por tantas oportunidades maravilhosas.

“Irei para onde as boas histórias estão. Sejam elas de televisão, cinema ou de teatro, independentemente do tamanho da produção. Nada me fascina mais do que uma boa narrativa.”,concluiu Dormer no encerramento da entrevista.

E nós, do Bastidores, também esperamos que a simpática atriz somente atraia sucesso em sua carreira promissora. Ao fim, vimos uma pequena prévia do último episódio da 1ª temporada de Westworld.

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Publicado por Matheus Fragata

Editor-geral do Bastidores, formado em Cinema seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas.

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