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Conheça a mulher que viveu por 10 dias na floresta amazônica após sofrer queda de avião

No dia 24 de dezembro de 1971, Juliane Koepcke viajava com sua mãe para encontrar seu pai durante as festividades do natal, em Pucallpa, uma cidade situada no Peru. A mãe se chamava Maria e o pai Hans-Wilhelm, ambos eram zoólogos alemães famosos e estavam no país com o objetivo de estudar a vida animal de lá.

Maria era ornitologista, enquanto Hans era um zoólogo reconhecido mundialmente. E pelos dois serem dessa área a filha, que havia recebido o diploma do segundo grau um dia antes da viagem, queria trilhar o mesmo caminho que os pais, e mal ela sabia, mas esses ensinamentos que desde quando ainda criança teve com os pais sendo iria a ajudar a enfrentar o desafio que estava para surgir. 

Juliane nasceu em Lima e já estava colocando em prática seu sonho de estudar zoologia, havia se matriculado na escola que ficava a muitos quilômetros do posto de pesquisa nos quais seus pais estavam, esse posto ficava na floresta amazônica, mais especificamente no coração da selva.

Um dia antes da viagem Maria foi buscar sua filha para ir em direção a cidade em que seu pai estava e para isso teriam que passar com o avião sob a floresta peruana até chegar ao destino final. Só que havia algo de estranho nessa viagem, antes do natal, quando as duas estavam no aeroporto, ficaram pensativas sob a má fama da companhia aérea, pois ultimamente dois aviões da empresa haviam caído. Essa má fama atrelado ao fato de Maria morrer de medo de voar eram apenas ingredientes a mais que se somavam para a viagem que se realizaria.

A estranheza começou quando o avião que elas iriam pegar (um turboélice Electra) estava atrasado. Mesmo assim esperaram pacientemente e entraram no avião. A viagem era de curta duração, cerca de uma hora, e pouco tempo depois de decolar, cerca de trinta minutos, algumas turbulências começaram a acontecer devido o mal tempo. A tripulação do avião continuou a viagem mesmo estando no meio de uma tempestade pesada e com forte turbulência, isso o avião estando a uma altura de mais de seis mil metros de altura.

A decisão em continuar a viagem pela tripulação se dava pelo fato de ser um período de férias e caso voltassem iriam atrasar todo o cronograma de viagens. Só que havia um grande problema em não dar a viagem por finalizada que era o fato do avião Electra não ter sido construído para enfrentar fortes turbulências. Por volta da meia noite aconteceu o acidente, um raio atingiu o tranque de combustível. Obviamente que o avião não iria resistir ao impacto do raio e tão logo o acontecimento começou a se desintegrar e a cair pedaços que ficaram jogados por toda a floresta. 

As autoridades realizaram buscas por algum tempo, até avisarem que todos a bordo estavam mortos, sendo seis integrantes da tribulação e 86 passageiros, totalizando 92 pessoas a bordo. A Lansa, companhia que realizava os voos, teve cassada sua licença para realizar novas viagens, portanto, a viagem de Juliane foi a última a ser realizada pela empresa. O acidente com o avião da Lansa foi o pior já registrado com um raio envolvido da história da aviação.

Devido as condições climáticas e a dificuldade que a própria selva proporcionava as equipes de buscas acabaram por não perceber algo em relação ao resgate. Não haviam calculado corretamente e um dos passageiros não havia sido resgatado e era justamente Juliane Koepcke que não havia sido encontrada.

No momento da queda Juliane e sua mãe estavam assustadas devido a turbulência e quando ocorreu a explosão ficaram em desespero. Juliane diz ter visto sua mãe e o homem que estava do outro lado do corredor sendo ejetados e em queda livre pelo ar. Tão logo isso ocorreu Juliane se viu caindo na floresta, consequentemente desmaiou e assim que acordou veio o duro golpe de que era a única sobrevivente do desastre aéreo.

Até hoje as autoridades não entendem como ela sobreviveu a uma queda de mais de dois mil metros de altura. Há algumas teses que vão desde o jeito que o avião caiu no solo até mesmo que a proteção de sua poltrona podia ter ajudado a ter a deixado viva, mas nada muito certo. O pior estava por vir para Juliane, estava toda machucada e quando deu por si percebeu que estava com cortes profundos em seu corpo, com um machucado sério na panturrilha, clavícula quebrada e olho inchado. Nisso começou a procurar sua mãe e então percebeu que estava sozinha na selva.

Foram dez dias de pura agonia pela floresta em busca de ajuda e nesse tempo usou os ensinamento de seu pai para conseguir escapar da selva. Um desses ensinamentos foi o de sempre tomar cuidado com cobras que se camuflam em folhas secas e para isso a garota usava um pau para cutucar certos lugares em seu caminho ou jogava a sandália, um outro ensinamento que foi importante é em relação ao de encontrar um caminho de água e segui-lo, pois assim iria acabar encontrando um rio e possivelmente encontraria ajuda, e por fim, o mais importante de todos que foi o de jogar gasolina em uma ferida profunda que tinha em seu braço e que moscas já haviam posado e colocado ovos, por medo de perder o braço a garota jogou gasolina que encontrou em um pequeno barco, conseguindo assim tirar grande parte dos vermes que ali estavam.

Eis que em seu percurso resolveu descansar em uma cabana que aparentemente era abandona, mas não estava. Lá encontrou três homens que eram missionários, foram eles os primeiros a dar assistência média a ela, cuidando de seus machucados e a alimentando. Então os missionários a levaram por sete horas até a aldeia mais próxima onde recebeu novos cuidados médicos. Ali também encontrou um pilotou que a levou até o posto de pesquisa onde estava seu pai. A grande questão disso é a distância da aldeia que a garota estava até o lugar que seu pai se localizava, a viagem com o piloto durou apenas 15 minutos da aldeia ao centro de pesquisa do pai.

Após o fim de sua longa jornada, Juliane Koepcke voltou ao lugar da tragédia com uma equipe de busca e ajudou a localizar o corpo de sua mãe e ao que parece Maria havia sobrevivido à queda do avião, mas devido a falta de cuidados faleceu ali mesmo depois de alguns dias. No fim das contas se Juliane Koepcke tivesse encontrado sua mãe, possivelmente teria o mesmo fim que ela, pois iria ficar por ali e não buscaria ajuda.

Juliane Koepcke não havia voltado para o local do acidente até meados de 1998, quando viajou com o cineasta Werner Hergoz (O Homem-Urso) para filmar o documentário Asas da Esperança (Juliane Cai na Selva), na qual refez o trajeto do avião e até mesmo sentou na poltrona de mesma numeração do avião no momento que caiu. Uma curiosidade é em relação ao cineasta alemão, Werner Herzog era para estar no mesmo voo durante as filmagens de Aguirre, a Cólera dos Deuses, mas de última hora desistiu de viajar. 

Há um livro escrito por Juliane Koepcke chamado When I Fell From the Sky (não foi lançado no Brasil) em que ela detalha tudo que aconteceu durante os dez dias na floresta amazônica. No momento há um filme sendo produzido sobre o episódio com direção de Stanley M. Brooks (Agentes da S.H.I.E.L.D.) e que será protagonizado por Sophie Turner (Game of Thrones).

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Publicado por Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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