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Crítica | 3% – 01×01

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Obs: leia a crítica da série completa AQUI!

Em 100 anos estaremos em outra realidade. Segundo os criadores desta série, os brasileiros do continente estarão na miséria, sem água e sem dignidade, enquanto a elite vive super bem uma desejada ilha afastada da costa. É num cenário de distopia que 3% se estabelece. Um cenário tão pobre quanto a falta de originalidade desta trama.

A série estreia dia 25 de novembro na Netflix e ao longo de oito episódios acompanharemos todo o processo de aprovação de 3% dos candidatos do continente que querem ir para a tal ilha. Aqui, somente a partir dos 20 anos e apenas uma vez ao ano é que possível tentar mudar de vida. Caso o candidato seja reprovado, ele retorna para a sua vidinha de merda no continente. O sistema de avaliação da elite é recheado de testes psicológicos e físicos e os aprovados precisam se preparar para superar toda e qualquer etapa.

Ainda não conferimos a série completa, mas do que foi assistido, as expectativas para 3% estão baixas.

No primeiro episódio conhecemos a galerê que tá morta de fome e a galerê que manda na porra toda. A merda é que, de cara, temos uma organização de sociedades parecida com Elysium, o filme de  2013, do diretor Neill Blomkamp onde a turma ferrada provém subsídios para quem vive no conforto. Em 3%, esta interdependência ainda não está totalmente clara e sua primeira parte oferece um conhecimento vago de como a ilha explora o continente.

Para piorar a direção de César Charlone não ajuda, além da produção que deixa a desejar. O visual da elite da ilha lembra muito a saga Divergente. A câmera nervosa e sem linearidade resulta em takes cansativos e com muitos movimentos desnecessários, elemento visual também usado no outro episódio assistido. E voltando a narrativa, os diálogos são rasos, com muitas frases soltas e de efeitos pouco marcantes, tornando 3% em uma série teatral, caricata e cansativa.

Porém, como todo material ainda não foi conferido, esperamos ter uma noção melhor desta distopia proposta e como o conflito será desenrolado, já que há um infiltrado do continente que conseguirá seu espaço para bagunçar e causar na ilha.

O elenco é formado por rostos não tão conhecidos. Ezequiel (João Miguel) é o líder da seleção da ilha. Seu trabalho está em análise por Aline (Viviane Porto) que claramente tem outros planos nesse relacionamento, principalmente porque o chefe do processo tem um passado “misterioso”, leia-se: previsível, que envolve sua esposa Julia (Mel Fronckowiak). Entre os jovens  integrantes dos 3% aprovados temos Michele (Bianca Comparato), Fernando (Michel Gomes), Rafael (Rodolfo Valente), Joana (Vaneza Oliveira) e Marco (Rafael Lozano). A justiceira, o cadeirante religioso, o trapaceiro, a sobrevivente e o destemido, respectivamente. As características dos personagens reforçam que 3%, talvez, seja uma visão genérica de distopia que apenas agradará os defensores de projetos brasileiros.

Esperava-se que em função de termos uma Netflix no plano de fundo, a série criada por Pedro Aguilera fosse além e sua mente, mas a impressão inicial é de que a boa ideia de explorar uma distopia em um país tão rico, culturalmente falando, fosse deliberada em um roteiro internacional regado de características regionais. Só enxergamos o Brasil em tela em função do idioma e da leve crítica política pincelada na desigualdade social do país dos dias de hoje.

É…Agora é a aguarda a estreia de todos os episódios no dia 25 de novembro.

Texto by Tatá Snow da Freakpop com exclusividade para o Bastidores.

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Publicado por Matheus Fragata

Editor-geral do Bastidores, formado em Cinema seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas.

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