nota-3,5

Obs: Cuidado com os spoilers!

Não gosto de blecautes! Certamente você já passou por essa situação alguma vez na vida, e, com certeza, irá passar. Uma simples falha no fornecimento de energia, e voltamos 200 anos na história. Sem televisão, nada de telefones ou internet, e, para piorar, não há o belo ar-condicionado proporcionando aquele sono aconchegante durante a noite – isto, claro, se para teu azar for uma noite de calor.

Para nossa sorte, estes apagões não ocorrem com muita frequência graças a alguns esforços da tecnologia. E quando ocorrem, sempre há uma cobrança muito forte das autoridades para o estado ser resolvido. Veja bem, este texto não é sobre física, energia, questões do gênero. Longe disso, sou um leigo completo neste assunto. No entanto, assistindo um documentário sobre política internacional, o apresentador que falava sobre risco iminente de guerra, cita uma aparato bélico na qual pouco ouvi falar: Bomba eletromagnética (EMP). Felizmente e por coincidência, auxiliando minha falta de conhecimento no assunto, este Uprising surge exemplificando muito bem um possível uso de uma arma como esta.

Em uma plena noite de festa em Miami as luzes se apagam. Um helicóptero desgovernado surge do céu caindo sobre um edifício. Uma figura desconhecida identificando-se como representante da Resistência Inumana anuncia que enquanto os humanos tratarem-nos como animais, haverá mais ataques como o de Miami. O caos logo começa a se instalar, e Coulson, Mack e Fitz logo partem para a cidade onde também está Yo-Yo Rodriguez.

O núcleo de Robbie e Quake é jogado de lado neste episódio. Pouco trabalhado e desenvolvido, serve apenas para seguir a linearidade do programa. Mas tem lá a sua importância, graças a uma cena bem delicada entre o irmão de Robbie, Gabe, e a Quake. O caçula do mecâncico ao notar que a convidada é uma inumana, pede para que se distancie de Robbie. O preconceito abordado causa um bom impacto, elevando o nível da série. Aliás, Yo-Yo também sofre com o mesmo problema ao ser rejeitada por uma velha amiga. Assim, Agents of S.H.I.E.L.D surpreende mostrando que tem potencial para uma história mais crítica e profunda.

Radcliffe e Simmons trabalham juntos no caso Melinda May. Devido à infecção, a agente possui poucas horas de vida. E a resolução aqui é bem previsível, por mais que o roteiro tente criar um suspense em torno. Além do mais, é uma subtrama que surge bem deslocada da central, tornando-a mais preguiçosa.

Como sabemos, em Soldado Invernal, a organização até então comandada por Nick Fury dissolveu-se. Desde então, Agents of S.H.I.E.L.D seguiu dando foco em aventuras mais independente do cinema, e deu início ao universo inumano. O drama político se inicia aqui. Com o medo e a tensão aumentando entre humanos e inumados devido as ações do grupo Watchdogs, Jeffrey Mace, aconselhado por Coulson, percebe ser a hora certa da S.H.I.E.L.D ressurgir do submundo.

Mencionei no texto sobre o episódio anterior a falta de uma direção mais arriscada, um pouco mais criativa gerando maior empolgação no espectador. Por um momento, Uprising me surpreende com o início de um plano sequência após a entrada triunfal de Coulson e colegas em determinado momento. Abri um sorriso imenso ao notar o início da técnica quando Mack soca um malfeitor e a câmera dança em direção a Coulson também agindo, porém a edição infelizmente compromete toda a estrutura muito bem ensaiada. Após Coulson derrubar outro oponente, há um corte brusco para Fitz, que estava no mesmo quadro anterior, iniciando uma nova sequência. Fica claro que ao início do seguinte, a coreografia simplesmente prossegue conforme o ensaiado, me deixando chateado por não ser um plano único.

Além disso, há um ótimo aproveitamento dos poderes de Yo-Yo em uma cena que remete muito ao Mercúrio de Bryan Singer. Mesmo com o orçamento mais moderado, há um belo uso de CGI e um Slow Motion muito bem montado. No que procede, a ação também é ótima, intercalando os socos e pontapés com luzes apagando-se ao meio no melhor estilo espião.

Uprising é um episódio divertido, mas que peca em não dar foco totalmente a um acontecimento tão importante dentro de MCU que é a reestruturação da S.H.I.E.L.D. Há um toque bem sutil de crítica social aqui que funciona, o qual espero um bom cuidado dos showrunners daqui pra frente.

Escrito por Kevin Castro