DEALS WITH OUR DEVILS

E eis que passamos por mais um hiato de Agents of S.H.I.E.L.D. – o segundo desta temporada. Após um cliffhanger no fim de “The Good Samaritan”, mas eficiente gerando dúvidas sobre como a série iria lidar com os eventos de Doutor Estranho, aqui os roteiristas decepcionam, desprezando um acontecimento tão relevante.

O que é previsível. Como já havia comentado, o programa virou apenas um espantalho para preencher lacunas, além de servir para teste ao introduzir novos segmentos no UCM. No entanto, “Deals with Our Devils” começa a apresentar como as aventuras de Coulson são descartáveis, nem mesmo servindo para as opções citadas. Levam os personagens à outra dimensão apenas com a finalidade de abrir-se um portal mágico – pura estética.

Eli Morrow, personagem de desenvolvimento contraditório, é jogado de lado tendo apenas uma curta aparição. Após a explosão na usina, o agora vilão foge. Com o sumiço de Coulson, Fitz e Robbie, os outros agentes, acumulam esforços em cima da situação.

Criar situações e as resolverem rapidamente é a marca deste episódio.

O destaque aqui é a androide AIDA, que por ser uma criação “perfeita” faz tudo ao seu alcance, tornando soluções complexas em simples. Consequentemente, isso torna o texto mais vergonhoso. May decide que a única solução possível é o Darkhold. Sendo assim, pede ajuda a Radcliffe para que decifre o livro, porém o cientista argumenta que levaria anos para tal. AIDA dispõe-se a ler as páginas e, rapidamente, obtém sabedoria e capacidade suficiente para abrir um portal. Tudo resolvido. Entenda, não há problema com que a androide resolva a situação, no entanto é doído de se ver a preguiça com o que roteiro desenvolve o tema.

Outra adversidade logo resolvida é a trama envolvendo Mack. O personagem dessa vez é possuído pelo Espírito de Vingança, este que deixou Robbie na outra dimensão, e vai de encontro a gangue de Chinatown (a qual, também, é mal aproveitada na série, aparecendo apenas no começo da temporada como gancho a Lucy e outros fantasmas). No fim, conclui-se apenas como um arco de ação por ação.

Nos primeiros 9 minutos, não sabemos onde os desaparecidos estão, porém há uma mudança súbita de tons na fotografia, nos posicionando sobre a perspectiva de Coulson. Mesmo com uma coloração feia de filtro, há uma certa criatividade pela produção ao incluir personagens em determinado espaço onde não estavam anteriormente. A princípio, o recurso funciona. No entanto, utilizar de novo o mesmo soa desnecessário. Como quando Quake persegue Mack, seguimos a linha normalmente, e então, temos que retornar ao ponto de partida pela visão de Reyes.

Quanto a agente Simmons, ela continua deslocada aqui. Um assunto que poderia ser adiado para outro momento da série. Ao menos rende uma cena delicada cuidando de um indivíduo preso em um casulo Terrigen.

Pouco mais pode-se dizer de “Deals with Our Devils”. Um episódio vazio, em que nada acrescenta a série. Questões interessantes que poderiam ser abordadas com maior cuidado e profundidade são desperdiçadas em finais simples.

THE LAWS OF THE INFERNO DYNAMICS

Este é um episódio um pouco mais interessante, graças a um melhor investimento no orçamento, tentando fechar com chave de ouro a Midseason. Em parte, até consegue, através um bom trabalho técnico envolvendo os efeitos especiais.

Eli Morrow retorna, prosseguindo com sua história – algo que também poderia ser feito no capítulo anterior. Porém, ao contrário de desenvolver o personagem e seu plano final, o roteiro peca simplesmente jogando em cena toda a sua obsessão, através de frases totalmente padrões do tipo “vou me tornar um deus”. A ideia de Morrow também não é nem um pouco original e interessante, optando por um caminho mais simplista: o uso de um Demon Core (Núcleo do Demônio), artefato que pode destruir metade da cidade. Incrível como este programa adora armas do gênero.

E quem poderia resolver isso? Claro, AIDA. Sabendo da utilidade da androide, Coulson convence o diretor Mace a permitir a ajuda da mesma. Há uma discussão sobre o risco aqui presente, criando uma analogia envolvendo Ultron e o risco envolvendo inteligência artificial. De certa forma, a série agrada demonstrando um cuidado maior com a personagem, tornando-a o ponto chave para a próxima parte da temporada.

Após lidar com o Darkhold diretamente, a personagem em seguida apresentou um comportamento incomum, ao contrário do que se imaginava, lembrando que a mesma é um ser sem vida. No entanto, ao sofrer disparos sobre si, AIDA demonstra quão sensível é com sua reação. É claro que a criação de Radcliffe está além de uma máquina: possuindo pensamentos próprios, e agora tornando-se a vilã da segunda parte da série. O final se encerra com May na casa de Radcliffe, frágil e ensaguentada, aos cuidados de AIDA. Enquanto isso, uma outra May comemora com seus colegas mais um dia vencido.

Satisfeito com o resultado final, Jeffrey Mace autoriza o projeto LMD (Life Model Decoy), inclusive pedindo para que seja desenvolvido dentro da S.H.I.E.L.D. Sinceramente, não deposito muita confiança neste tema na próxima parte. Não é nem questão de ser interessante ou não, a ideia é boa, e o cliffhanger final desperta curiosidade, mas sinto que é mais uma trabalho a passar batido nas mãos dos roteiristas.

Enquanto isso, temos o romance entre Mack e Yo-Yo. Um relacionamento que eu já havia esquecido, já que a personagem desaparece entre vários episódios. Outro ponto que faz falta, são personagens mais humanizados com uma interação melhor entre si. Falta um sentimento maior de amizade dentro do espaço, causando maior envolvimento com o espectador. Agora que o casal está reconciliado, uma boa oportunidade surge neste quesito.

A direção do episódio tem uma aprimoramento melhor se comparado a maioria de seus antecessores. Kevin Tacharenon assume o comando apostando em pequenos planos sequências. Além disso, capricha nas cenas de slow motion, altamente inspirado em Bryan Singer, com uma coreografia até mesmo semelhante a seu “DoFP”, ao conduzir as cenas de ação com Yo-yo – um ótimo trabalho da equipe de efeitos especiais a ser destacado também. O diretor também cria uns planos holandeses (câmera na diagonal), sejam eles mais abertos sobre o ambiente ou meio abertos sobre personagens. Mesmo sem necessidade, o diretor não abusa muito do recurso estilístico, proporcionando uma melhor identidade.

A primeira parte desta temporada de Agents of S.H.I.E.L.D. conclui-se da maneira que se iniciou: regular. O descaso com seus personagens, faltando um aprofundamento maior em suas histórias, tornou o programa um tanto que insosso e vazio. Outro ponto negativo, é o desperdício de potencial envolvendo Motorista Fantasma. Agora, passado o tempo de Doutor Estranho, torçamos que o programa cuide mais de si próprio, ignorando as jogadas de marketing do estúdio.

Escrito por Kevin Castro

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