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Crítica | Better Call Saul – 03×03: Sunk Costs

Sunk Costs é o episódio que realça as relações entre os personagens, vemos nele a queda do protagonista, uma honestidade na relação entre Kim (Rhea Seehorn) e Jimmy (Bob Odenkirk), a obsessão de Chuck (Michael McKean) por finalizar a carreira de advocacia do irmão e, finalmente, o contato direto de Gus Fring (Giancarlo Esposito) e Mike (Jonhatan Banks). O começo do episódio, belo inclusive, cortando de planos abertos (de uma estrada do México) para planos fechados, enquadrando uma placa, um caminhão e um sapato enrolado em um fio, detalhes que resumem o plano de Mike no fim do episódio e logo no começo aguça a atenção do público para entender o significado daquele cenário. Mas vamos por partes.

O episódio anterior terminou com Chuck armando para Jimmy, que invadiu a casa do irmão, quebrou a fita que tinha a gravação que reconheceria sua fraude no documento durante o processo da Mesa Verde. Jimmy, descrente do que ocorrera, sentado ao meio-fio com o olhar furtivo e triste. Ainda há espaço para um pequeno diálogo entre os irmãos naquele cenário, um diálogo que finaliza com um impulso premonitório o qual Jimmy descreve como Chuck morrerá, sozinho e em pânico. Por meio desse diálogo, sentimos a arrogância de vencedor por parte do mais velho, mas também o corte da relação do mais novo. Jimmy demonstra o desprezo que o irmão merece, a falha de preocupação com o tal, agora desmontada, dando o lugar para uma frieza que o mesmo merece.

Em compensação, é em Kim que Jimmy encontra o resquício de empatia e compaixão. Primeiro que é a aparição da moça, denotando o cotidiano robótico, com os cortes rápidos intercalando suas ações e uma trilha sonora dançante. Acorda cedo sobre documentos da Mesa Verde, prepara café, toma, vai na academia, toma banho, seca o cabelo, escova os dentes, passa colírio, maquiagem, brinco, se veste, volta ao carro, preparada par ao novo dia e para combater o mal…, quase que uma montagem de apresentação de um personagem de cinema de espionagem. A sequência em si culmina na descoberta da noticia da prisão e ao invés dos dizeres morais ou ignorância ao assunto, Kim vai até o tribunal representar Jimmy.

É claro que, conforme a personalidade dele, Kim é renegada e, ainda que, magoada pela decisão, dar o ombro amigo para o conforto de Jimmy, a fotografia em si da cena do dialogo entre os dois realça bem isso, minimalista e quase sem luz, como os sentimentos de ambos perante a situação. Todas as sequências envolvendo os dois estão entre as mais honestas relações dos dois dentro da série. Aqui, acreditamos em cada sentimento que ambos regozijam para o outro, seja a de compaixão, de uma pessoa representada pelo ato robótico do seu cotidiano, ou a de sentir a derrotar e a solidão de uma pessoa que enfrentava os desafios da melhor forma possível e ingênuo em acreditar nos sentimentos falsos alheios.

Interessante também, como Jimmy, mesmo derrotado, insiste em uma esperança ao ver um amigo que poderia ser o advogado contra ele e, por isso, teria alguma influência sobre que poderia livrá-lo. Mas todos sabemos que não é intenção de Chuck, que veste a carapuça de um vilão drástico, é destruir a carreira do irmão. Não se conforma em saber que ele pode ser advogado e, de tanto tentar, está prestes a concluir seu plano e alcançar o objetivo. Ele deixa bem claro quando pede que a advogada não queira a prisão, mas entre em acordo que poderia causar a cassação de Jimmy pela Ordem. A série cria uma expectativa de ruptura total entre os irmãos e consequências pujantes disso.

E claro, não posso esquecer o outro trunfo do episódio. Afinal, já abre com o primeiro encontro entre Mike e Gus, este, inclusive, pedindo que esse não tente matar Salamanca, porém o ajudaria afetar. O fim do episódio casa com a abertura. Como de praxe, temos a sequência quase em mudo de Mike, que inicia o plano pedindo drogas para um médico popular e colocando-o em um sapato e prendendo-o em fios. De longe, fica com sua espingarda. E é impressionante como a série, mesmo todos já conhecendo o personagem, ainda consegue surpreender nos planos magníficos que envolvem Mike. Toda a sequência é muito bem conduzida, chegando ao final sem necessitar de um didatismo e revelando o plano por completo dele.

Sunk Costs é o episódio que vai afundo em suas relações dos personagens, rompe com algumas e fortalece outras. É o começo de uma virada no protagonista, que aos poucos vai despindo da roupa de Jimmy McGill, dando lugar para Saul Goodman. É o início de uma relação que, como sabemos, dará frutos problemáticos no futuro, entre Mike e Gus. Mas é bonito ver como tudo isso começou.

Better Call Saul – 03×0: Sunk Costs (Idem, EUA – 2017)

Criado por: Vince Gilligan, Peter Gould
Direção: John Shiban
Roteiro: Gennifer Hutchison
Elenco: Bob Odenkirk, Jonathan Banks, Rhea Seehorn, Michael McKean, Giancarlo Esposito
Emissora: AMC
Gênero: Drama
Duração: 45 min

Escrito por Filipe Gabriel

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Publicado por Cemitério Bastidores

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