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Crítica | Bio – A Forma é Encantadora, mas o Conteúdo é Raso

*Este filme foi visto na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

O cinema é uma arte que permite várias experimentações com a linguagem, não à toa Jean-Luc Godard construiu sua carreira com essa característica. Todavia, isso não significa que a obra possa ter muito pouco a dizer ou ser irrelevante. Bio, de Carlos Gerbase, cai nessa armadilha, pois tem uma forma muito interessante, mas como arte não diz muita coisa.

O longa é um falso documentário, o qual acompanhamos por meio de 39 entrevistas as história de um personagem que nunca vemos ou sabemos o seu nome, só sendo chamado como O Professor. Ele viveu por cento e onze anos e o filme vai mostrando esses depoimentos que vão desde os seus pais até a sua neta, ou seja, desde do seu nascimento até a sua morte.

Um ponto forte do filme de Gerbase é que ele não engana de ser um falso documentário, sendo que os personagens da vida do Professor sejam interpretados por atores famosos como Marco Ricca, Maria Fernanda Cândida, Maitê Proença, Sharon Menezes e Werner Schunemann. Percebe que há um cuidado enorme com a mise-en-scene, a distribuição dos elementos que estão na tela. Toda composição com luz e os outros elementos são muito bem pensados, dando destaque para a ótima fotografia de Bruno Polidoro, que utiliza ótimos desenhos de luz, e a direção de arte de Bernardo Zortea, que mostra muita criatividade com os cenários, principalmente os do futuro.

A condução de Gerbase é muito segura, cria momentos divertidos e imprime um ritmo excelente. É um filme que não cansa e que mostra que o diretor tem domínio do que está fazendo, além de usar elementos da linguagem para fazer algumas piadas utilizando o som e montagem, que se mostram muito bem encaixadas. Além disso, de obtém atuações naturais do seu elenco.

Mas se o filme se mostra divertido e criativo, qual o problema? Como disse acima, além de forma precisa ter conteúdo e isso Bio acaba não entregando. Simplesmente pelo personagem do Professor não ser interessante e a sua vida ser apenas comum. Por mais que o filme enfoque como ele teve uma carreira forte como ator e o fato de também ter sido cientista,  essas coisas não são suficientes para torná-lo um personagem digno de nota, assim como a tentativa de ambiguidade que o roteiro – assinado por Gerbase – tenta colocar falando várias vezes que mesmo sendo uma pessoa muito honesta que “não conseguia mentir”, ele tinha cinco famílias, tendo traído varias de suas mulheres. Isso não o deixa tão complexo quanto o roteiro tenta passar.

Outro ponto questionável do filme são as cenas de nudez femininas, que tentam emular o sentimento que o Professor teve no momento que fez amor com alguma das entrevistadas. Mesmo sendo plasticamente belas, elas se mostram narrativamente desnecessárias. Entenda, leitor, não sou um moralista, mas quando o diretor se coloca uma cena envolvendo uma atriz nua, tem que ter alguma serventia para a história. Em Bio soa mais como fetichismo.

Enfim, por mais que tenha problemas no seu conceito, Bio acaba sendo um experimento de linguagem interessante. Tem bons atores, é agradável e passa rápido, mas fica com a sensação que podia ser melhor.

Bio (Idem, Brasil – 2017)

Direção: Carlos Gerbase
Roteiro: Carlos Gerbase
Elenco: Marco Ricca, Maria Fernanda Cândido, Tainá Muller, Maitê Proença, Werner Schunemanm e Sharon Menezes
Gênero: Drama
Duração: 100 minutos

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Publicado por Redação Bastidores

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