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Crítica | How to Get Away with Murder – 3×05: It’s About Frank

 

Agora sim: isso é How to Get Away with Murder!

Após ser duramente atingida – principalmente no quesito reputação -, Annalise Keating voltou com toda força. O quinto episódio, intitulado It’s About Frank, trouxe algumas respostas e abriu mais perguntas, mas a força com o qual foi produzido definitivamente me deixou sem fôlego. O foco aqui reside no reflexo: como as ações e o passado dos personagens se relacionam com suas ações presentes aparentemente inexplicáveis e irracionais.

As cartas principais do jogo são: Frank e sua história misteriosa com o falecido Sam, ex-marido da advogada protagonista; Annalise e seu dilema com álcool; e quem está por trás dos cartazes difamadores da Universidade.

Há muito anos, Frank havia sido preso por assassinar seu pai. E a culpa de tais ações o consumiu por dentro que ficar enclausurado numa cela de cadeia era como se fosse o paraíso – ao menos ele não cometeria um crime novamente. E eis que aparece Sam: um doutor em psicologia que decidiu acolher o “garoto sem pai” para si, garantindo-lhe um novo começo e a ajuda de Annalise para conseguir uma liberdade condicional. Uma sequência que explica inclusive arcos em aberto da primeira temporada – como o porquê de Frank se curvar perante os pedidos de Sam e agora estar solto e comportar-se como “justiceiro”.

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No presente, Bonnie comparece ao enterro de seu pai, e já aqui sentimos a nostalgia da temporada anterior, na qual descobrimos que ela sofria abusos sexuais e ficou traumatizada. Sua inexpressividade é proposital e, como palavra final, decide cremar o cadáver e deixar suas cinzas no próprio necrotério. E o que vai fazer depois? Encontrar Frank! Seria isso o começo de um novo romance? É inegável que Liza Weil e Charlie Weber trazem uma química deliciosa para as telinhas.

Annalise tenta lidar com seu problema, cujas consequências atingiram níveis drásticos, fazendo-a ter a licença suspensa e retirá-la da sala de aula – ou seja, privá-la de suas duas paixões. Com isso, se sente forçada a comparecer a uma das reuniões dos Alcoólicos Anônimos, na qual encontra a Reitora Hargrove. E é aqui que ela sente sua vulnerabilidade se dissipando, encontrando o ponto fraco daquela que vinha lhe ameaçando e utilizando a hipocrisia de sua chefe a seu favor.

Obviamente, ela sabe que tem um problema. Só nunca sentiu a necessidade de conviver sem ela. E numa das sequências mais bem montadas da temporada, ao som de Let Go, Let Go, Annalise deita-se em sua cama, analisando todas as escolhas que fez e tentando entender como um casamento considerado perfeito acabou numa tragédia sem precedentes que envolveu inclusive o assassinato de seu marido. A premeditação é algo que não existe em How to Get Away with Murder. Mas a protagonista sente que pode prevenir mais um acidente se começar a mudar. Por isso, desce até sua despensa e joga todas as garrafas fora.

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Mas purgar-se de sua fraqueza seria clichê demais. E clichês estão fora de questão nesta série. Annalise retorna ao primitivismo e cai na tentação de sentir o gosto do álcool descendo pela garganta, embebedando-se ao extremo. Momentos depois, liga para Nate, dizendo que ele definitivamente merece algo melhor e agora está livre de todo o sofrimento que ela o fazia sofrer.

E aí é que entra mais um arco: Wes aparece à bela casa de sua professora e a encontra completamente enlouquecida. Ele não parece embasbacado – apenas decepcionado e preocupado, pois a vê como um reflexo do futuro. Afinal, todos os Keating 5 passaram pelas mesmas experiências e as sequelas podem estar escondidas, mas em algum momento virão à tona. Presenciando tal cena, Wes decide deixar Maggie (e quem sabe não dará uma chance para Laurel?).

Quanto aos cartazes: o culpado finalmente é pego – com o roteiro resgatando o que funciona de melhor na série: a chantagem. Confesso que não fiquei surpreso com a revelação, mas é sempre bom ver um pouco de justiça sendo feita e Annalise mostrando-se mais uma vez superior àqueles que desejam o seu mal.

It’s About Frank tem um ótimo ritmo e uma excelente construção atmosférica. A trilha sonora – um compilado de rock suave – funciona muito bem com as contemplações interiores de cada personagem e com os momentos de epifania que perduram durante os quarenta e dois minutos. Apesar das deslizadas no começo deste novo ano, Shonda Rhimes e sua incrível equipe estão realizando um ótimo trabalho, principalmente no contraste normalidade x extremismo.

P.S.: mais um sobrevivente é anunciado – e detalhe: todos parecem estar muito surpresos com a gravidez de Laurel e alheios a quem está por debaixo do lençol. Será que as escolhas das personagens dividirão ainda mais a equipe? Ou será que eles desejavam a morte de um de seus “colegas”?

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Publicado por Thiago Nolla

Thiago Nolla faz um pouco de tudo: é ator, escritor, dançarino e faz audiovisual por ter uma paixão indescritível pela arte. É um inveterado fã de contos de fadas e histórias de suspense e tem como maiores inspirações a estética expressionista de Fritz Lang e a narrativa dinâmica de Aaron Sorkin. Um de seus maiores sonhos é interpretar o Gênio da Lâmpada de Aladdin no musical da Broadway.

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