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Crítica | Inumanos – 01×01: Behold… The Inhumans / 01×02 Those Who Would Destroy Us

Foi um caminho longo e polêmico até a estreia de Inumanos. Na carência pelo universo mutante que está em propriedade da Fox, em outubro de 2014 a Marvel Studios anuncia um filme inteiramente focado no universo dos super-humanos. Desde então, o estúdio vem a introduzir parte disso em sua série, Agents of S.H.I.E.l.D, tornando até mesmo um assunto muito relevante naquela série.

No entanto, em abril de 2016, o filme é retirado do calendário de lançamentos, tendo um futuro totalamente incerto. Um ano depois, a série é anunciada e sua produção é começada rapidamente. A promessa era uma revolução na forma de fazer tevê, utilizando câmeras IMAX proporcionando alta qualidade de efeitos especiais.

As primeiras imagens de divulgação vieram à tona, e a internet entra em polvorosa. Todos insatisfeitos com as caracterizações e precavidos quanto a qualidade de produção do show. E após longa espera, finalmente podemos dar nossas impressões sobre o resultado final… que infelizmente não é diferente do que esperávamos.

A trama de Inumanos se passa no reino de Attilan, Lua, uma comunidade de inumanos (seres modificados geneticamente) que procuram viver em harmonia e em paz, longe do perigo de seres-humanos na Terra. O lugar é governado por Raio Negro (Anson Mount), um rei atencioso e que procura ter atitudes prudentes. No entanto, estas qualidades fazem com que Maximus (Iwan Rheon) almeje o trono, rebelando-se então contra o irmão e toda a família real pelo qual faz parte.

Em seus primeiros minutos, o episódio inicial (que é dividido em duas partes, mas para evitar confusões trataremos de forma singular) é até eficiente em apresentar o núcleo principal. Compreendemos a relação de cada indivíduo e suas intenções. O elenco em parte é bem escalado, e os destaque aqui ficam para Anson Mount e Iwan Rheon. O primeiro, que não possui uma linha de diálogo, é até carismático em cena – utilizando muito bem suas feições para transmitir o que pensa. Enquanto Rheon, é difícil falar do ator sem mencionar sua marcante passagem por Game of Thrones. E não é à toa que foi escolhido para o papel de irmão do rei, já que Ramsay Bolton tem certas semelhanças com Maximus. Porém, a distinção dada pelo ator é eficaz: enquanto um é explosivo e psicótico, outro é calculista e mais calmo.

Quanto ao resto do elenco, Serinda Swan (Medusa) deixa a desejar. Em cenas dramáticas a atriz não convence, e não há uma boa química entre ela e Mount. Quanto ao resto do elenco, é difícil extrair qualquer comentário, dada as performances automáticas. Sonya Balmores (Auran) cumpre bem o papel badass de capanga do vilão; Ken Leung (Karnak) é o conselheiro do rei e aparenta uma mistura de sabedoria e comicidade; Eme Ikwuakor (Gorgon) é realmente o que satisfaz nesse último quesito, com um ar totalmente descontraído. Isabele Cornish (Crystal) é a adolescente esperta da equipe. Há também Ellen Woglom, como Louise, que não serve de muita coisa neste episódio, a não ser sua apresentação como uma possível ajudante para os inumanos.

Como disse, a introdução de núcleo é até eficaz. E isto se vai até os trinta minutos iniciais do episódio, quando há a esperada traição de Maximus. Após isso, o roteiro de Scott Buck simplesmente se perde com pouquíssimo conteúdo. Alguns personagens ficam perdidos, literalmente, e pouco fazem nos próximos quarenta minutos. Além de deixar a história totalmente fragmentada e desinteressante. Enquanto Triton é deixado de lado servindo apenas ferramenta para prender o público, mas sua aparição é tão abrupta que não nos faz ter importância alguma com ele.

Além disso, o pontapé inicial da série soa bastante forçado. Tudo parece ocorrer no momento certo, na hora mais conveniente possível, e de maneira fácil. Toda a cidade e seus cidadãos parecem aceitar as ações de Maximus, já que não há nenhuma contrapartida por parte. Tirando a família real, só existe um indivíduo que ponderou o antagonista, e é facilmente resolvido. Há também uma variedade de plot holes, questões inexplicadas, que exigem do espectador certa suspensão de descrença. Não que haja necessidade de exposição, mas determinados pontos devem fazer sentido.

Nos aspectos técnicos, Inumanos deixa muito mais a desejar ainda. Logo na primeira cena, o resgate de Triton a direção de Roel Reiné utilizada curtos slow motions desnecessariamente, uma tentativa falha de conferir estilo e exaltar o uso de câmeras IMAX. As cenas de ação, em geral, são pífias. Além de sofrerem com uma decupagem totalmente automática, são extremamente mal ensaiadas. A maioria dos atores não convencem neste ponto, principalmente Ken Leung como Karnak. Parece ficar explícito o trabalho às pressas da produção, neste episódio.

Já a fotografia, esta é totalmente sem inspiração, mantendo-se neutra sem apostar em cores mais fortes. É totalmente decepcionante conferir isso, justamente quando no mesmo ano temos Guardiões da Galáxia Vol.2, que é o filme mais visualmente bonito do estúdio. E lembremos da tal “revolução na tevê”. As câmeras IMAX em nada contribuem neste quesito, na verdade, pioram. A ambientação é pobre e mal concebida. A maioria dos cenários em Attilan parecem ser os mesmos, não há nenhuma profusão de detalhes em cada local. Tudo muito unidimensional. E os figurinos, são dignos de cosplays – dado o que foi visto aqui, talvez seria pior caso fossem fiéis aos uniformes originais, então não lamento as mudanças. Talvez se a série fosse realizada há vinte anos atrás, o resultado fosse mais aceitável e menos caricato.

Os efeitos especiais também não satisfazem em sua maioria. São esforçados, claramente, mas não convencem. Os polêmicos cabelos de Medusa são os mesmos que vimos nos trailers, totalmente artificiais. Os poderes de Kartak são os mais interessantes de se ver visualmente, já que não são muito complexos. Enquanto Dentinho, o animal de estimação da família real, é realmente carismático, mas sua presença em cena é destoante com o espaço a sua volta.

A trilha sonora é bastante intrusiva, apesar de muito bem inspirada – versões cover de Paint It Black, dos Rolling Stones, e Break On Through (To the Other Side), do The Doors, são os maiores destaques. Um simples jantar da família real, e ela está lá. Alguns outros diálogos poderiam ser mais impactantes caso houvesse um uso melhor de silêncio. Este é um vício muito grande da ABC, que comete o mesmo erro em Agents of S.H.I.E.L.D.

O piloto de Inumanos não é muito satisfatório. A produção é ponto mais grave da série, que demonstra carecer de recursos, e a história é ainda mal trabalhada, mas é preciso ver o desenrolar da temporada para notar sinais de melhora.

Por ora, pode-se dizer facilmente que é um dos maiores erros deste universo cinematográfico da Marvel.

Inumanos – 01×01: Behold… The Inhumans / 01×02: Those Who Would Destroy Us (Inhumans, 2017 – EUA)

Showrunner: Scott Buck
Direção: Roel Reiné
Roteiro: Scott Buck
Elenco: Anson Mount, Serinda Swan, Ken Leung, Eme Ikwuakor, Isabelle Cornish, Ellen Woglom, Iwan Rheon
Emissora: ABC, Marvel Television
Gênero: Ação, ficção científica, super-heróis, aventura
Duração: 42 minutos

Escrito por Kevin Castro

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Publicado por Cemitério Bastidores

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