Após um morno début na semana passada, era apenas natural que Gary Dauberman e Mark Verheiden investissem em peso na atmosfera de suspense e drama que Monstro do Pântano exige. Afinal, o personagem do panteão DC é, como mencionado no texto anterior, um dos personagens mais míticos e místicos do universo super-heroico – ainda mais por trazer consigo um gigantesco sentimento de nostalgia. E, bom, em Worlds Apart, a mitologia concentrada na intrigante cidadezinha da Louisiana ganha um novo capítulo que não foca apenas nas personas humanas, mas aproveita para fornecer uma complexidade interessante para a criatura-título que acabou de ganhar vida.

O segundo episódio ganha força pelas múltiplas revelações que auxiliam no dinamismo da obra. Avery Sunderland (Will Patton), magnata da pacata e obscura Marais, é na verdade o principal financiador de um composto acelerador de crescimento que tem como objetivo aumentar os lucros de diversas empresas de cosméticos, drogas e afins. Porém, ele mesmo percebe que as coisas estão saindo do controle, contaminando os civis e espalhando um reino de caos inspecionado pela companhia conhecida como CCD (Centro de Controle de Doenças). Mas não pense que Avery tem algum respaldo benévolo: ele apenas deseja consertar esse pequeno contratempo para se ajudar e impedir que seu nome seja alvo dos mais inescrupulosos processos – algo irônico, visto que ele mesmo não pensaria duas vezes antes de se beneficiar.

Investigando as mentiras que se escondem nas profundezas do pântano, temos Abby Arcane (Crystal Reed), doutora em epidemiologia que envolve-se em um arco narrativo muito mais mortal do que poderia imaginar. Afinal, seu colega Alec Holland (Andy Bean) foi assassinado em meio a estudos para compreender o que realmente é esse vírus e deixou para trás um laboratório recheado de pistas que poderiam auxiliá-la. Mas adivinhem? Avery, que havia contratado Alec, é o único que poderia lhe fornecer acesso aos arquivos e recusou da forma mais condescendente possível, aproveitando a longa história que tem com Abby para deixá-la totalmente desarmada.

É nesse meio-tempo que percebemos que a relação entre a família Sunderland e a doutora encontra um obstáculo perigoso: Abby aparentemente foi responsável pela morte de Shawna (Given Sharp), filha de Avery e Maria (Virginia Madsen), e fugiu da cidade para se esquecer do que aconteceu – até que circunstâncias inexplicáveis e colocaram de volta em Marais e reacenderam rancores de décadas atrás. É claro que ainda não sabemos de todo o passado, visto que fomos apresentados a pequenos flashes que ofereceram breves explicações; o roteiro, entretanto, assinado por Dauberman e Verheiden, não se estende muitos nesses assuntos como forma de mitigar os clímaces para futuros episódios.

É aqui que temos mais uma camada das explorações sobrenaturais da série, materializada na personagem Madame Xanadu (Jeryl Prescott), uma vidente e cartomante que tenta ao máximo auxiliar Maria em seus traumas e restaurar o equilíbrio entre o bem e o mal do pântano. Sua rápida aparição pode não ter sido bem aproveitada, mas contribui para a cultivação da tensa atmosfera do show e oferece algumas previsões arrepiantes que, sem sombra de dúvida, serão exploradas nas próximas semanas. Eventualmente, Maria a chama de Nimue – nos dando outra referências clássica das narrativas do Rei Arthur que sempre tiveram expressividade presença no panteão DC.

A trama é, de fato, o que nos rouba a atenção, culminando em uma possível aproximação entre a criatura e Abby, que compreende que o monstro, na verdade, é seu suposto falecido parceiro. Len Wiseman, que retorna para a cadeira de direção, faz um bom uso de suas habilidades, mas não atira muito longe dos convencionalismos. A melancólica paleta de cores azulada é utilizada em excesso e torna-se redundante quando aliada à divisão bastante clara entre os dois cenários principais – a cidade e o pântano. Em outras palavras, os elementos estéticos que funcionaram na semana passada se tornam saturados, principalmente pelo uso da densa névoa nas sequências de maior ação.

O tom novelesco, entretanto, nunca fala mais alto: as viradas da iteração são surpreendentes e nos arrancam as reações que prometem. Os showrunners não pensam duas vezes em sacrificar seus personagens em prol de aumentar o mistério e unir cada uma das figuras em laços inquebráveis – um deles, Matt Cable (Henderson Wade), até mesmo cita uma ambígua frase, dizendo que os habitantes de Marais não conseguem fugir da cidade e, mesmo que tentem, são atraídos de volta. O singelo comentário nos dá a entender que ainda há muito a acontecer – e Abby é o principal gatilho de tudo isso.

Monstro do Pântano encontra um considerável terreno fértil para sua nova iteração e, mesmo com os perceptíveis deslizes, entrega uma satisfatória e envolvente história. Entretanto, é um fato dizer que Dauberman e Verheiden não conseguiram usar de todo o potencial das incríveis personas desse universo – e esperamos que a série permaneça nesse crescendo exponencial até atingir o ápice que vem nos prometendo.

Monstro do Pântano  – 01×02: Worlds Apart (Swamp Thing, 2019 – EUA)

Criado por: Mark Verheiden, Gary Dauberman
Direção: Len Wiseman
Roteiro: Mark Verheiden, Gary Dauberman, baseado nos personagens de Len Wein e Bernie Wrightson
Elenco: Andy Bean, Derek Mears, Crystal Reed, Maria Sten, Jeryl Prescott, Virginia Madsen, Will Patton, Henderson Wade, Kevin Durand
Emissora: DC Universe
Gênero: Drama, Fantasia
Duração: 52 minutos

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