em , ,

Crítica | Monstro do Pântano – 01×06: The Price You Pay

Ainda que os filmes da DC não façam um enorme sucesso entre a crítica especializada e até mesmo entre o público, é inegável dizer que sua estética única é o que nos chama mais a atenção. Em meio a tantas produções formulaicas do gênero de super-heróis que sempre nos trazem a mesma história, é interessante perceber como cada uma de suas obras difere da outra e procura entregar algo novo em meio a uma constante industrialização do entretenimento hollywoodiano. E o mesmo pode ser dito desse panteão fantasioso na televisão.

A DC Universe, que teve início com o lançamento da aclamada Titãs, provou que ainda há muito a se contar. A série ganhou notoriedade por seu diálogo intrínseco com os quadrinhos originais e pela ambiência noir e sobrenatural; pouco depois, Patrulha do Destino insurgia como forma de quebrar as narrativas desse suis-generis, ganhando apreço generalizado pela irreverência e pela rebeldia cênicas; e então, em 2019, nos vemos face a face com uma reformulação dos clássicos contos de terror com Monstro do Pântano, que prometia anuir, de novo, uma perspectiva diferente de tudo o que já vimos até hoje.

Num escopo geral, a série de Mark Verheiden e Gary Dauberman alcançou um sucesso considerável ao unir em um mesmo cenário diversas investidas em competentes e chocantes arcos que oscilam do drama ao horror em um estalar de dedos. Em certo momento, a progressiva storyline abriu um espaço considerável para fillers desnecessários que não contribuíram em nada à trama principal, e sim serviram apenas para passar o tempo e se postar numa mesma esfera que as excessivas e extenuantes tragédias televisivas como soap operas, dramas médicos e tours-de-force sem pé nem cabeça. Felizmente, os criadores recuperaram o incrível ritmo e, desde então, vêm construindo os diversos eventos da obscura Marais com dinamismo e cautela.

O sexto episódio prenuncia o fim da saga da criatura-título e dos podres habitantes da pequena cidade. Alec (Andy Bean) passa a enfrentar caçadores de recompensas contratados por Avery (Will Patton), que quer encontrar o ainda indefinível monstro que se esconde nas águas geladas do pântano e levá-lo para uma cuidadosa inspeção científica; entretanto, o inescrupuloso prefeito não contava com a poderosa presença de Alec e percebe que as coisas são bem mais complicadas do que esperava – e isso pode colocar em xeque sua já abalada reputação. Pela primeira vez, o show consegue fazer um uso interessante das sequências de ação, mas, como fica claro ao longo dos quase quarente e cinco minutos de duração, perde força quando tenta hibridizá-lo a uma linha narrativa realmente envolvente.

Não é surpresa, pois, que a composição estrutural do capítulo atinja o extremo do convencional e, mesmo que funcione, não explora por completo seu potencial. A nova subtrama, que vem sido cultivada desde a semana anterior, consegue até nos arrancar alguns suspiros de surpresa ao introduzir o que parece ser o principal antagonista, além de se valer de algumas problemáticas cotidianas que sempre permearam a identidade visual e técnica da produção – incluindo metáforas antiéticas que envolvem Avery e seu “assecla”, o Dr. Woodrue (Kevin Durand), cujo pensamento é essencialmente mercenário. E, nesse meio tempo, outros coadjuvantes também ganham maior protagonismo e começam a sair de um patamar de pura subserviência.

Daniel (Ian Ziering) e Madame Xanadu (Jeryl Prescott) são duas das personas cuja momentânea presença já deu um passo a mais em direção aos holofotes e agora fazem parte de um orbe interessante e com latente visceralidade – que, se for explorada nos próximos episódios, deve ser meticulosamente arquitetada para se dispor em poucas semanas até o season finale. Abby (Crystal Reed), por sua vez, parece ter perdido ou então recuado de sua posição-chave no desenvolvimento do sobrenatural, restringindo-se a uma relação cansativa com a criatura e lutando, às escondidas e a curtíssimos passos, para salvá-lo de um destino terrível.

O episódio é aprazível, disso não temos dúvidas: entretanto, os principais elementos aos quais deveríamos prestar um pouco mais de atenção são facilmente esquecidos; temos, por exemplo, o pertinente e constante conflito entre ciência e magia que agora levará Alec para novas descobertas, podendo até mesmo transformá-lo para sempre numa figura movida pelo desejo de vingança e ambientalista. Porém, os fragmentados arcos contribuem para que o pano de fundo em questão seja ofuscado – não que isso seja um problema. Afinal, Verheiden e Dauberman podem ter planos para um futuro bastante próximo e reverter esses mínimos deslizes que, quando em justaposição, se podem se tornar uma bola de neve.

Monstro do Pântano recua em sua storyline, mas ainda entrega um episódio acima da média. É visível a mudança identitária entre o início do ano e agora; entretanto, as coisas ainda não se perderam por completo e ainda mantêm a belíssima habilidade narrativa do DC Universe. Mesmo assim, não podemos negar que o gostinho agridoce de “queremos mais” permanece na boca e pode correr o risco de se tornar expressivo demais conforme se aproxima do final.

Monstro do Pântano  – 01×06: The Price You Pay (Swamp Thing, 2019 – EUA)

Criado por: Mark Verheiden, Gary Dauberman
Direção: Toa Fraser
Roteiro: Mark Verheiden, Gary Dauberman, baseado nos personagens de Len Wein e Bernie Wrightson
Elenco: Andy Bean, Derek Mears, Crystal Reed, Maria Sten, Jeryl Prescott, Virginia Madsen, Will Patton, Henderson Wade, Kevin Durand
Emissora: DC Universe
Gênero: Drama, Fantasia
Duração: 42 minutos

O que você achou desta publicação?

Avatar

Publicado por Thiago Nolla

Thiago Nolla faz um pouco de tudo: é ator, escritor, dançarino e faz audiovisual por ter uma paixão indescritível pela arte. É um inveterado fã de contos de fadas e histórias de suspense e tem como maiores inspirações a estética expressionista de Fritz Lang e a narrativa dinâmica de Aaron Sorkin. Um de seus maiores sonhos é interpretar o Gênio da Lâmpada de Aladdin no musical da Broadway.

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Loading…

0

Comente!

O Homem Invisível | Oliver Jackson-Cohen é escalado como o personagem titulo

X-Men | Olivia Munn ficou desapontada com filme da saga