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Crítica | Monstro do Pântano – 01×09: The Anatomy Lesson

Se Monstro do Pântano prometia se consagrar como uma das melhores séries da DC Universe, então vem falhando completamente nas últimas semanas. Afinal, já faz algum tempo que a série criada por Mark Verheiden e Gary Dauberman está se rendendo a fórmulas tão baratas do storytelling televisivo que não se assemelha nem um pouco aos primeiros episódios. Aqui, a icônica jornada do personagem titular mais parece uma cópia das melodramáticas soap operas norte-americanas do que realmente uma obra seriada que é responsável por trazer à vida uma das figuras mais misteriosas e temidas do incrível panteão super-heroico.

Desde o princípio, a temporada de estreia da série buscava entregar uma história de origem sem perder a mão de algumas interessantes subtramas que, obviamente, também apareceram até agora. Se analisarmos de modo cronológico o arco principal da narrativa, perceberemos que tudo segue conforme um unidimensional arco que deu vida à criatura pantanosa, a uniu juntamente com a protagonista humana Abby Arcane (Crystal Reed) e atraiu a atenção tanto de aliados quanto de antagonistas mercenários cegos pela ambição – encarnados por Avery Sunderland (Will Patton) e Jason Woodrue (Kevin Durand). Apesar da lógica extremamente óbvia, a construção da primeira iteração se fundava com minúcia numa praticidade cênica que abriria portas para um futuro promissor; entretanto, quanto mais nos aproximamos do season finale, mais percebemos o motivo dos executivos da Warner Television terem encerrado tão cedo essa épica aventura.

Como visto nos capítulos anteriores, o conturbado e perigoso relacionamento entre Abby e Alec (Andy Bean) passou por diversos problemas e quase tirou a vida da doutora. Agora, as coisas ganharam uma dimensão mais mortal e complexa na qual os habitantes da sombria Marais começaram a ter ciência da existência de uma figura inexplicavelmente sobrenatural que habita as águas do pântano. Não é surpresa que Woodrue tenha canalizado esforços ao lado de seu empregador e capturado sua presa para levá-lo a estudos sobre sua incrível capacidade regenerativa. O problema é que, numa perspectiva geral, nenhuma das novas investidas na direção e no roteiro são suficientemente bem empregadas para nos comover; na verdade, cada um dos blocos se move com pressa excessiva, sem se atentar às falhas que se fundem em uma bola de neve irrefreável.

Por um lado, temos a bizarra sequência em que Woodrue examina Alec e descobre que ele, na verdade, não é a simbiose de duas espécies diferentes, mas sim a extensão de uma: ao que tudo indica (e que é confirmado nos últimos segundos do episódio), o corpo de Holland permanece no fundo do pântano, enquanto os componentes naturais daquele território construíram um receptáculo ambulante e pensante que apenas vive na ilusão de ser um humano, ou seja, uma versão “atualizada” do falecido pesquisador. De outro lado, Abby e Liz (Maria Sten) partem numa missão para resgatar Alec e desmascarar os verdadeiros objetivos de Avery e sua corja de patrocinadores e investidores – coisa que, eventualmente não funciona.

Nem mesmo os esforços de Verheiden e Dauberman são notáveis aqui; pelo contrário, a construção narrativa auxiliada por Noah Griffith serve como redundante espelho para a superficial condução diretorial de Michael Goi, que nos surpreende em uma infelicidade de escolhas estéticas que não condizem com sua extensa filmografia (ele é o principal diretor de fotografia da aclamada antologia American Horror Story). Cada um dos frames poderia ser tirado de um drama meia-boca qualquer: nem mesmo o jogo de campo-contracampo é crível o suficiente para nos aglutinar dentro daquele universo. O resultado incoerente é rechaçável o bastante para que encaremos esse capítulo como algo solto que não condiz nem mesmo com a identidade imagética que nos foi apresentada anteriormente.

As tramas de apoio também perdem força e deixam um gostinho agridoce de incompletude. Para aqueles que não se recordam, as duas semanas anteriores foram responsáveis por criar um dos parcos momentos em que a série retornava à ambiência de tensão e suspense com uma reviravolta aplaudível envolvendo Avery, Maria (Virginia Madsen) e Lucilia (Jennifer Beals). Aqui, a diabólica e deliciosa atmosfera é praticamente jogada no lixo em prol de conclusões desnecessárias e apressadas que abafam, por ora, a falta de vontade provinda da equipe criativa em arquitetar relações de causa e consequência que realmente carreguem uma preocupação artística consigo.

Nem mesmo as atuações, outrora hábeis e catárticas, se salvam de tantos erros. Patton e Madsen, que já haviam perdido a química algum tempo atrás, mas funcionavam em suas devidas esferas, se entregam a canastrices tão artificiais que chega a ser difícil acompanhá-los durante muito tempo; a articulação excessiva de Durand beira o risível; e Sten se posta em uma triste inexpressividade que não conversa com a personalidade de sua personagem. Os únicos a conseguirem ir um pouco além – e isso não significa algo a ser relembrado – são Reed e Bean (e isso apenas com a chegada do terceiro ato).

Monstro do Pântano caminha para seu season finale com o pé esquerdo e não cultiva expectativas o suficiente para que acompanhemos o final repentino da saga de Alec Holland e Abby Arcane. Não sabemos o que esperar do último episódio – e nem mesmo se os showrunners serão capazes de amarrar todas as pontas soltas sem divagações ocasionais e sem resoluções sem nexo.

Monstro do Pântano  – 01×09: The Anatomy Lesson (Swamp Thing, 2019 – EUA)

Criado por: Mark Verheiden, Gary Dauberman
Direção: Michael Goi
Roteiro: Mark Verheiden, Gary Dauberman, Noah Griffith baseado nos personagens de Len Wein e Bernie Wrightson
Elenco: Andy Bean, Derek Mears, Crystal Reed, Maria Sten, Jeryl Prescott, Virginia Madsen, Will Patton, Henderson Wade, Kevin Durand
Emissora: DC Universe
Gênero: Drama, Fantasia
Duração: 45 minutos

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Publicado por Thiago Nolla

Thiago Nolla faz um pouco de tudo: é ator, escritor, dançarino e faz audiovisual por ter uma paixão indescritível pela arte. É um inveterado fã de contos de fadas e histórias de suspense e tem como maiores inspirações a estética expressionista de Fritz Lang e a narrativa dinâmica de Aaron Sorkin. Um de seus maiores sonhos é interpretar o Gênio da Lâmpada de Aladdin no musical da Broadway.

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