O último episódio de Monstro do Pântano está aqui – e, apesar da inconsistente temporada que nos foi apresentada nesses quase três meses de duração, o season finale fez um trabalho suficientemente palpável dentro de suas limitações para que déssemos adeus a uma das criaturas mais sombrias do panteão DC. Mesmo assim, a iteração insurge em uma atmosfera agridoce que falhou em diversos aspectos (com ênfase nas semanas que antecederam a conclusão) e se apressa em diversos arcos para tentar arrancar de uma audiência exaurida de dramas novelescos ao menos uma centelha de envolvimento e credibilidade. E, enquanto corre para criar resoluções ocasionais, prepara o terreno para uma próxima temporada que nunca vai acontecer (a não ser que a Warner Television mude de ideia).

A criatura-título, que descobrimos no chocante cliffhanger da semana passada não ser Alec Holland (Andy Bean), conseguiu escapar de sua prisão laboratorial e retornou para o pântano ao lado de Abby (Crystal Reed) apenas para ser caçado novamente por homens mercenários a mando do misterioso (e desnecessário em todos os aspectos) Nathan Ellery (Michael Beach) que, apesar dos esforços mais puros da equipe criativa do seriado, permanece em uma nuvem de incompreensão não explorada da forma necessária. Agora, cabe ao monstro lutar pela sua vida e decidir se irá se perder nas profundezas do pântano ou se retornará para Abby em uma nova missão: proteger Marais da podre escuridão que se ergue nas águas escuras daquele lugar.

De outro lado, as múltiplas subtramas apresentadas ao longo desses dez capítulos também vão caminhando para seu fim: Avery (Will Patton), após perceber que todos os que o apoiavam deixaram-no de lado, sofre com as consequências de sua ambição desmedida e recorre a uma última tentativa para recuperar as glórias já perdidas. Logo, ele visita Matt (Henderson Wade) no hospital após o trágico acidente de carro, mas se depara com Lucilia (Jennifer Beals) e faz de tudo para ganhar sua confiança, prometendo um novo início cujo tiro sai pela culatra.

É aqui que o roteiro assinado mais uma vez por Mark Verheiden e Gary Dauberman dá um respiro de pura surpresa ao colocar Lucilia em uma inesperada ruína. Apesar das nuances estéticas serem gritantes e fugirem da sutileza televisiva esperada, os dois arquitetam, ao lado do diretor Deran Sarafian, uma pequena peça de terror que utiliza múltiplas referências clássicas para caminharem à catarse cênica. Entretanto, esse mesmo brilho não é utilizado em outros momentos, insurgindo como algo pontual: em um escopo estendido, porém ambientado em um outro microcosmos, Maria (Virginia Madsen) rende-se aos suspiros finais de sua sanidade e se mostra pronta para abandonar o mundo terreno e se juntar à sua filha; sua finalização, todavia, é risível em praticamente todas as perspectivas, e nem mesmo a atuação outrora competente de Madsen salva a personagem de um farewell significativo ou memorável.

Ainda que repare certos deslizes dos episódios anteriores, a série continua a menosprezar seus personagens e a colocá-los em arcos porcamente construídos e cuja estrutura nem mesmo alcança a complexidade desejada. Madame Xanadu (Jeryl Prescott), por exemplo, aparece em um momento de desespero de Maria e ainda se confina a uma bolha coadjuvante, uma caixinha de vidro que a rotula como superficial base dos protagonistas – jogando fora promessas interessantes que nos foram feitas no piloto. Daniel (Ian Zering), entendendo quem realmente é, teve um salto protagonista na semana anterior apenas para jogar tudo fora e nos obrigar a esquecer um suposto antagonista cuja personalidade é tão perigosa quanto a de uma borboleta.

Nem mesmo as sequências de ação são pensadas com esmero; claro, a arte expressionista e noir ganha uma voz interessante quando migramos para o pântano novamente, até mesmo se respaldando nos longas oitentistas sci-fi como ‘Predador’ ou ‘Alien – O Oitavo Passageiro’. Mas a condução de tais cenas é mínima, valendo-se de diálogos prontos e previsíveis por absolutamente qualquer um que tenha tido breve contato com os filmes supracitados. O jogo invertido de “caça e caçador” é datado ao extremo e, em meio à chuva, à floresta escura e aos esporádicos raios que iluminam o cenário, o monstro poderia ter feito algo melhor e mais amedrontador – principalmente considerando a mensagem que queria passar para todos os outros habitantes de Marais e àqueles que tentavam capturá-lo.

O season finale de Monstro do Pântano pode ser considerado bom quando comparado com o restante dos capítulos, exceto por raros momentos. Todavia, passa longe de conseguir nos comover com a força prometida ou se aventurando dentro de um imensurável potencial. Não me admira que a série tenha sido cancelado: faz-se necessário uma repaginação da obra de modo urgente – e tal urgência se torna prioridade quando percebemos que as duas metades da série simplesmente não conversam entre si em momento algum.

Monstro do Pântano  – 01×10: Loose Ends (Swamp Thing, 2019 – EUA)

Criado por: Mark Verheiden, Gary Dauberman
Direção: Deran Sarafian
Roteiro: Mark Verheiden, Gary Dauberman baseado nos personagens de Len Wein e Bernie Wrightson
Elenco: Andy Bean, Derek Mears, Crystal Reed, Maria Sten, Jeryl Prescott, Virginia Madsen, Will Patton, Henderson Wade, Kevin Durand
Emissora: DC Universe
Gênero: Drama, Fantasia
Duração: 53 minutos

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