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Crítica | Once Upon a Time – 6×08: I’ll Be Your Mirror

nota-3

Once Upon a Time aposta cada vez mais em explorar todos os aspetos da clássica história da Branca de Neve e nessa última semana tivemos direito a uma pequena visita ao mundo por detrás do famoso espelho mágico no novo episódio intitulado I’ll Be Your Mirror.

Snow (Ginnifer Goodwin) e David (Josh Dallas) continuam sob efeito da maldição da Rainha Má (Lana Parrilla), uma leve transgressão do feitiço do sono que pode ser quebrado, mas impede que ambas as partes envolvidas neste cenário mantenham-se acordadas ao mesmo tempo. Talvez essa decisão por parte dos criadores Edward Kitsis e Adam Horowitz se concretize como uma das mais inesperadas de toda a série: afinal, como bem lembramos, durante a quarta e a quinta temporadas, as maldições tornaram-se gradativamente partes de arcos mal resolvidos e soluções nem um pouco verossímeis para um mundo onde o impossível corre solto. O simples fato de eles abaixarem a cabeça e aceitarem um destino irrefreável torna as coisas muito mais interessantes, e realmente devo falar do modo com o casal protagonista lida com isso é fantástico: eles sabem que vão superar isso, mas não quando. Desse modo, vão trocando de lugar, deixando bilhetes um para o outro, pistas no melhor estilo de “como foi seu dia?” e “o que você quer para o jantar?”, tudo permeado por uma perfeita canção indie. Tudo isso é o melhor que podem fazer, e nós acreditamos piamente.

Regina (Parrilla), que sente que a culpa é sua de tal maldição ter acontecido, faz sua a missão de destruir seu alter-ego maligno de uma vez por todas. O novo plano? Prendê-la no mundo por trás do espelho mágico – já que, como sabemos, se uma das partes morre, a outra tem direito ao mesmo desfecho. Entretanto, parece que ela e Emma (Jennifer Morrison) estão numa maré de azar gigantesca. Acontece que a Rainha Má, por ser parte da mesma personalidade de Regina, pensa do mesmo modo – e é capaz de antecipar jogadas futuras de forma indescritível. Dado isso, não é preciso pensar muito para descobrir o que acontece: a Rainha as prende neste mundo às avessas (uma alusão não tão bem explorada à obra Alice Através do Espelho), uma terra inóspita e deserta habitada por cópias de todos os espelhos de Storybrooke – e uma aparição inesperada do Dragão (Tzi Ma), cujo fim todos pensávamos ter encontrada na última season finale, An Untold Story (5×23).

Enquanto isso, a Rainha põe de lado as suas roupas exorbitantes e disfarça-se de Regina, de modo a enganar os heróis e dizer que está tudo resolvido. Pergunto-me como é que só agora uma delas é que se lembrou deste truque. Elas são iguais, portanto fingir ser a outra metade seria uma sacada inteligente e seu uso poderia ter sido feito muito mais cedo que o esperado.

Henry (Jared S. Gilmore), contudo, está cada vez mais crescido e perspicaz, e rapidamente percebe a mentira. Num dos seus encontros românticos com Violet (Olivia Steele Falconer), que esteve relativamente desaparecida nos últimos episódios, o jovem engana a Rainha e dirige-se ao seu cofre, de modo a tentar comunicar com as suas duas mães e salvá-las. A maioria das pessoas apenas tem direito a uma mãe e Henry tem agora três! (Realmente, a árvore genealógica desta série é muito confusa.)

Apesar do ótimo ritmo e da capacidade de retomar elementos da própria série e seguir a linha narrativa do último episódio, tenho alguns pontos negativos a dizer aqui: sabemos que um dos grandes deslizes de Once Upon a Time é a utilização de arcos narrativos supérfluos que entram como “tapadores de buracos”. E em I’ll Be Your Mirror, a volta do Dragão não se deu de forma diferente. Aliás, não compreendi até agora qual foi seu objetivo neste episódio, visto que, ao final de seus quarenta e dois minutos, o personagem simplesmente desaparece. Não sabemos se ele morreu, se ele ainda está preso no mundo atrás do espelho ou se ele está à solta em Storybrooke. Outro desses pontos foi a resolução do arco de Henry: tudo bem, entendemos que a Rainha Má fará de tudo para que seu “filho” se una ao lado obscuro da força, não porque o ama, mas sim porque pode usá-lo para conseguir seus objetivos. E aqui esse movimento se canaliza na utilização de um objeto chamado Martelo de Hefesto, o qual – surpresa (só que não) – estava escondido na loja de penhores de Rumplestiltskin (Robert Carlyle) e tem o poder de criar magia!

Bem, não criar exatamente, mas fazer com que pré-disposições de um indivíduo aparentemente normal alcancem sua potencialidade total e desenvolvam capacidades mágicas. Confesso que estava muito animado de ver o garoto desenvolver alguns poderes e imaginei que isto seria tema de futuros capítulos. Mas, como tudo que é bom dura pouco, o arco finaliza-se ali mesmo, do mesmo modo que episódios predecessores, no qual a família parece ser a força de tudo e os clichês que conhecemos.

Entretanto, a volta de dois rostos familiares trouxe peso para o elenco e conseguiu amarrar algumas pontas. Aladdin (Deniz Akdeniz) e Jasmine (Karen David) ainda não deram tudo de si na série e parecem continuar procurando pelo reino perdido de Agrabah, outrora de sua posse. Não sabemos o que realmente aconteceu e isso nos instiga a ver episódios futuros. Aqui, eles devem roubar a varinha mágica da loja de Rumple para que Zelena (Rebecca Mader) e Belle (Emilie de Ravin) possam frear as imposições autoritárias e os jogos psicológicos deste ser puramente maligno. São muitas subtramas, confesso, mas essa é uma das poucas que consegue se amarrar completamente e inclusive fazer alusão a momentos em um passado remoto, como o caso de amor nunca concretizado entre o Senhor das Trevas e a Bruxa Má do Oeste.

As sequências atrás do espelho também deixam margem para possibilidades infinitas: afinal, sabemos que Sidney Glass (Giancarlo Esposito) estava preso neste mundo antes de desaparecer misteriosamente e, na Floresta Encantada, representava o arquétipo do bisbilhoteiro e do sabe-tudo ao encarnar tanto o Gênio da Lâmpada quanto o Espelho Mágico – uma das melhores narrativas da série inteira. Será que veremos tal personagem novamente no passado desconhecido de Aladdin e Jasmine? Não tenho certeza, mas essa jogada seria muito interessante e aumentaria ainda mais as expectativas para o midseason finale.

I’ll Be Your Mirror mostrou-se como um episódio mediano. Muitos deslizes foram cometidos, e o time de Once parece não perceber que caem diversas vezes no mesmo erro. Entretanto, algumas cenas se mostraram tão bem articuladas que não posso negar sua contribuição positiva. Agora, resta-nos esperar os próximos capítulos.

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Publicado por Thiago Nolla

Thiago Nolla faz um pouco de tudo: é ator, escritor, dançarino e faz audiovisual por ter uma paixão indescritível pela arte. É um inveterado fã de contos de fadas e histórias de suspense e tem como maiores inspirações a estética expressionista de Fritz Lang e a narrativa dinâmica de Aaron Sorkin. Um de seus maiores sonhos é interpretar o Gênio da Lâmpada de Aladdin no musical da Broadway.

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