» Siga o Bastidores no Facebook , Instagram e no Twitter para saber todas as notícias sobre cinema «

O time de zeros à esquerda conhecido como Patrulha do Destino não é como as equipes de super-heróis a que estamos acostumados. Diferente dos membros da Liga da Justiça, por exemplo, essas meta-humanos não são nem um pouco aceitos pela conservadora e reacionária sociedade em que vivem, e resolveram se exilar em uma gigantesca mansão, escondendo seus poderes e tentando viver do modo mais normal possível, por vezes renegando a própria natureza e encarnando as mais metódicas personalidades possíveis. Entretanto, com a chegada do terceiro episódios, nossos enclausurados heróis saíram de seu esconderijo e partiram numa breve jornada em busca de seu líder, Niles Caulder (Timothy Dalton), que desapareceu há algum tempo nas mãos do temido Sr. Ninguém (Alan Tudyk).

Patrulha do Destino resolveu abandonar a sua excentricidade proposital para nos entregar a algo mais dramático e mais profundo que os capítulos anteriores. É claro que essa jogada poderia muito bem representar a ruína da série, visto que o que a torna única é justamente sua bizarrice. Entretanto, a diretora Rachel Talalay, em conjunto com a dupla de roteiristas formada por Tamara Becher e Tom Farrell não apenas mudou o nome do jogo, mas fez um ótimo uso de estética principal do show sem abusar além do que aguentaríamos. Em Puppet Patrol, nome do terceiro episódio, mergulhamos em problemas existenciais e crises identitárias que, sem dúvida alguma, serão explorados nas tramas futuras.

Seguindo um caminho semelhante ao das investidas anteriores, os protagonistas adentram mais uma jornada de autodescobrimento em busca de Niles – e, também se aproximando daquilo a que já assistimos, a narrativa se volta para um personagem em específico. No caso, o Homem-Negativo, anteriormente conhecido como Larry Trainor (Matt Bomer) é quem ganha os holofotes, principalmente quando conhecemos um pouco mais sobre seu passado. Entretanto, a discriminação de sua backstory só ganha força descomunal quando a Patrulha encontra uma pista do paradeiro do Chefe e segue para o Paraguai em uma road-trip nada convencional e que beira o ridículo – apesar de ser extremamente hilário.

A equipe é liderada por Cyborg (Joivan Wade), que tenta se provar digno de comandar alguma coisa após se sentir culpado pela trágica morte da mãe – ao mesmo tempo em que tenta resolver tudo por conta própria e acaba falhando tanto como amigo quanto líder. Eventualmente, Jane (Diane Guerrero) invoca uma de suas personalidades e, acompanhada por Cliff (Brendan Fraser) e Larry para o longínquo país para encontrar o membro da família que se perdeu nas mãos de um poderoso arqui-inimigo – e já aqui, todos os personagens começam a brincar com a metalinguagem e a criticar aos convencionalismos maniqueístas de outras obras do gênero (e de forma brilhante).

O trio em questão cruza caminhos com o maligno cientista nazista Strumbahnfuhrer Von Fuchs (Julian Richings) – aquele do capítulo piloto -, que abriu uma base para seus experimentos desumanos em que mistura diversos genes em uma composição única para transformar seres normais em criaturas poderosíssimas. Para aqueles que não se recordam, Von Fuchs foi o responsável por desconstruir literalmente o simplório Eric Morden no mortal Sr. Ninguém – mas aqui, já temos uma das primeiras viradas da série, orquestrada de modo irretocável. É nesse momento em que a estranheza estética retorna com força, mais precisamente na cena em que Jane, Cliff e Larry assistem a um insuportável teatro de fantoches que revela que Niles não é tão benévolo quanto aparenta.

Richings e Bomer roubam a cena e ganham uma profundidade avassaladora. Enquanto nos mostra uma grande vulnerabilidade ao se recordar de um conturbado passado – que inclui um sacrifício emocionante em relação àqueles que amava -, aquele encarna de forma bastante teatral um vilão nostálgico, que busca referências das séries dos anos 1950 e 1960 e até mesmo de alguns jogos eletrônicos clássicos, como Bioshock. E mais: Von Fuchs é o primeiro a realmente plantar uma semente de dúvida na complexa mente de Jane, que começa a perceber que na verdade não está em controle de nada e que todos os seus feitos como heroína não fazem parte da persona-Jane, e sim de todas as outras que habitam seu subconsciente (muito mais poderosas e perigosas).

De qualquer forma, Puppet Patrol também nos entrega as primeiras sequências de ação que, ainda que durem pouco, extraem o melhor de seus protagonistas para lutar contra um exército de minions-nazistas, todos extensão de seu perturbado criador. E mesmo que tenham vencido essa pequena batalha, eles não se sentem vitoriosos, e sim meros peões em um gigantesco tabuleiro de xadrez cuja partida apenas começou.

Patrulha do Destino alcançou o primeiro de seus ápices de modo a não abandonar a si mesma, porém reinventando um gênero que, nos dias de hoje, já parece bastante saturado. Os respaldos convencionais na verdade funcionam muito bem e servem como base para o que nos aguarda – incluindo como o time permanecerá unido ou não quando enfrentarem face a face o temível Sr. Ninguém.

Patrulha do Destino – 01×03: Puppet Patrol (Doom Patrol, 2019 – EUA)

Criado por: Jeremy Carver
Direção: Rachel Talalay
Roteiro: Tamara Becher-Wilkinson, Tom Farrell, baseado nos personagens de Arnold Drake, Bob Haney, Bruno Premiani
Elenco: Diane Guerrero, April Bowlby, Alan Tudyk, Matt Bomer, Brendan Fraser, Joivan Wade, Milla Jovovich, Billy Zane
Emissora: DC Universe
Gênero: Drama, Fantasia
Duração: 52 minutos

Comente!