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Depois do excessivamente bizarro e apressado episódio da semana passada, Patrulha do Destino já dava ares de cair na mesmice, mesmo tendo se apresentado algum tempo atrás como uma série irreverente. Felizmente, o criador Jeremy Carver deve ter percebi algumas falhas em sua obra e já iniciou certas renovações narrativas que elevou mais uma vez o patamar do show não para apenas aquilo a que estávamos acostumados, mas acrescentando um delicioso melodrama. Em Paw Patrol, quinto capítulo da primeira iteração, mesmo que alguns dos personagens não ganhem o protagonismo de outrora, certas escolhas contribuíram para sanar dúvidas e dar uma considerável continuidade para o time de esquisitos heróis cujo nome é emprestado ao título.

Aqui, Jane (Diane Guerrero) finalmente ganha seus momentos de glória roubando os holofotes mais ainda do que já vinha feito nas iterações predecessoras. De modo surpreendente, o capítulo se inicia com uma visceral sequência ambientada em 1977, época em que a conturbada jovem havia fugido do hospital psiquiátrico para viver a juventude que lhe fora roubada. Afinal, para aqueles que não se recordam, Jane foi vítima de experimentos desumanos que deram à sua poli-personalidade um único poder – revelado brevemente sem cair nos convencionalismos narrativos. Porém, ela é reavida e levada para sua cela, apenas para ser tratada como “a escória que representa”, segundo um dos enfermeiros que a mantém em cativeiro.

Paw Patrol nos elucida bastante sobre a organicidade da equipe, além de explicar sem obrigatoriedade o motivo da personagem em questão confiar tanto em Niles Caulder (Timothy Dalton), o Chefe da Patrulha que também insurge como a principal figura paternalista. Além disso, alguns temas bastante importantes e que merecem atenção nos dias de hoje voltam com força e, de forma aplaudível, são revestidos com diálogos não ortodoxos que refletem a identidade do show. Enquanto isso, nos dias atuais, nossos “zeros à esquerda” favoritos lidam com uma ameaça iminente conhecida como o Decriador, uma força maligna que desintegra quem bem entender – e é interessante perceber como isso parece trazer referências da épica franquia Vingadores para as telinhas, mesmo pertencendo a um panteão bem diferente.

Em uma frenética decisão, o Sr. Ninguém (Alan Tudyk), que mantém Niles preso em um vórtice dimensional escondido de tudo e de todos, acaba por soltá-lo para que realize um perigoso plano de combater fé contra fé – algo medieval o suficiente para criticar certos fanáticos religiosos que contaminam a sociedade contemporânea. Enquanto Niles retorna para seus protegidos, Sr. Ninguém utiliza sua onisciência atemporal para viajar à época em que Jane estava presa, aproveitando o momento em que outro de seus alter-egos, a Dra. Harrison, vem à tona e induzindo-a a fundar uma nova religião: a do Recriador. A princípio, tudo parece forçado, mas o fato dessa personalidade de Jane também ter a sensação de ridicularidade impede que a série se leve a sério e quebra esse paradigma.

Olhando de fora, pode ser muito fácil se perder nessa cronologia desconstruída a que o episódio nos apresenta. Porém, o roteiro de Shoshana Sachi é planejado com cautela, buscando uma multiplicidade narrativa muito envolvente que prevê possíveis furos e acaba nos entregando a um jogo no estilo “efeito borboleta”. É claro que, em se tratando da profundidade, o excesso de drama e de suspense dá lugar a momentos engraçados – como a legião de seguidores do Recreador saindo em pleno apocalipse para dançar ao som de Ring My Bell, de Anita Ward, e prenunciar uma lendária batalha.

Em certos momentos, a iteração volta a se perder por completo, talvez por não conseguir encontrar um ritmo que se sustente por quase uma hora. Alguns personagens, ao menos aqui, também cedem a algumas ruínas – como Cliff (Brendan Fraser), que retorna para seus maneirismos dialógicos perscrutados por palavras de baixo calão, ou Cyborg (Joivan Wade), que insiste em separar o mundo que conhece em dois extremos (o bem e o mal). Tal necessidade de se provar defensor dos oprimidos e encontrar um patamar em que seja visto como um herói puro tem incrível potencial para explorar delineações psicológicas e até mesmo colocar o time em uma angustiante crise existencial – mas isso praticamente não dá as caras aqui.

Claro, é compreensível enxergar o porquê das outras personas perderem um pouco de brilho, visto que os esforços se concentram em Jane e Niles. De qualquer forma, essa escolha nos traz uma sensação de preguiça e se afasta de um maior empenho da equipe em dar a cada uma de suas criações seu momento como centro das atenções – afinal, Cliff ganhou sua construção logo no episódio piloto e, mesmo assim, não drenou o foco de seus colegas.

Apesar da mais uma vez rápida conclusão, Patrulha do Destino recupera o fôlego nesta nova semana e de modo conciso conclui uma subtrama que já se desenvolve há algum tempo. Ao que tudo indica, a metalinguagem será o próximo recurso utilizado dentro do show – e só podemos esperar que tudo funcione ou ao menos continue nos agradando.

Patrulha do Destino – 01×05: Paw Patrol (Doom Patrol, 2019 – EUA)

Criado por: Jeremy Carver
Direção: Larry Teng
Roteiro: Shoshana Sachi, baseado nos personagens de Arnold Drake, Bob Haney, Bruno Premiani
Elenco: Diane Guerrero, April Bowlby, Alan Tudyk, Matt Bomer, Brendan Fraser, Joivan Wade, Milla Jovovich, Billy Zane
Emissora: DC Universe
Gênero: Drama, Fantasia
Duração: 55 minutos

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