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Crítica | Patrulha do Destino – 01×07: Therapy Patrol

Patrulha do Destino caminha para sua sétima semana e, decorrente dos impactantes eventos do episódio passado, era mais que esperado que Jeremy Carver resolvesse nos entregar um despretensioso filler. E em Therapy Patrol, é justamente o que nos entrega – uma composição multilinear que foca nos traumas de cada um dos nossos protagonistas, os quais remontam suas respectivas e bastante remotas infâncias e como esses demônios passados continuam a influenciar nos dias de hoje. É claro que, considerando as intrigantes e bizarras iterações predecessoras, não é nenhuma surpresa que a conclusão da micronarrativa em questão nos apresente a uma das investidas mais inesperadas e tragicômicas de todo o panteão “anti-herói” ao qual fomos apresentados.

De qualquer forma, também não podemos de negar que a insistência em se manter em apenas uma linha macrocósmica – a incessante busca por Niles Caulder (Timothy Dalton) -, insurge em uma continuidade repetitiva e amargamente cíclica. O próprio grupo deixa isso a entender quando, mais uma vez, reafirma que não se sente como um time de super-heróis prontos para se lançar em míticas aventuras para reaver o que lhes foi roubado, com exceção, talvez, de Cyborg (Joivan Wade), cuja síndrome de “salvador” também começa a irritar o público. Se pararmos para pensar, nenhum dos perigos enfrentados pela assim-chamada Patrulha do Destino foi opcional: eles simplesmente estavam no lugar errado, na hora errada, e colocaram de modo mais coeso possível suas diferenças de lado para lutarem contra uma força maior – é por isso que os ápices da série ficaram para trás.

Agora, Carver e sua equipe se voltam para uma perspectiva mais intimista que reflete com força o título do capítulo. Partindo de uma análise mais geral, a tentativa aqui é fornecer ainda mais complexidade para cada uma das vidas, relacionando o modo de agir de cada um com a infância. Logo de cara, somos transportados para a década de 1930, um dos auges do cinema hollywoodiano, e para uma jovem Rita Farr (April Bowlby), cujo sonho é alcançar o estrelato. Porém, apesar de sua animação em conhecer uma das atrizes mais famosas da época, também nos fica claro que esse desejo não parte unicamente dela, mas também de seus pais – e, após ter passado por um grande trauma alguns anos depois, carregou a culpa até os dias atuais e constantemente se martiriza devido a uma condição que ainda não consegue controlar.

É aqui que o show começa a entrar em certa contradição: para aqueles que não se recordam, em Cult Patrol, Rita mostra uma incrível evolução, postando-se como defensora de seus ideais e da velha concepção dos “fracos e oprimidos”. Logo, ao retornar para sua introspectiva e incontrolável bolha de aflições, não podemos deixar de nos perguntar onde diabos essa evolução foi parar? Afinal, ela carrega consigo uma habilidade incrível que merecia maior profundidade e uso dentro desse escopo televisivo – a mesma profundidade que Jane (Diane Guerrero) carrega consigo.

Jane volta a ser o ponto alto da iteração por sua loucura premeditada, mas divide os holofotes junto a Larry (Matt Bomer). Em sua backstory, o personagem é forçado a enfrentar os seus medos mais uma vez ao se relembrar inúmeras vezes dos últimos e infelizes momentos que passou com o verdadeiro amor de sua vida, ainda nos tempos em que servia ao exército norte-americano. Essa é a primeira vez que realmente admitiu para si mesmo todas as angústias anteriores, incluindo aquelas em relação à sexualidade, um dos demônios que sempre o acompanhou desde que era uma pequena criança, amedrontada com o desgosto que traria para a família e para um grupo de pessoas movida pela preconceituosa política don’t ask, don’t tell.

Cliff (Brendan Fraser) também ganha destaque ao entrar em um breve arco psicótico que o lança em um frenesi de alucinações com a filha Clara (Bethany Anne Lind), único membro de sua família que sobreviveu ao trágico desastre de carro. É dentro desse surto que percebemos a instabilidade que rege o grupo, mantendo-os falsamente unidos e a ponto de se desmantelar a qualquer sinal de conflito – é possível até mesmo dizer que a única coisa que os coloca no mesmo barco é o fato de todos estarem marginalizados e escondidos de uma sociedade que não os aceita. Porém, chamá-los de “amigos” permanece em um âmbito propositalmente intangível, reafirmado episódio após episódio com revelações e viradas chocantes (Cliff inclusive chega a toca na ferida de Jane dizendo-lhe que ele é o único que consegue suportá-la).

A complexidade à qual somos apresentados perde um pouco do brilho conforme a performance de Fraser atinge níveis muito artificiais e maneirismos quase insuportáveis, como falsetes em cada uma das frases e um inexplicável ódio que se mantém linear durante seus acessos psicológicos. A priori, sua perda de perspectiva parece interessante – ganhando uma elucidação tão surpreendentemente que chega a ser cômica e triste ao mesmo tempo -, mas a forçada continuidade se perde no meio do caminho e quebra o ritmo do capítulo em si.

Patrulha do Destino volta a entregar algo satisfatório, mas que, mais uma vez, dá ares de cansaço narrativo. Levando em conta que Therapy Patrol tem sua mensagem voltada para a praticidade de um filler, não precisamos e nem devemos esperar algo além do que nos promete; porém, dentro do escopo em que se insere, deixa a desejar em alguns pontos, mesmo sendo aprazível num contexto geral.

Patrulha do Destino – 01×07: Therapy Patrol (Doom Patrol, 2019 – EUA)

Criado por: Jeremy Carver
Direção: Rob Hardy
Roteiro: Neil Reynolds, baseado nos personagens de Arnold Drake, Bob Haney, Bruno Premiani
Elenco: Diane Guerrero, April Bowlby, Alan Tudyk, Matt Bomer, Brendan Fraser, Joivan Wade, Will Kempo, Jasmine Kaur, Lesa Wilson
Emissora: DC Universe
Gênero: Drama, Fantasia
Duração: 52 minutos

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Publicado por Thiago Nolla

Thiago Nolla faz um pouco de tudo: é ator, escritor, dançarino e faz audiovisual por ter uma paixão indescritível pela arte. É um inveterado fã de contos de fadas e histórias de suspense e tem como maiores inspirações a estética expressionista de Fritz Lang e a narrativa dinâmica de Aaron Sorkin. Um de seus maiores sonhos é interpretar o Gênio da Lâmpada de Aladdin no musical da Broadway.

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