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Depois de voltar a um incrível ápice com Jane Patrol, Patrulha do Destino seguiu um caminho parecido para focar em outro personagem. Em Hair Patrol, o desaparecido Niles Caulder (Timothy Dalton) retorna para as telinhas e nos faz algumas revelações devastadoras que colocam em xeque sua construção maniqueísta e paternalista. Basicamente, o modo como o enxergávamos sempre foi uma mentira, mascarada pela perspectiva unidirecional dos anti-heróis que aprendemos a amar. O sábio homem que nunca pensou em si mesmo e sempre pôs a necessidade e outrem à sua frente era, na verdade, uma farsa; um agente cuja mentalidade mudou após uma experiência de quase morte que consegue trazer à tona seus piores demônios.

O episódio, na verdade, é uma extensão direta e uma repaginação do que aconteceu entre Cliff (Brendan Fraser) e Jane (Diane Guerrero) na iteração passada. Porém, a ideia muda de cenário ao focar em um passado muito remoto, nos transportando para os primeiros anos do início do século XX, explicando até mesmo como Niles adquiriu sua suposta imortalidade. Acontece que o Chefe trabalhava para o Bureau of Oddity (Bureau da Anormalidade, em tradução livre), e estava em expedição nas geladas florestas do Norte junto a seu companheiro caçador. Sendo um explorador, seu principal objetivo era encontrar bizarras e estranhas criaturas que fugissem do padrão humano.

Mas não pense que as intenções de Niles eram das melhores: sua fascinação pelo novo e pelo diferente funcionava como pretexto para que ele pudesse levar tais achados para sua equipe secreta. E, bom, as coisas mudam drasticamente quando, após quebrar sua perna e ser resgatado por uma mítica criatura até as profundezas de um cavernoso labirinto, onde sente-se em cativeiro – talvez do mesmo jeito que os “monstros” ficariam em suas respectivas celas. A priori, ele aceita sua morte, aguardando com paciência que a captora lhe devore as entranhas e o deixe apodrecer em meio ao gelo. Porém, a verdade é que nada é o que parece ser – e o estranho e o barbado personagem é uma espécie de mulher das cavernas que se manteve viva durante milhares de anos através de uma força oculta.

Eventualmente, ele se afeiçoa à sua estranha e nova amiga e começa a criar um laço de sobrevivência que se afastou de tudo o que já imaginou. Dentro de sequências sem uma fala qualquer, Dalton insurge como o narrador onisciente do próprio diário que mantém em mãos, registrando tudo o que presenciou sem compreender exatamente o que aconteceu. Nem mesmo o momento em que observa a mitológica criatura lupina surgir das brasas de uma fogueira abre espaço para lhe fornecer alguma resposta dentro dessa jornada de amadurecimento e de autocompreensão.

De forma interessante, a entrada seguinte – intitulada Frances Patrol – também traz enfoque em uma das personalidades mais conturbadas da série, Larry (Matt Bomer), que perdeu sua vida e culpa a si mesmo e a todos pela condição em que se encontra. Sabemos há bastante tempo que Larry era apaixonado por John, seu colega do exército que nunca assumiu por inúmeras razões. Porém, é justamente aqui que ele resolve enfrentar seus medos e roubar os holofotes em uma das cenas mais envolventes e mais puras da primeira temporada, cujo ápice se concentra quando visita o amante em sua casa e carrega um cansado e idoso John para um último momento de felicidade numa varanda recheada de memórias e arrependimentos.

Vic (Joivan Wade) também lida com um crescente problema: a Grade, software que o ajuda a controlar seus movimentos e sua parcela robótica, começa a ganhar vida própria e o transforma em uma máquina mortífera, capaz de jogar fora o que lhe resta de humanidade em prol de se tornar um poderoso artifício na batalha que se aproxima. Cliff, por sua vez, reencontra-se com sua filha Clara décadas depois de tê-la indiretamente abandonado, e percebe que, por mais que odeie o fato de isso ter acontecido, perdeu anos de seu crescimento e, no final das contas, não participou de seu crescimento e amadurecimento. Ele tenta de algum jeito se transformar no herói que sua filha desejava, mas se encontra em um beco sem saída.

Se Hair Patrol é revelador ao ponto de desconstruir tudo o que sabíamos sobre o santificado e martirizado Chefe, Frances Patrol se afasta desse choque e, apesar de ser um filler assim como tantos outros episódios da saga, move-se através de uma envolvente e emocionante entrega, funcionando como uma declaração de amor bombardeada por tragédias imprevisíveis e incontroláveis. O gancho para a próxima semana retoma o drama aventuresco das diversas produções heroicas da televisão contemporânea.

Patrulha do Destino aproxima-se de seu final, e ainda não sabemos de que forma os nossos anti-heróis irão enfrentar as forças poderosas do Sr. Ninguém (Alan Tudyk) – e nem mesmo se ele será o grande antagonista a ameaçar suas vidas. Afinal, um outro perigo já mostrou seu rosto e do que é capaz de fazer. E ele parece ser muito mais mortal.

Patrulha do Destino – 01×10: Hair Patrol / 01×11: Frances Patrol (Doom Patrol, 2019 – EUA)

Criado por: Jeremy Carver
Direção: Salli Richardson-Whitfield, Wayne Yip
Roteiro: Eric Dietel, Jeremy Carver baseado nos personagens de Arnold Drake, Bob Haney, Bruno Premiani
Elenco: Diane Guerrero, April Bowlby, Alan Tudyk, Matt Bomer, Brendan Fraser, Joivan Wade, Will Kempo, Jasmine Kaur, Lesa Wilson
Emissora: DC Universe
Gênero: Drama, Fantasia
Duração: 45 minutos

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