Patrulha do Destino, a nova série da DC a ganhar um apreço especial tanto pelo público quanto pela crítica especializada, finalmente se aproxima de seu season finale e, diferente de outras produções que acabam se mostrando cansativas após certo número de episódios, a primeira temporada mostrou ser bastante competente, unindo em um mesmo lugar um brilho de originalidade fundido com uma nostalgia clássica que nos arremessa toda semana para as décadas dos quadrinhos e das produções cinematográficas e televisivas que emula com perfeição. Em outras palavras, a obra criada por Jeremy Carver encontra um vasto espaço para falar sobre o que entender, mas sempre fiel a uma estética deliciosamente única e narrativas que transcendem o estagnado conceito de bizarrice.

É normal associarmos o vocábulo “bizarro” a construções audiovisuais que insistem em ceder à excessiva presunção. O problema é que os produtos em questão também defendem amadorismos dizendo que por trás de toda expressão de repulsa, há um conceito que grande parte dos espectadores não conseguiu entender. Patrulha, por sua vez, poderia muito bem cair nos mesmos equívocos – ainda mais considerando que o episódio piloto abre portas para nos apresentar a cada um dos personagens da maneira mais inesperada possível, aliado a efeitos especiais de baixo orçamento. Entretanto, o que explica a aceitação e a envolvência é que o show não entrega nada além do que promete; na verdade, ele não promete coisa alguma, e torna-se aprazível por essa mesma razão.

Tal qual é nossa surpresa quando, eventualmente, o roteiro explora fórmulas que funcionam muito bem: uma dessas fórmulas, inclusive, já dá as caras há algum tempo, utilizando quase metade da duração dos capítulos para explorar o passado de seus protagonistas, relacionando-o com o complexo presente do qual fazem parte. Desde Cliff (Brendan Fraser) até Niles Caulder (Timothy Dalton), a pouca ortodoxa equipe carrega consigo traumas e fantasmas passados que explicam em uma proposital infelicidade o modo de agirem nos dias de hoje – e que talvez expliquem o motivo de ficarmos tão irritados com algumas covardias atrás das quais algumas dessas personas se escondem, como Larry (Matt Bomer).

Como forma de desconstruir tais pensamentos pré-concebidos, Carver abre margens para mais uma interessante iteração, Flex Patrol, introduzindo um novo membro do time de anti-heróis. Mais uma vez, a narrativa assinada pelo próprio criador volta algumas décadas para relacionar acontecimentos passados aos atuais – e é aqui que Flex Mentallo (Devan Long) ganha forma física. O meta-humano é dotado de habilidades incrivelmente assustadoras, utilizando o movimento de seus músculos para conjurar ou desintegrar coisas – ou até mesmo controlar as pessoas. Numa tentativa de manter sua reputação heroica, algo de enorme prestígio em meados de 1950, ele vai ajudar uma criança e acaba capturado pelo Bureau of Normalcy (sim, eles de novo) e levado para a opressora Fazenda de Formigas.

E por que diabos ele é tão importante?, podemos nos perguntar nos primeiros minutos. Bom, para aqueles que não se recordam, Flex é uma das pistas deixadas a Jane (Diane Guerrero) para encontrar Niles e salvá-los das mãos do Sr. Ninguém (Alan Tudyk), que o mantém preso em uma brecha espacial entre as dimensões. Porém, esse personagem simplesmente sumiu do mapa, sendo apagado até mesmo de revistas em quadrinhos e caixas de cereais, como se nunca tivesse existido – e aqui temos a resposta: por anos, ele ficou encarcerado, sendo usado como objeto de experimentações e estudos pelas cruéis mãos do Bureau, por vezes cruzando caminho com figuras como Larry e Cyborg (Joivan Wade), por exemplo.

É muito fácil cairmos no equívoco de procurar por furos na trama principal, ainda mais se levarmos em consideração que Flex é muito poderoso e poderia se livrar daquelas amarras em questão de segundos. Porém, é igualmente fácil deixarmos que a história flua com naturalidade ao nos recordarmos de que todo herói é dotado de princípios e valores, os quais vêm à tona quando um ente querido também é colocado dentro do jogo. Para ele, permanecer preso e alheio à vida que poderia ter é o único modo de permitir que sua esposa, Dolores (Haley Strode), permaneça viva – apenas para, muito tempo depois, reencontra-se em um doloroso (sem trocadilhos) e trágico adeus. É aqui que, após perder sua identidade e seu senso de direção, que Flex confronta seus demônios e, quando acha que está tudo bem, vê os sonhos e o prospecto de um futuro se contrair em agonia.

As mensagens delineadas neste capítulo são transmitidas com grande coesão e ganham força quando aliadas a cenários tão clássicos que chegam a ser atemporais. Porém, seu potencial não chega a ser maximizado por pequenos deslizes, inclusive nas construções cênicas de T.J. Scott, que fica responsável direção. Ainda que resgatem a identidade estética já apresentada a nós nos episódios anteriores, é notável um certo cansaço imagético por parte da equipe criativa, que parece preferir por tons novelescos a realmente manter-se fiel ao que se propôs a inventar (ou reinventar). De qualquer forma, são mínimas as sequências em que essa fadiga visual acontece, visto que a atuação do elenco é o que nos rouba a atenção.

Culminando em um cliffhanger que destrói o significado da quarta parede da indústria do entretenimento, Patrulha do Destino finalmente trará uma batalha que esperamos ser digna do que vem cultivando há alguns meses. O confronto entre a equipe que agora se intitulada “super-heroica” contra as forças corrosivas do Sr. Ninguém é iminente – e promete ser extremamente épica e satisfatória.

Patrulha do Destino – 01×13: Flex Patrol (Doom Patrol, 2019 – EUA)

Criado por: Jeremy Carver
Direção: T.J. Scott
Roteiro: Jeremy Carver, baseado nos personagens de Arnold Drake, Bob Haney, Bruno Premiani
Elenco: Diane Guerrero, April Bowlby, Alan Tudyk, Matt Bomer, Brendan Fraser, Joivan Wade, Will Kempo, Devan Long, Haley Strode
Emissora: DC Universe
Gênero: Drama, Fantasia
Duração: 51 minutos