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Crítica | Preacher – 02×10: Dirty Little Secret

Spoilers!

Finalmente. Depois de semanas preso em um marasmo com redundâncias e desvios narrativos, Preacher nos oferece um gigante avanço na história e os faz de forma ousada e que definitivamente vai provocar controvérsia – as aventuras de Dan Brown estreladas por Robert Langdon não chegam nem perto do tipo de coisa que Seth Rogen, Evan Goldberg e Sam Catlin oferecem Dirty Little Secret, décimo episódio desta segunda temporada que agora entra em sua reta final.

O episódio começa de forma peculiar, mostrando um casal fazendo sexo em segredo (as sombras na parede simulando posições absurdas foi um pouco infantil demais, mas tudo bem), até o momento em que o espectador perceber que trata-se de ninguém menos do que Jesus Cristo (vivido por Tyson Ritter), que é logo abordado por seus apóstolos na porta (“ssup guys!”), que exigem sua presença. É uma cena que diverte pelo anacronismo, pelas gírias e comportamentos daquelas pessoas em um período mais antigo, e também pelo fato de lidar com uma figura icônica; claro, este é o Jesus do universo de Preacher, e eu não esperaria nada menos do que vemos aqui.

Esse prólogo estabelece o arco do filho de Cristo, que Herr Starr (Pip Torrens) já havia nos informado no episódio sobre seu passado, e quando temos o aguardado encontro com Jesse Custer (Dominic Cooper) no balcão de bar, esse torna-se o núcleo central do episódio. O roteiro de Mary Laws acerta na interação entre os dois personagens, com cada um impondo sua força e personalidade dura de igual pra igual, ainda que eu tenha ficado surpreso com o “amolecimento” de Starr diante do Pastor – mas é algo justificado no fim do episódio. Starr apresenta Jesse ao Graal e compartilha da preocupação pelo sumiço de Deus, rendendo até uma impagável cena onde os dois se encontram com um padre e o papa, que divagam sobre teorias acerca do sumiço do Todo Poderoso – com sugestões de uma traição no Paraíso e o fato de Deus simplesmente ter seguido em frente com outras criações (“os dinossauros os decepcionaram, depois os humanos”).

Ao saber da existência do filho secreto de Cristo, e de seu papel como salvador da Humanidade após o Apocalipse, Jesse usa o Gênesis para obrigar Starr a levá-lo até ele. Vivido também por Ritter, é aí que temos a grande revelação da temporada: o prometido Messias deste universo é um bobalhão retardado que imediatamente mija na cara de Jesse enquanto este faz um reverenciamento – uma quebra divertida após a longa construção de Steph Green, que cria uma atmosfera divina e pesada antes de sua introdução. É depois disso que entendemos melhor as intenções de Starr, e toda sua catarse da “peça do quebra-cabeças” no episódio anterior, onde ele explica ao Pastor que não deseja trabalhar para uma organização sem líderes, ou um do nível de Humperdoo. Então, o vilão sugere que Jesse desista de encontrar Deus e simplesmente assuma seu lugar. Uma decisão ousada e grandiloquente para o seriado, e que claramente deixa o protagonista incerto e confuso, oferecendo um gancho para os três episódios restantes

Ainda que longe de seguirem relevantes, os núcleos coadjuvantes entreteram, especialmente o de Cassidy (Joseph Gilgun). Basicamente, o vampiro passa um tempo com o recém-transformado Denis (Ronald Guttman), saindo com prostitutas para orgias e fliperamas, com o pai ainda tendo que lidar com a sede incontrolável de seu filho idoso por sangue; rendendo mais um ótimo momento de amadurecimento da performance de Gilgun. Já Tulipa (Ruth Negga) segue atormentada pelos pesadelos com o Santo dos Assassinos – chega, chega -, e acaba passando a maior parte do episódio ao lado de Featherstone (Julie Ann Emery), chegando bem perto de descobrir sua verdadeira identidade, mas a agente do Graal inteligentemente cobre seus rastros com a ajuda de uma encenação de Hoover (Malcolm Barrett). Um easter egg divertido é que Tulipa joga Guitar Hero aqui, tocando a música “Dirty Little Secret”, do All American Rejects. Não só é o título do episódio (referindo-se ao filho de Cristo), como também Tyson Ritter é o vocalista da banda. “Aceito participar se você pensar num jeito de enfiar minha música na série”, imagino.

E foi isso. O melhor episódio de Preacher desde a despedida do Santo dos Assassinos, e a proposta de Herr Starr para Jesse talvez seja a coisa mais interessante que a série já sugeriu. Vamos apenas torcer para que os três episódios finais entreguem algo à altura, e retomem o ritmo formidável que a segunda temporada conseguiu manter em sua primeira metade.

Preacher – 02×10: Dirty Little Secret (EUA, 2017)

Criado por: Sam Catlin, Seth Rogen e Evan Goldberg, baseado na obra de Garth Ennis e Steve Dillon
Direção: Steph Green
Roteiro: Mary Laws
Elenco: Dominic Cooper, Ruth Negga, Joseph Gilgun, Ronald Guttman, Pip Torrens, Julie Ann Emery, Malcom Barrett, Tyson Ritter, Tom Thon, David St. James, Carrie Lazar
Emissora: AMC
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 44 min

Confira AQUI nosso guia de episódios da temporada

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Publicado por Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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