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Crítica | Preacher – 02×13: The End of the Road

Spoilers!

E a estrada da segunda temporada de Preacher chega ao fim, 12 episódios depois. É incrível como a série apadrinhada por Seth Rogen, Evan Goldberg e Sam Catlin tenha começado de uma forma e acabado de outra tão distinta após todo esse tempo, indo literalmente do Céu ao Inferno em diversos pontos narrativos. Com The End of the Road, o season finale acaba trazendo mais perguntas do que respostas, oferecendo uma conclusão agridoce para um temporada que começou tão bem.

A trama começa com mais um flashback sobre Jesse Custer (Dominic Cooper), agora mostrando sua fase mais adolescente em Angelsville, com a parte materna de sua família. É uma cena aparentemente sem propósito, onde vemos o jovem tirando dinheiro de pessoas que fossem estacionar o carro na propriedade festiva da família (uma experiência que recria o sul escravocrata dos EUA), mas que torna-se crucial para os minutos finais – o prólogo acaba com Jesse matando uma galinha por acidente, e então levando-a para uma curandeira na esperança de conseguir revivê-la; algo que a mulher misteriosa faz, mas alertando ao jovem protagonista que viria com um custo.

De volta ao presente, já temos uma grande elipse onde Jesse está atuando como o novo Messias para Herr Starr (Pip Torrens), que o leva para uma demonstração de seus poderes em uma escola dominical. A palestra amigável, porém, garante a primeira cena de ação do episódio quando um grupo de Armênios ataca o local, e Jesse usa suas habilidades de lutador para controlar a situação – tudo ao som de “My Sweet Lord”, de George Harrison (como a influência de Guardiões da Galáxia Vol. 2 foi rápida, não?), em uma sequência bem orquestrada por Wayne Yip. Porém, rapidamente percebemos que Jesse foi incapaz de usar o Gênesis para conter os agressores, já que a voz sai um tanto fraquejada e com ruídos ao gritar para que abaixem as armas – um toque de gênio do design sonoro, já que nos indica que a Palavra ainda está com Jesse, de alguma forma. Starr também revela que a ação fora combinada, de forma que ele pudesse viralizar a persona de Jesse e chamar a atenção da mídia ao redor do mundo, o que os leva a conseguir um bloco no programa de… Er, Jimmy Kimmel.

De volta ao arco do Cara de Cu (Ian Colletti), acompanhamos sua fuga ao lado de Adolf Hitler (Noah Taylor), que enfim conseguem sair do Inferno e param em um tipo de praia, onde uma figura sinistra que remete à Morte coordena um porto de entrada e saída – e o ditador garante que Eugene poderá sair livremente, visto que não pertence ali. Após um pequeno conflito com a segurança vivida por Amy Hill, que usa da informação do sumiço de Deus para tentar reverter o quadro, já que o ameaçador “porteiro” da praia é um cara simpático e boa praça chamado Sharon, em uma divertida inversão de expectativa. Então, Eugene e Hitler conseguem escapar, e retornam à Terra. Porém, para o desespero de Eugene, Hitler simplesmente o larga e sai correndo pela rua, e quais planos passam pela mente do sujeito… Isso só podemos imaginar, mas com certeza não será nada como o longa Ele Voltou.

Já os nossos esquecidos coadjuvantes acabam tendo um bom proveito no finale. Cassidy (Joseph Gilgun) está cada vez mais movido por sua paixão por Tulipa (Ruth Negga), e ganhamos boas sequências onde o vampiro fantasia em beijá-la e até mordê-la, variando bem o clima entre romance e terror gore em poucos minutos. Porém, o grande choque do episódio vem quando Denis (Ronald Guttman, impagável andando de cueca pela casa) tenta provocá-lo a fazer algo e esquecer seu controle em relação à amiga, o que faz Cassidy… Bem, empurrar seu filho idoso pela janela e deixá-lo queimando no sol. Sim. O tipo de reviravolta que Preacher não fazia há tempos, onde os efeitos visuais capengas da imolação são compensados pela reação sofrida de Cassidy.

Com os dois já de saída para o Caribe, sem planos para esperar Jesse, Tulipa resolve subir ao apartamento uma última vez para se despedir de Featherstone (Julie Ann Emery), mas o encontro acaba frustrado quando ela descobre a real identidade de sua vizinha, culminando na agente do Graal atirando em Tulipa e deixando-a para morrer. Cassidy corre para socorrê-la e por algum milagre consegue fazer com que Jesse venha a tempo, mas ele é incapaz de usar o Gênesis para salvar sua namorada – já que Starr revelara que o pedaço de sua alma que estava com o Santo dos Assassinos está em sua propriedade (o que não me explica como isso seria capaz de anular o poder da Palavra, mas tudo bem) – e ele também proíbe Cassidy de transformá-la em vampira. A solução? Levar Tulipa para Angelsville, já conectando com o prólogo da galinha ressuscitada. O melhor, porém, é como Jesse está intensamente transtornado e com medo de retornar ali, alertando a Cassidy que “se você me odeia agora, apenas espere pra ver”. Um belíssimo plano do carro passando pelas árvores encerra o episódio…

… Até o epílogo que revela a roupa BDSM de dálmata que nos fora revelados como o disfarce de Deus na Terra. Um complicado movimento de câmera vai saindo do olho da fantasia de látex para revelar um quarto de hotel pequeno e bagunçado, com latinhas de cerveja espalhadas e cigarros acesos no canto do cômodo, até que o travelling encoste na porta do banheiro, que se abre após o som de uma descarga e preenche o quarto inteiro de luz. Nosso único vislumbre de Deus, e a temporada termina.

Como season finale, The End of the Road é redondo e econômico na forma em que oferece algumas de suas soluções, especialmente a conexão com Angelsville que abre e finaliza os eventos aqui. A direção de Wayne Yip também garante cenas bem elaboradas e até impressionantes, mas ainda me incomoda como o roteiro é viciado em soluções abruptas e nas mudanças de opinião de seus personagens; como diabos a perda do Gênesis foi lidada de forma tão arbitrária? Apenas uma das perguntas que uma possível terceira temporada deverá responder. Só é triste observar como o segundo ano de Preacher começou tão bem, e acabou de forma tão… Tanto faz.

Preacher – 02×13: The End of the Road (EUA, 2017)

Criado por: Sam Catlin, Seth Rogen e Evan Goldberg, baseado na obra de Garth Ennis e Steve Dillon
Direção: Wayne Yip
Roteiro: Sam Catlin
Elenco: Dominic Cooper, Ruth Negga, Joseph Gilgun, Ronald Guttman, Pip Torrens, Julie Ann Emery, Malcom Barrett, Ian Colletti, Noah Taylor, Justin Prentice
Emissora: AMC
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 55 min

Confira AQUI nosso guia de episódios da temporada

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Publicado por Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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