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Crítica | Samurai Jack – 05×04: XCV

No episódio mais colorido e beirando ao psicodélico da temporada, Jack, acompanhado por uma das Filhas de Aku, terá que superar obstáculos e enfrentar criaturas abomináveis dentro de um imenso ser. Os dois terão que colocar as diferenças de lado e trabalhar juntos para saírem vivos dali.

O grande tema do episódio é a parceria momentânea entre Jack e uma das filhas de Aku, que descobrirmos se chamar Ashi através de seus flashbacks, e a dificuldade em Jack dialogar com Ashi e fazê-la entender que é Aku o grande mau a ser combatido, e não ele.  

Ao caírem dentro da criatura – uma possível alusão ao Leviatã, criatura bíblica que representa um poder maior – Jack se vê preso com Ashi em um local inóspito e alien para os personagens, criando o momento perfeito para que os dois acabem se conhecendo e tentem entender o lado de cada um, apesar de seus propósitos divergentes.

 

Apesar das constantes ameaças, o episódio é sem dúvidas o mais leve de todos até agora, com o choque de personalidades e interesses entre Jack e Ashi, que constantemente tenta atacar o samurai. Uma das razões de Jack levá-la é a culpa da existência e propósito de Ashi, vendo nela uma vítima de Aku ao invés de uma assassina. Ao tentar convencê-la, Jack acaba criando alguns momentos mais leves e cômicos para o episódio, dando um contraste com as situações dramáticas dos eventos anteriores. É algo que com certeza deverá ser mais bem aproveitado em uma única assistida da temporada, criando um pacing mais interessante para a história como um todo.

Visualmente o episódio não deixa a desejar, com uma experimentação de design de criaturas e uso de cores que chega ao psicodélico e surreal. Alguns cenários lembram coisas tiradas de um quadrinho de Moebius ou uma pintura de Salvador Dalí, com o intenso contraste de cores primárias. Jack, e por consequência o espectador, são constantemente pegos de surpresa com os tipos de criaturas e desafios apresentados, como monstros marinhos com o corpo translúcido, ou a chuva de espinhos vermelhos que oferecem uma boa seção de acupuntura para os desavisados.

A proficiência de Jack em adaptar qualquer objeto à sua frente para a sobrevivência é visto de diversas maneiras ao longo do episódio. Usar um membro decepado de um monstro como espada ou a carcaça de outro como armadura, ele acaba se tornando o verdadeiro MacGyver samurai. É curioso ver que a cada episódio Jack é apresentado de diferentes maneiras, usando vestes distintas, criando diferentes “personas” em batalha. Mais uma vez, a equipe criativa de Genndy dá um show de criatividade tanto com Jack como no mundo criado para ele.

Ao fim, ao saírem através de um buraco no topo da criatura, Jack e Ashi se veem em um pequeno pedaço de terra no meio do mar. Ashi encontra o momento certo para atacar Jack, vulnerável após tantas provações. Mas ela hesita quando o samurai acolhe com seus dedos uma pequena joaninha, que desencadeia uma memória de Ashi quando criança. Ela finalmente entende a partir dali que Jack não é o mal que ela pensava que ele era, trazendo a realização de que talvez há redenção para a personagem.

Em um episódio simples e divertido, vemos a necessidade de cooperação entre Jack e uma das assassinas mandadas para eliminá-lo enquanto os dois tentam sair do corpo de uma imensa criatura. Apesar de não exatamente avançar com o plot principal e não ter o mesmo impacto emocional que os capítulos anteriores, é definitivamente um episódio que lembra muito as aventuras de Jack de 50 atrás, quando os desafios eram mais episódicos e menos urgentes.

Samurai Jack – 05×04: XCV (Idem, EUA – 2017)

Criado por: Genndy Tartakovsky
Direção: Genndy Tartakovsky
Roteiro: Genndy Tartakovsky
Elenco (Voz): Phil LaMarr, Greg Baldwin, Sab Shimono, Tom Kenny, Grey DeLisle, Kari Wahlgren
Emissora: Cartoon Network, Adult Swim

Gênero: Ação, Aventura
Duração: 22 min

Confira AQUI o guia de episódios da temporada.

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Publicado por Rodrigo Ribeiro

Jornalista e aficionado por games e cultura pop. Acredita que os games podem ser considerados uma forma de Arte e que o mundo seria um lugar melhor se as pessoas parassem de brigar na internet e voltassem a jogar seus queridos videogames.

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