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Crítica | Scream Queens – 2×02: Warts and All

nota-4,5

Não. Chanel #5 não está morta.

Pois é, garanto que pensamos a mesma coisa. Ao final do episódio anterior, o novo serial killer de Scream Queens atacou impiedosamente a pobre paciente com Síndrome de Lobisomem, Catherine Hobart (Cecily Hobart), decapitando-a. Como tudo indicava, sua próxima e imediata vítima seria a personagem interpretada por Abigail Breslin.

Mas logo na primeira sequência deste novo episódio, ela se encontra sã e salva, dando seu depoimento para os legistas e a detetive encarregada do caso – não, não é Denise Hemphill (Niecy Nash). Ela conta avidamente, e com seu jeito excêntrico e corrido de falar, como a cena do crime se construiu – tornando-se uma das principais suspeitas, ironicamente.

Como ocorreu na primeira temporada, Zayday (Keke Palmer) mais uma vez começa a duvidar das intenções benevolentes de Munsch (Jamie Lee Curtis), relacionando a volta de um assassino com a recente compra do hospital pela ex-reitora e sua proximidade com o local onde ocorreu o homicídio. Mas, em vez de unir-se a Grace (Skyler Samuels, que não retornou para este ano), veste sua camiseta de arquétipo do investigador e do protetor e junta-se ao enfermeiro trapalhão Chamberlain Jackson (James Earl) para descobrir os mistérios e os podres ocultos. Mas, como se é esperado de uma série criada por Ryan Murphy, uma reviravolta é implantada: Munsch na verdade comprou o hospital para se ajudar.

Acontece que, em uma de suas viagens para divulgar seu livro, participou de um ritual canibalístico – um funeral, para dizer a verdade -, durante o qual ingeriu um cérebro contaminado e contraiu a síndrome conhecida como Kuru, a Doença dos Canibais. Para tentar se curar, comprou um hospital e contratou os melhores médicos da região – tudo em vão, visto que Zayday, estudante de Medicina, disse que não há tratamento e, uma vez que os sintomas se iniciam, o indivíduo infectado tem mais ou menos um ano de vida.

Outras subtramas se desenvolvem durante o episódio: por exemplo, em uma das investigações, Zayday e Chamberlain descobrem que o C.U.R.E. foi palco de um massacre de Halloween, onde todos os pacientes e médicos foram assassinados nas mãos de um serial killer misterioso e que nunca foi encontrado. Um novo paciente, diagnosticado com neurofibromatose, uma doença que causa furúnculos e erupções cutâneas por todo o corpo, que será ajudado por Chanel #5 e “respaldado” pelas outras amigas (Billie Lourd e Emma Roberts). O Dr. Brock Holt (John Stamos) tem seu mais macabro segredo revelado pela aparição não-premeditada de Chad Radwell (Colton Haynes): sua mão transplantada pertenceu a um jogador de squash que matou mais de 600 competidores pelo fato deles perderem – e, de algum modo, o membro parece estar tomando conta de seu novo hospedeiro (um caso reverso do “membro fantasma”).

O grande ápice é quando revemos o assassino, o qual tenta atacar Munsch. Em uma cena muito bem coreografada e por vezes cômica, ela consegue neutralizar o inimigo, minutos antes de Chanel #5 e o Dr. Cassidy Cascade (Taylor Lautner) aparecerem. O serial killer escapa de modo quase impossível, e Munsch satiriza algo dos filmes de terror que odiamos: responder a perguntas em momentos inoportunos e logo antes de descobrir a identidade do antagonista.

Mantendo seu ritmo dinâmico e por vezes perturbador, o novo episódio de Scream Queens mostra-se superior ao piloto por preencher algumas questões levantadas. A construção ainda segue a estética de Murphy, permanecendo com os planos não convencionais e uma linha narrativa autoexplicativa que ironiza o gênero e bordões de personagens clássicos. O teor ácido permanece, o que nos causa ao mesmo tempo um alívio cômico sobre um tema delicado – doenças incuráveis e consideradas “anormais” – e uma nostalgia da primeira temporada.

Vale lembrar que, pela primeira vez, vemos Hester (Lea Michele) retomando o arquétipo da psicopata e emergindo como o elemento-chave para os assassinatos: ela carrega consigo a verdadeira identidade do serial killer e, não sendo nada boba, pede para sair do manicômio no qual está encarcerada e pede um quarto “com vista”, em troca de informações essenciais.

A segunda temporada ganhou mais identidade com este novo episódio. Estou animado para saber quem é o assassino e quais são seus planos para os personagens – tudo indica que seu alvo são os pacientes. Só espero que a série não fique sobrecarregada e superficial.

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Publicado por Thiago Nolla

Thiago Nolla faz um pouco de tudo: é ator, escritor, dançarino e faz audiovisual por ter uma paixão indescritível pela arte. É um inveterado fã de contos de fadas e histórias de suspense e tem como maiores inspirações a estética expressionista de Fritz Lang e a narrativa dinâmica de Aaron Sorkin. Um de seus maiores sonhos é interpretar o Gênio da Lâmpada de Aladdin no musical da Broadway.

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