nota-3,5

E as coisas acabaram de ficar ainda mais tensas!

Como já sabemos, Chad Radwell infelizmente foi assassinado de forma impiedosa por alguém – não sabemos se foi o assassino principal desta temporada ou um possível comparsa. Neste quarto episódio, intitulado Halloween Blues, somos apresentados a um desespero generalizado que se apodera da equipe do C.U.R.E. – particularmente, de Chanel. Em meio a falas autoexplicativas, a personagem interpretada por Emma Roberts mostra-se em um luto gradativo ao se debruçar sobre o corpo do ex-noivo, o qual aparentemente foi degolado. E, como sempre, a culpa recai sobre Chanel #5, simplesmente – e isso é reafirmado em quase todos os episódios – por não condizer à submissão que as outras “minions” têm em relação à sua “chefe”.

Além disso, somos levados a pensar que o assassino pode ter suas motivações enterradas em outro lugar; afinal, como pensávamos, seus alvos seriam os pacientes do hospital, recapitulando os trágicos acontecimentos do Halloween de 1986. Mas as mesas viraram, e agora os funcionários – e até pessoas não internadas – se tornaram vítimas perfeitas. E quem melhor para resolver tal crime? A agente especial do FBI, Denise Hemphill. Mas aqui vai outro twist (um que já conhecíamos): a personagem de Niecy Nash já foi amante de Chad, e deseja alguns momentos de privacidade com o corpo do cadáver, jurando que, caso morra, se reencontrará com ele no céu.

As resoluções em Scream Queens são baseadas no absurdo – isso é fato. Mas adicionando a isso uma boa dose de comédia, e não há erro: Ryan Murphy e seu time conseguem nos dar mais um episódio hilariante e trágico. E em paralelo a estas tramas, devemos nos lembrar de que o Halloween está chegando – significando que o famoso Chanel-o-Ween voltará para mais uma temporada. Mas diferentemente do que vimos na temporada anterior, Chanel parece extremamente irritada e, em vez da sutileza utilizada para “colocar as pessoas em seus devidos lugares”, investe de forma agressiva em suas fãs. E parece que suas ações trouxeram reações um tanto quanto indesejáveis: após tomar um medicamento para tratar de manchas estranhas na pele, ela se torna… Azul! Pode parecer exagero, mas a cor escolhida pode ter vindo em ótima hora; afinal, simboliza a contemplação – no caso de Chanel, uma reflexão forçada sobre sua própria vida.

E como se não bastasse, tal incidente vem em boa hora para a festa de Halloween do hospital C.U.R.E., ideia arquitetada por Hester – que agora dorme numa cela nos porões da instituição –, Kathy Munsch e Danise. Elas desejam recriar o cenário perfeito para a atuação do assassino, planejando pegá-lo em flagrante. Entretanto, o serial killer pensou mais rápido: uma horda de pacientes – da qual a maioria está vestido como personagens do musical Hamilton (uma das grandes referências desta temporada) – chega ao hospital, apresentando uma variedade de sintomas como vômito, diarreia e alucinações. Acontece que o próprio antagonista envenenou estas pessoas, criando uma distração sobre a distração – e atacando impiedosamente não uma, mas duas de nossas personagens principais.

Em suma, estes são os acontecimentos principais – um pouco mais do mesmo. O ponto alto, aqui, reside na nostalgia: de modo mais visceral que os outros episódios, há sequências que utilizam a decadência do gênero gore, transgredindo-a e traduzindo-a em conversações irônicas. Apesar da impossibilidade dos eventos falar alto, sabemos que Scream Queens não se leva a sério. Diferentemente de longas franqueados como Ouija ou Atividade Paranormal, a pretensão aqui é quase inexistente. Mas pedimos por algumas explicações, ainda que elas sejam dependentes do sobrenatural e do misterioso. Ora, Chanel e Denise buscam por respostas durante uma sessão de mesa branca, onde tentam contatar Chad para descobrir quem o matou. E é esse clima que traz divertimento à série, em sua completude.

Hester também tem seu arco neste episódio: Denise decide soltá-la para a festa de Halloween e momentos depois alguém desconhecido aparece vestido com uma máscara de Ivanka Trump – logo revelando ser a psicopata lunática. Ela tenta de todos os modos atacar Chanel, conseguindo causar um ferimento razoavelmente grave em sua perna. Somos levados a pensar que, mesmo trancada no manicômio, sua sede por vingança ainda não acabou, e sua necessidade de acabar com tudo o que as Chanels representam a tornou ainda mais cega que antes. E pode ser que a personagem de Lea Michele tenha um protagonismo-chave nos objetivos do assassino fantasiado – o qual não tenho a mínima ideia de quem possa ser.

Infelizmente, a eliminação sumária das personagens pode não ter sido a melhor escolha. Afinal, decidiu-se em Halloween Blues literalmente matar o agradável desastre e o alívio cômico da série. Não há como saber se estão realmente mortas – para isso teremos que esperar até o próximo episódio. Mas espero que Murphy tenha alguma carta escondida na manga, pois o território está se tornando perigoso – e o resultado pode ser tanto ótimo quanto catastrófico.

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