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Crítica | Star Trek: Discovery – 01×05: Choose Your Pain

Star Trek: Discovery atingiu o ápice de sua narrativa nessa última semana!

A U.S.S. Discovery passou por sua primeira grande aventura – nada comparado aos micro-obstáculos dos capítulos anteriores – no mais novo episódio da série, intitulado Choose Your Pain. Após saírem em uma missão de reconhecimento, o Capitão Gabriel Lorca (Jason Isaacs) acabou por cair numa armadilha engenhosamente arquitetada pelos Klingons, os quais utilizaram o raio-trator para capturar a cápsula estelar na qual estava e levá-lo como prisioneiro. Logo, cabe ao restante da tripulação da espaçonave unir-se para resgatá-lo são e salvo antes que seja torturado a ponto de revelar os segredos da Federação.

Essa sinopse é, ao mesmo tempo, nostálgica quanto emocionante para os antigos e os novos fãs desse panteão intergaláctico. E é justamente isso faz desse episódio uma mistura completa e beirando a perfeição narrativa, unindo elementos até mesmo de videogames para arquitetar arcos muito bem delineados e que culminam em um cliffhanger chocante.

A esquadra inimiga parece ter percebido, após serem impedidos de atacar a colônia Corvan II, que sua principal nêmeses parece ter desenvolvido um aparato considerado impossível para viajar mais rápido pelo espaço, utilizando-se de apenas uma simples dobra até o seu destino. Dessa forma, não é nenhuma surpresa que os Klingons armassem uma emboscada para extrair todas as informações necessárias sobre esse combustível – e nem um plano funcionaria tão bem quanto capturar o responsável por esses acontecimentos. Apesar de ser humano, Lorca em muito se aproxima de sua tenente Michael Burnham (Sonequa Green-Martin) no quesito racionalidade, deixando transparecer um possível distúrbio emocional em raros momentos. E as coisas não são tão diferentes quando ele se vê em estado de perigo: afinal, ele tem experiências desagradáveis com aquele tipo de situação, e carrega o fardo das consequências até os dias atuais, relembrando-se de cada um dos detalhes que deixou sua reputação marcada na Federação. Mas mesmo assim, sua vulnerabilidade é o ponto-chave dessa subtrama, e é certamente explorada por seus torturadores.

Enquanto isso, de volta à espaçonave, o Primeiro-Comandante Saru (Doug Jones) deixa suas próprias fraquezas transparecerem ao ser ver numa complicada situação: de acordo com Burnham e o chefe da engenharia Paul Stamets (Anthony Rapp), o Tardígrado – criatura encontrada na U.S.S. Glenn que aparentemente é o principal responsável pelo novo combustível utilizado pela Discovery – está cada vez mais debilitado devido às incansáveis jornadas feitas pelos tripulantes. Sua condição física e aparentemente psicológica, a qual o transforma em um ser pensante passivo de empatia por vários membros do time, está em queda livre e também deixa à vista o ponto mais vulnerável da protagonista – a injustiça. Entretanto – e pela primeira vez, Saru se mostra cego perante ao contexto geral, focando apenas em conseguir salvar seu Capitão, ainda que em detrimento da sobrevivência de outrem.

Sim, toda a arquitetura do episódio é baseada na tensão plena – e esse é o grande brilho da série, o qual vinha sido lapidado desde o piloto. A narrativa segue um padrão à la jornada do herói (Joseph Campbell), misturado com a melhor storyline que um game pode ter. Temos ação, fortificada pela relação dos prisioneiros contra seus opressores e muito melhor coreografada que as outras que tivemos até agora – talvez Star Trek: Discovery devesse investir um pouco mais no combate corpo a corpo ao invés de fazer propagandas superestimadas sobre possíveis batalhas espaciais (ver as naves explodindo causa uma sensação incrível, mas depois de cair em sequências rotineiras, torna-se monótono). Temos a aventura também, numa ótima subtrama de resgate que consegue englobar todos os personagens sem deixá-los jogados ou em arcos incompletos – com ênfase nos perigos enfrentados pela tripulação do Discovery.

E temos a adição também de dois elementos que já haviam sido varridos para debaixo do tapete: o mistério e o sacrifício. O mistério emerge na figura de um novo personagem, Harry Mudd (Rainn Wilson), que mostra ser um canastrão duas-caras cujo principal objetivo é sobreviver. Além de perscrutado com falas incrivelmente bem montadas, sua personalidade é individualista e fica claro no primeiro momento em que aparece que ele é um antagonista a ser temido pelas ações impetuosas que sempre atiram o outro na frente do ônibus – ou, no caso, do faser. Ele funciona como o típico vilão de séries de ação e mistério, e apesar de estar finalizado por ora, é quase certo que ele dê as caras novamente na série.

O sacrifício, por sua vez, ocorre com Stamets que, contrariando as ordens de seu Capitão substituto, Saru, prefere correr os riscos para possibilitar o transporte através das dobras ao invés de submeter um debilitado Tradígrado a mais uma árdua tarefa. E é a partir daqui que o gancho para o capítulo seguinte se firma: na sequência final, o personagem afirma estar bem, enquanto fita o espelho. Entretanto, quando deixa o lugar em que está, ainda vemos seu reflexo olhando fixamente para um ponto antes de finalmente deixar o “cômodo espelhado”. Inúmeras questões são levantadas aqui: será que a utilização da máquina de esporos duplicou a identidade de Stamets? Ou criou uma fenda para a fusão de multidimensões?

Em um show como este, qualquer possibilidade atrai infinitas outras. E caso continue neste incrível ritmo e segurança, o potencial da série será explorado até a última – e é exatamente isso o que os fãs desejam, mais que qualquer outra coisa.

Star Trek: Discovery – 01×05: Choose Your Pain (Idem, 2017 – EUA)

Criado por: Bryan Fuller, Alex Kurtzman
Direção: Lee Rose
Roteiro: Gene Roddenberry (baseado em Star Trek), Kemp Powers, Gretchen J. Berg, Aaron Herberts
Elenco: Doug Jones, Sonequa Martin-Green, Jason Isaacs, Michelle Yeoh, Rainn Wilson, James Frain, Terry Serpico, Anthony Rapp, Shazad Latif
Emissora: Netflix
Gênero: Ficção científica, Ação
Duração: 45 minutos

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Publicado por Thiago Nolla

Thiago Nolla faz um pouco de tudo: é ator, escritor, dançarino e faz audiovisual por ter uma paixão indescritível pela arte. É um inveterado fã de contos de fadas e histórias de suspense e tem como maiores inspirações a estética expressionista de Fritz Lang e a narrativa dinâmica de Aaron Sorkin. Um de seus maiores sonhos é interpretar o Gênio da Lâmpada de Aladdin no musical da Broadway.

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