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Crítica | Once Upon a Time – 6×12: Murder Must Foul

Once Upon a Time pode até ter deixado de lado seu objetivo de retornar às origens narrativas, mas o desenvolvimento de seus protagonistas parece não ter encontrado um fim ainda.

No décimo segundo episódio da sexta temporada, intitulado Murder Must Foul, Edward Kitsis e Adam Horowitz decidem resgatar uma história que há muito tempo já teve seu arco e sua evolução finalizados: o passado e a história de David (Josh Dallas) e seu irmão gêmeo, James. Confesso que, durante seus quarenta e dois minutos, poucas coisas realmente essenciais para a arquitrama desta segunda metade aconteceram, mas encarar este capítulo como um filler é definitivamente a saída certa.

Primeiramente, devemos nos relembrar da primeira temporada da série, com mais precisão no episódio The Shepherd, no qual descobrimos que a família Charming – antes de realmente ganhar o título real – havia sido desmembrada graças às ações destrutivas de Rumplestiltskin (Robert Carlyle). Acontece que Rei George (Alan Dale, que já não mostrava as caras na série desde a segunda temporada) precisava de um herdeiro para o trono e, deste modo, invocou as forças do Senhor das Trevas para realizar um acordo. Neste meio tempo, todos imaginávamos que o pai dos gêmeos havia sido encontrado morto depois de entrar em coma alcoólico, mas não foi exatamente isso o que aconteceu.

É necessário dizer que o ritmo do episódio é um pouco mais lento que o normal – e isso pode até causar estranhamento por parte do público, acostumado aos acontecimentos frenéticos e dinâmicos de Once Upon a Time. Entretanto, a escolha de desenvolver com mais calma pelos roteiristas Jerome Schwartz e Jane Espenson, que já trabalharam com os criadores da série em diversos episódios, é compreensível em certas partes, principalmente no tocante ao fechamento do arco de angústia e de entendimento de David.

Durante a primeira metade da sexta temporada, o alter-ego essencialmente amargurado da Rainha Má (Lana Parrilla) discorreu mais de uma vez sobre o engano que as aparências causam – e como todos os “finais felizes” na verdade estavam longe de acontecerem. O personagem de Dallas se tornou um dos protagonistas nessas narrativas entrelaçadas ao receber uma moeda de sua nêmese e definitivamente não saber o que fazer. Confesso que tal sequência foi apagada durante um tempo, mas foi recuperada de forma engajada para finalizar mais uma ponta solta.

Como já disse, a falta de responsabilidade do pai dos gêmeos sempre foi tema-base para as ações e valores que moveram tanto David quanto James na história. É claro, duas personalidades extremamente diferentes entraram em choque quando confrontadas pela primeira vez – em um episódio desnecessário na metade da quinta temporada -, indicando como o ambiente influencia na personalidade de uma pessoa. Agora, tudo se refuta: através de uma mensagem psíquica que desencadeia a sede por vingança do nosso “herói”, ele deseja descobrir quem o assassinou.

A narrativa é bem conduzida, e com uma montagem paralela que explora alguns detalhes necessários para a trama. Diferentemente de episódio anteriores, cujas sequências eram muito rápidas e não nos permitiam conectar com todo o potencial com a atmosfera do ambiente, aqui os diálogos entram em uma zona existencialista que divaga sobre a ética e a moral – e como tais vertentes da socialização podem cair em lugares perigosos quando nossos instintos de sobrevivência e proteção são postos à prova.

O grande ápice do episódio vem com o final. De acordo com a cronologia e com a própria revelação de informações, somos levados a crer que Rei George foi responsável pela morte sem misericórdia do pai de David – mas os twists de Once Upon a Time parecem ter voltado a encontrar voz em meio a tantas subtramas. Nos minutos finais, descobrimos que a esquadra de Hook (Colin O’Donoghue) encontrou o homem acorrentado, prestes a ser assassinado, e o próprio Capitão ficou encarregado de colocar fim à sua vida. “Homens mortos não contam histórias”, ele declara, antes de fincar a espada em seu peito.

Os outros protagonistas ficam ofuscados pelo foco em David e Hook, mas ainda assim pontos de suma importância para eventos futuros são explorados, mesmo que seja na superfície: Regina luta para ajudar Robin (Sean Maguire, vindo de uma realidade alternativa) a se encaixar em Storybrooke, mas a personalidade deste homem em nada se assemelha ao homem pelo qual se apaixonou. Ainda não é certo se a decisão de “reviver” tal personagem foi uma boa sacada, mas é necessário que outros episódios venham e mostrem como as resoluções serão alcançadas.

Murder Must Foul é, em sua conjuntura, um episódio superior ao seu predecessor, mas algumas falhas ainda são vistas. Caso o ritmo continue o mesmo, sabemos que Once Upon a Time voltou a acreditar em seu potencial – e tem grandes chances de se equiparar à sua temporada de estreia.

Once Upon a Time – 6×12: Murder Must Foul (Idem, 2017, Estados Unidos)

Criado por: Adam Kitsis, Edward Horowitz
Direção: Morgan Beggs
Roteiro: Jerome Schwartz, Jane Espenson

Elenco: Lana Parrilla, Josh Dallas, Jennifer Morrison, Ginnifer Goodwin, Jared S. Gilmore, Emilie de Ravin, Colin O’Donoghue, Sean Maguire, Robert Carlyle.
Gênero: Drama, Fantasia
Duração: 42 min.

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Publicado por Thiago Nolla

Thiago Nolla faz um pouco de tudo: é ator, escritor, dançarino e faz audiovisual por ter uma paixão indescritível pela arte. É um inveterado fã de contos de fadas e histórias de suspense e tem como maiores inspirações a estética expressionista de Fritz Lang e a narrativa dinâmica de Aaron Sorkin. Um de seus maiores sonhos é interpretar o Gênio da Lâmpada de Aladdin no musical da Broadway.

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