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Crítica | Once Upon a Time – 6×16: Mother’s Little Helper

Once Upon a Time mergulhou ainda mais fundo em sua mitologia – mas dessa vez, mergulhou pra valer.

Em Mother’s Little Helper, décimo sexto episódio da nova temporada, os criadores Adam Horowitz e Edward Kitsis decidiram que estava na hora de reabrir um dos arcos que sempre perscrutaram a própria identidade de uma das séries mais famosas da ABC: a dualidade entre a luz e as trevas. É um fato dizer que os maniqueísmos entre bem e mal nunca foram tratados com simplismo pelas inúmeras narrativas do show – e cada um dos personagens dos clássicos contos de fada recebeu um tratamento especial para que sua personalidade pudesse se elevar ao patamar arquetípico (é só nos lembrarmos das histórias não contadas da Rainha Má e de Branca de Neve, cuja atemporalidade se dá ao justo fato da suposição contraditória).

É inegável também dizer que tudo tem a sua origem – e o foco aqui é encontrar o início de toda a escuridão, encarnado pela Fada Negra (Jaime Murray). Desde o episódio piloto, o público foi apresentado a diversos feitiços das trevas e a personagens cuja bondade gradativamente foi engolida pelo desejo de vingança ou pela cruel simplicidade da escuridão. Aqui, as coisas tomam um rumo um pouco mais distorcido: mencionada desde a temporada de estreia, a Fada Negra é um ser formado pela essência das trevas e não carrega consigo nem um resquício de luz, contrariando o próprio conceito de equilíbrio cósmico.

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Sabemos que a Fada é mãe de Rumplestiltskin (Robert Carlyle) e que ela se tornou um dos principais gatilhos em sua vida ao abandoná-lo e deixá-lo à mercê de um pai transtornado – Peter Pan (Robbie Kay). E mais uma vez, a inclinação de Rumple à tragédia traz mais ciclos viciosos e angústia para os moradores de Storybrooke ao descobrir que seu filho Gideon (Giles Matthey) foi levado para um Reino distante e criado pela personalidade incisiva e manipuladora da Fada, durante vinte e oito anos.

Em Mother’s Little Helper, temos também a explanação de alguns pontos importantes para o entendimento da trama e para o desenrolar dos próximos capítulos: por exemplo, ainda era incerto a necessidade de Gideon em matar Emma (Jennifer Morrison) para sugar seus poderes e seu posto como Salvadora e conseguir reafirmar-se como herói. Entretanto, descobrimos que a Fada na verdade está em posse do coração de Gideon e ordenou matá-la para que, através de um complicado feitiço teletransportador, pudesse se livrar da prisão conhecida como Reino das Trevas e espalhar seu império obscuro no mundo que conhecemos.

Era de se esperar que outras perguntas surgissem com o final deste episódio: primeiramente, devemos levar em consideração de que Gideon é filho de Rumple e de Belle (Emilie de Ravin), dois corações opostos entre si e que, juntos, criaram a combinação perfeita entre luz e trevas, transformando o personagem supracitado em uma bomba de instabilidade prestes a explodir. Afinal, assim como Emma, Gideon é fruto do amor verdadeiro e pode ser influenciado tanto por forças benignas quanto malignas – e sua vivência de quase três décadas ao lado da Fada Negra deixou claras sequelas em sua personalidade e o tornou essencialmente atado a sua “mãe adotiva”.

Apesar disso, é possível que nem ele saiba o que ela deseja no futuro ou quais são seus planos. Once Upon a Time já trouxe antagonistas diversos a cada temporada, e todos tinham um objetivo específico, fosse na eliminação plena de um membro da família, na autoafirmação de superioridade ou até mesmo com a afabilidade do caos e o desejo de “ver o circo pegar fogo”. Agora, nos próximos cinco episódios antes do tão aguardado season finale, esperamos que Kitsis, Horowitz e seu time criativo traga pinceladas de originalidade ao mesmo tempo em que resgata um gancho digno das temporadas anteriores.

Em comparação a outros episódios, Mother’s Little Helper é um grande avanço, principalmente na complexidade narrativa e na segura direção de Billy Gierhart, cuja maior colaboração ocorreu na primeira e na segunda temporadas da série. As viradas no roteiro assinado por Paul Karp são emocionantes e conseguem manter a fidelidade do público à série – e dou ênfase aqui em sequências pontuais onde a contraposição de elementos é a base para uma construção equiparável aos melhores episódios de Once Upon a Time.

Once Upon a Time – 6×16: Mother’s Little Helper (Idem, 2017, Estados Unidos)

Criado por: Adam Horowitz, Edward Kitsis
Direção: Billy Gierhart
Roteiro: Paul Karp

Elenco: Lana Parrilla, Josh Dallas, Jennifer Morrison, Ginnifer Goodwin, Jared S. Gilmore, Emilie de Ravin, Colin O’Donoghue, Sean Maguire, Robert Carlyle, Rebecca Mader
Gênero: Drama, Fantasia
Duração: 42 min.

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Publicado por Thiago Nolla

Thiago Nolla faz um pouco de tudo: é ator, escritor, dançarino e faz audiovisual por ter uma paixão indescritível pela arte. É um inveterado fã de contos de fadas e histórias de suspense e tem como maiores inspirações a estética expressionista de Fritz Lang e a narrativa dinâmica de Aaron Sorkin. Um de seus maiores sonhos é interpretar o Gênio da Lâmpada de Aladdin no musical da Broadway.

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