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Crítica | Once Upon a Time – 6×17: Awake

Parece que nossos personagens ainda têm muitos segredos a serem revelados.

É um fato dizer que Once Upon a Time sempre trabalhou com o conceito de memória das maneiras mais distorcidas e absurdas possíveis. Desde sua primeira temporada, os protagonistas da série se viram frente a frente com um inimigo praticamente incontrolável e instável: suas próprias mentes, capazes de serem manipuladas de inúmeras formas e criarem o que chamamos de alteregos (personalidades contraditórias dentro de uma mesma pessoa). A identidade de um dos shows mais famosos da ABC esteve ligado desde o princípio com este jogo complicado de ser traduzido em diálogos dramáticos sem os clichês do gênero e sem nuances novelescas que cansam os espectadores.

A partir da primeira season finale, os criadores Edward Kitsis e Adam Horowitz optaram por trazer mais elementos à série, incluindo personagens inesperados e outras subtramas que adicionassem complexidade aos temas-base e às metáforas que a perscrutavam. A partir daí, tivemos a inclusão de diversos vilões e heróis que variavam da Bruxa Má do Oeste até a Rainha de Gelo, e Robin Hood até Cruella de Vil. Todos sempre com passados obscuros a esconder e que nos eram revelados capítulo após capítulo.

Mas também é um fato dizer que as viradas, as consequências e as resoluções de atos cada vez mais importantes começaram a perder o brilho e cair na mesmice após o quinto ano. A própria qualidade das narrativas deu espaço para um grande amontoado de histórias cruzadas e sem nexo que causavam tudo, menos contentamento por parte dos fãs. A aposta do time criativo de aumentar o número de personagens começou a apresentar muitos problemas, principalmente no tocante à saturação: diferentemente da temporada de estreia, tudo começou a se arrastar no seu ritmo mais lento e a causar um torpor insuportável, iniciando arcos novos que se contradiziam e que acabavam dentro de quarenta e dois minutos, sem ao menos explicar ou amarrar pontas soltas.

Qual foi o alívio ao saber, durante um dos muitos painéis de imprensa realizado pelo time, que Once Upon a Time iria voltar às suas origens, explorando algumas das brechas dos contos clássicos para retomar sustância e a nostalgia que tanto cativaram os fãs nos anos anteriores. E foi através de deslizes e acertos que Kitsis e Horowitz nos entregaram uma temporada satisfatórias e que, infelizmente, está chegando ao seu fim – mas não antes de adicionar um toque a mais de magia e de obscuridade com este décimo sétimo episódio, intitulado Awake.

Nesta nova iteração, esperávamos algo focado ainda mais nos objetivos obscuros da Fada Negra (Jaime Murray), a real vilã desta nova metade que desde os primeiros capítulos da série já se mostrou como um perigo para tudo e para todos; afinal, a escuridão e todos os seus corolários (incluindo a maniqueísta luta entre o bem e o mal) se originaram de sua alma e de seus desejos distorcidos. Entretanto, sua aparição é relativamente deixada de lado para um bem maior: a história não contada de Snow (Ginnifer Goodwin) e David (Josh Dallas), protagonistas de uma das melhores subtramas da temporada em Heartless (6×07).

Ao que tudo indica, a Maldição Negra, lançado pela Rainha Má/Regina Mills (Lana Parrilla) logo no episódio piloto, veio com algumas brechas. De acordo com o que já fomos apresentados, apenas ela sabia de tudo o que havia acontecido na Floresta Encantada e conhecia cada um dos habitantes de Storybrooke; mas “o Destino trabalha de formas inusitadas” e toda esse segurança e essa maleficência foram justamente o que possibilitou a Snow uma momentânea saída daquela prisão nefasta.

Em outras palavras, o “casal 20” de Once Upon a Time já havia recobrado a memória e tiveram um momento de glória ao poderem finalmente enfrentar seus inimigos, incluindo a presença não tão assustadora de Rumple, encarnado como o Sr. Gold (Robert Carlyle) e a própria fragilidade de seus companheiros, como os sete anões, Gepetto, o Grilo Falante e outros. Afinal, eles poderiam muito bem ter escolhido sair da cidade e se reunir com Emma (Jennifer Morrison), deixando para trás um passado sombrio e retornando com esperanças de construir uma nova vida. Mas a profecia proferida pelo Senhor das Trevas deixava claro que a Salvadora só retornaria para a batalha final quando completasse 28 anos – e qualquer obstáculo que impedisse isso de acontecer manteria todos congelados no tempo para sempre.

E como já sabemos, toda ação tem sua reação: David é o primeiro a se lembrar de sua real vida na Floresta Encantada, e desencadeia um efeito dominó que alcança Rumple – provavelmente explicando o motivo dele saber quem é já na primeira temporada, ao lado de Regina. Snow, por outro lado, reencontra-se com seu amor verdadeiro de forma ligeiramente rápida, mas compreensível, dado o tempo em que essas histórias devem ser contadas. Além disso, outras revelações são feitas: afinal, o público foi levado desde a estreia da série a acreditar que a batalha final deveria ser travada entre a Rainha Má e Emma – mas estávamos todos enganados: a real protagonista da série estava apenas sendo preparada para algo muito maior. A luta não é entre bem e mal, e sim entre luz e trevas.

Awake se mostrou como um episódio muito competente. Apesar de se afastar da identidade narrativa desta midseason e funcionar como um filler, sua trama desperta lembranças de alguns pontos soltos de anos anteriores, além de fornecer explicações que englobam toda a série e que podem indicar que a sexta temporada seja a última.

Once Upon a Time – 6×17: Awake (Idem, 2017, Estados Unidos)

Criado por: Adam Horowitz, Edward Kitsis
Direção: Sharat Raju
Roteiro: Andrew Chambliss, Leah Fong

Elenco: Lana Parrilla, Josh Dallas, Jennifer Morrison, Ginnifer Goodwin, Jared S. Gilmore, Emilie de Ravin, Colin O’Donoghue, Sean Maguire, Robert Carlyle, Rebecca Mader
Gênero: Drama, Fantasia
Duração: 42 min.

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Publicado por Thiago Nolla

Thiago Nolla faz um pouco de tudo: é ator, escritor, dançarino e faz audiovisual por ter uma paixão indescritível pela arte. É um inveterado fã de contos de fadas e histórias de suspense e tem como maiores inspirações a estética expressionista de Fritz Lang e a narrativa dinâmica de Aaron Sorkin. Um de seus maiores sonhos é interpretar o Gênio da Lâmpada de Aladdin no musical da Broadway.

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