em ,

Crítica | The Walking Dead – 07X16: The First Day of the Rest of Your Life

nota-3

Obs: O texto a seguir contém spoilers e a revolta de um fã entristecido. 

A chegada até aqui foi longa. O caminho, tortuoso e frustante. Se por um lado a temporada iniciou com um épico estudo psicológico, com uma fantástica analogia religiosa envolvendo Abraão e o sacrifício por seu filho (Rick e Carl, no caso), ela se encerra carente de atingir seu potencial.

Scott M. Gimple aqui tinha a oportunidade perfeita de impressionar os fãs, sair da mesmice chata, e nos surpreender com alguma reviravolta absurda. Porém, o showrunner decide o contrário e assumir a previsibilidade, e faz de maneira ignorante, com um ar de que o resultado está perfeito. Nas redes sociais, é visível a revolta do público, com comentários comemorativos até mesmo acerca da morte de Sasha – um reflexo do péssimo trabalho de personagens ao longo da temporada.

A situação chegou a tal ponto que é difícil até mesmo se importar com os protagonistas, seja para bem ou para mal. Se estão estáticos, nos irritamos, mas se resolvem agir, confrontar uma situação de perigo, não compramos a situação.

Quando Sasha cometeu a estupidez de adentrar o Santuário, foi consumado seu fim no programa, só não sabíamos como ocorreria. Na semana passada, em Something They Need, a personagem bolou um falho plano para tentar algum ataque contra Negan, e o resto da história já sabemos. The First Day of the Rest of Your Life tem como ponto de partida esta trama em específico. O episódio começa com um close no rosto de Sasha, a qual adormece logo em cena. E assim o episódio segue de forma não linear até a chegada dos Salvadores em Alexandria, quando a personagem então sai de seu caixão em forma de zumbi. Até este ponto, o roteiro satisfaz com alguns flashbacks intimistas envolvendo Sasha e Abraham, que tenta causar certa emoção com o acontecimento a seguir. Nem sua morte nem sua saída do caixão conseguem o efeito, no entanto. Há uma certa culpa por parte da direção neste ponto, pois a decupagem morna em nenhum momento procura algum feeling.

Um pouco antes da dita “ressurreição”, há uma reviravolta envolvendo Jadis e seu povo. É certo que o grupo é bem misterioso, e seus propósitos nunca ficaram muito claros, mesmo após aliarem-se a Rick, porém a traição aos alexandrinos aqui neste episódio funcionou mais para uma criação fraca de cliffhanger. Pois, afinal, quando a ação começa, é digna de dar inveja a coregrafia da trilogia Batman de Nolan, especificamente quando criminosos estão passivos em cena. Por exemplo, quando o tiroteio começa, Carl está encurralado por pelo menos quatro do grupo de Jadis, no entanto, sai ileso da situação. E não é só ele que parece ter podere contra tiroteios, visto que todo o elenco não sofre nenhum dano. Ver o caminhão de Negan sair tranquilamente sem nenhum efeito também foi algo lamentável, para carimbar ridículo, o personagem ainda faz um gesto obsceno.

Além disso, por que não aproveitar e matar alguns personagens que não servem mais à trama? Figuras como Eugene, Tara e Aaron poderiam facilmente serem expurgados, proporcionando o senso de urgência que o programa sempre teve. Matar “bonecos” alheios em nada agrega ao espectador. A luta de Michonne e uma inimiga também sofre do mesmo problema, o tom da cena a todo instante deixa claro que a primeira ganhará o duelo.

A direção em todo momento da pequena batalha é fraca, não se arriscando em planos longos ou mais chamativos. A fotografia, sem vida. A coreografia, nada criativa, torna difícil entender onde cada personagem está dentro da cidade. Outro problema é a geografia da série (algo que se extendeu ao longo da temporada), a distância entre uma comunidade ou outra é muito mal explorada. Não há mais aquela sensação de outrora de estarmos dentro de um cenário pós-apocalíptico. É perceptível que a série vem tendo problemas com orçamento.

No entanto, o ápice do episódio não se trata apenas de erros, há alguns momentos aproveitáveis. Novamente, Carl e Rick ficam à mercê de Negan. Aqui o protagonista e vilão se confrontam, ambos de paciências perdidas: Rick solta o ódio que está entalado de sua garganta sem nenhum temor, enquanto Negan decide matar Carl de vez. Porém, quendo Lucille quase é usada, uma inesperada Shiva surge atrás de Negan (infelizmente, a tigresa mata mais um qualquer). Ezekiel, carinhosamente chamado de “Ezekimito” por meu colega Leandro, surge então com sua imponência de rei bradando um emocionante “Alexandria não cairá, não hoje!”

Outro bom aproveitamento do episódio é envolvendo os personagens Morgan e Carol. O primeiro, de discurso e filosofia de vida saturados, finalmente sofre alguma evolução quando entra em cena colaborando com Rick. Já a segunda, a qual aderiu também um estilo de vida entediado mas nunca bem estabelecido, uma tentativa fraca de drama maior que acaba por se tornando desinteressante, volta à rotina de sempre ajudando seus colegas.

No mais, é inacreditável como o programa se perdeu, em vários aspectos. Scott M. Gimple deve tomar decisões drásticas para a oitava temporada, ou, senão, cairá em desgraça. Permita-me dar uma sugestão: Ao contrário do retorno estar marcado para outubro que vem, um adiamento para cinco meses depois seria bem-vindo. Outra atitude prudente seria a troca do formato de episódios, que poderiam ser reduzidos em 10 ou até mesmo 8. Fim dos importunos hiatos. E, também, logo no início do novo ano, deve-se largar a chamada safezone e dar fim em alguns personagens. Acima de tudo, uma troca de Gimple por alguém mais competente.

Enfim, previsível e quase sem gosto, não há outro termo para definir esta season finale a não ser decepcionante.

The Walking Dead – 7X16: The First Day of the Rest of Your Life — EUA, 2 de abril de 2017
Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: Greg Nicotero
Roteiro: Scott M. Gimple
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Sonequa Martin-Green, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Jordan Woods-Robinson, Katelyn Nacon, Corey Hawkins, Kenric Green, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, R. Keith Harris, Khary Payton, Karl Makinen, Logan Miller, Austin Amelio, Christine Evangelista, Steven Ogg, Debora May, Sydney Park, Mimi Kirkland, Briana Venskus, Nicole Barré, Pollyanna McIntosh, Jeffrey Dean Morgan
Duração: 44 min.

Escrito por Kevin Castro

O que você achou desta publicação?

Publicado por Redação Bastidores

Perfil oficial da redação do site.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.