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Crítica | The Walking Dead – 08X01: Mercy

O episódio 100 de The Walking Dead chegou, e com ele o início da nova temporada do seriado. Após a temporada anterior ter sido duramente criticada por seu ritmo arrastado, o que levou muitos espectadores, inclusive a mim, a sentir um certo desânimo em continuar acompanhando a série, temos um episódio que, se não se aproxima do nível de The Day Will Come When You Won’t Be, ao menos consegue apresentar um ritmo regular como um todo, embora a existência de mais de uma linha temporal de eventos pudesse indicar que haveriam problemas nesse sentido.

Dando continuidade aos eventos finais de The First Day of the Rest of Your Life, o que mais chama atenção no episódio é sua estrutura. Temos nada menos que quatro linhas de eventos. A linha principal, envolvendo a preparação e o ataque do grupo de Hilltop, Kingdom e Alexandria a base dos Salvadores, que constantemente intercalava entre o momento de decisão do ataque, com direito a discursos pomposos de pouca utilidade por parte dos líderes de cada comunidade, com a preparação e o posterior ataque em si, onde, apesar de ter a estratégia montada pelo grupo, com direito a auxílio do agora agente duplo Dwight, fazer sentido e ser bem executado, ainda que nada memorável por conta da quase total ausência de perigo ao grupo de Rick, é possível deixar de notar algumas soluções simples de roteiro, como o fato de Tara e Carol encontrarem uma imensa horda de zumbis indo em direção ao perímetro próximo a base dos Salvadores, o que serviu como forma de manter Negan e seus homens presos em sua base, para que o grupo pudesse atacar as outras bases do grupo inimigo. Outro ponto no mínimo estranho dessa invasão se dá no momento em que Negan e seus tenentes resolvem aparecer completamente desprotegidos, a frente da mira das armas do grupo rival. Após os eventos do último episódio da temporada anterior, esperava-se uma maior consciência do vilão sobre a influência que o medo imposto por ele ainda causava.

A outra linha de eventos do episódio, ao menos a princípio, mostrou-se muito mais uma oportunidade de homenagear o episódio número 100 do seriado do que algo com o propósito de avançar a narrativa. A homenagem se dá em dois momentos. Primeiramente, vemos Carl chegando a um posto de gasolina abandonado. Todo o trajeto que Carl faz enquanto anda no meio dos carros é mostrado através de enquadramentos que remetem diretamente aos enquadramentos utilizados no início do primeiro episódio da série, em um momento onde ainda estávamos sendo apresentados ao policial Rick Grimmes. O sentimento de nostalgia trazido por toda essa sequência é interrompido pela aparição de um personagem desconhecido, o qual começa a falar algumas palavras sobre misericórdia. Porém, ele acaba interrompido por Rick, que o faz fugir. Uma linha de diálogo entre Rick e Carl acerca do que ocorreu, com Carl dizendo que somente esperança não basta, e temos uma nova homenagem, representada na figura de uma zumbi loira, a mesma zumbi que Rick encontra no início do mesmo primeiro episódio citado anteriormente, alguns anos mais velha.

Se as duas linhas anteriores trazem eventos que parecem transcorrer em um período de tempo próximo, as outras duas trazem imagens que parecem remeter a eventos futuros da série, principalmente as relacionadas a um Rick mais velho, de barba branca. Essas imagens aliás já haviam sido vistas nos trailers que antecederam essa temporada. Nada muito revelador, apenas vislumbres de um possível futuro, após o fim da guerra contra Negan. Pouco é mostrado, com a câmera focando exclusivamente na expressão de um Rick que parece cansado, com um olhar abatido e os cabelos desgrenhados. Separadamente, essas sequências podem parecer desconexas, porém, como a exibição de uma sequência sempre estava atrelada a outra, podemos inferir que a sequência do olhar de Rick se trata de algum momento de virada, ou para o personagem ou para o próprio arco das Hqs que a série está adaptando, uma vez que, ao final de Guerra Total, há um salto temporal.

Por incrível que pareça, a existência de múltiplas linhas temporais pouco atrapalha o ritmo do episódio, exceto no momento da primeira aparição de Negan, onde há uma súbita inserção de novas sequências do “possível futuro”, envolvendo o Rick mais velho. Fora esse momento, a inserção dessas sequências pouco interferiu no ritmo do episódio como um todo.

Do ponto de vista dos personagens, temos Rick recebendo uma maior atenção do roteiro, principalmente na inserção de um conflito interno ao personagem causado pelas ações de Negan. Esse conflito é exposto no decorrer do episódio, mas, cito dois momentos em especial para exemplificar, os quais o padre Gabriel esteve diretamente relacionado, mostrando uma distância cada vez maior do personagem egoísta e covarde visto no início. Em um diálogo, momentos antes da partida para a invasão, Rick comenta com o padre sobre como aquilo não é sobre ele, recebendo de volta palavras confirmando, dizendo inclusive que isso é mérito de Rick. Porém, ao final do episódio, quando o grupo de Rick está batendo em retirada após a chegada dos zumbis, o personagem vê Negan e não hesita em atirar continuamente, mesmo com a fuga do grupo, sendo necessária a intervenção de Gabriel para lembra-lo novamente de que aquilo não é sobre ele. Preocupante ver que o personagem encontra-se em uma situação delicada, após acabar ficando trancado no mesmo local que Negan, que também estava se escondendo dos zumbis, por conta de uma atitude que faz jus ao título do episódio, já que o aprisionamento ocorre momentos após o personagem ter tentado ajudar Gregory a fugir, instantes após o mesmo ter dito aos moradores de Hilltop para confirmarem lealdade aos Salvadores. Novamente, não deixa de ser interessante ver a evolução do personagem.

Após tanto alarde por parte de seus produtores, não deixa de ser decepcionante o resultado entregue pelo episódio 100. Não foi um episódio de todo ruim, mas até pelo caráter comemorativo, esperava-se mais do que pequenas referências a episódios anteriores para enriquecer a ocasião. Mercy deu o pontapé inicial da nova temporada de The Walking Dead trazendo o início do contra-ataque de Rick a Negan, porém, me parece que somente a Guerra Total não será suficiente para sustentar toda uma temporada. Resta-nos aguardar os próximos episódios, e torcer para que a série retome a qualidade e constância a muito perdidas.

The Walking Dead – 8X01: Mercy — EUA, 22 de outubro de 2017
Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: Greg Nicotero
Roteiro: Scott M. Gimple
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Jordan Woods-Robinson, Katelyn Nacon, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, R. Keith Harris, Khary Payton, Karl Makinen, Logan Miller, Austin Amelio, Christine Evangelista, Steven Ogg, Jeffrey Dean Morgan.
Duração: 44 min.

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Publicado por Andrey Hugo

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