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Crítica | Westworld – 01×03: The Stray

nota-4,5

Spoilers!

O caldo está engrossando em Westworld.

The Stray tem início quando um dos Anfitriões sai de controle e perde-se no gigantesco mapa do parque, levando Elsie (Shannon Woodward) e Stubbs (Luke Hemsworth) à sua procura. Parece ser mais um indício do problema que anda afetando lentamente cada vez mais Anfitriões do parque, para aumentar ainda mais a paranóia de Bernard (Jeffrey Wright), que mantém às escuras uma série de sessões com Dolores (Evan Rachel Wood), onde lhe questiona sobre suas mudanças de comportamento e a iminência de suas memórias.

É bem evidente que uma insurreição está engatinhando para acontecer. O mistério fica ainda mais intrigante quando estamos nos núcleos de Dolores e Bernard. A primeira claramente está sendo influencida por uma identidade nebulosa, seja pelas vozes em sua cabeça, os flashes de memória ou sua nova habilidade de usar uma pistola – quebrando sua Narrativa pré-estabelecida onde sua casa era atacada por pistoleiros à noite. É uma sequência poderosa que ganha força graças à impressionante performance de Wood, cujo estonteamento com suas ações é nítido ao explodir a cabeça de um agressor, assim como a direção firme de Neil Marshall.

Já o segundo tem uma importante peça do quebra-cabeças em mão: um diálogo revelador com Ford (o sempre excelente Anthony Hopkins) traz em evidência o nome de Arnold, que fora citado constantemente por um dos Anfitriões com defeito; como se este “conversasse” com esta figura imaginária. Ford então nos introduz a um ótimo flashback onde vemos os primeiros dias de Westworld, revelando Arnold como seu sócio que acabou morrendo no parque. Seu erro? A insistência na construção de uma insistência dos Anfitriões. Mas com tudo o que está acontecendo, não me surpreenderia se o tal Arnold estiver vivo em algum lugar, e parece uma aposta certeira de que ele de alguma forma está relacionado com os surtos de memória dos Anfitriões. E se o Homem de Preto vivido por Ed Harris for Arnold?

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Desde Lost não tínhamos essa série de questões, e isso é um dos aspectos mais maravilhosos de Westworld. The Stray ainda nos trouxe um merecido destaque para Teddy Floods (Richard Marsden), que ganha um novo e violento elemento para sua narrativa; parte de um plano maior ainda oculto por Ford. Tal inclusão nos leva a uma sequência tensa onde Teddy lidera um grupo de Anfitriões e Recém-Chegados para uma caçada noturna, buscando um perigoso mercenário que usa máscaras para aumentar sua reputação. Marshall dirige a sequência com habilidade, especialmente em seu ritmo lento e a fotografia soturna de Robert McLaclhan. No mesmo tom, a cena em que Stubbs e Elsie são surpreendidos pela reação nada comum do Anfitrião foragido é verdadeiramente assustadora.

De núcleos restantes, infelizmente não tivemos nada novo envolvendo a misteriosa missão do Homem de Preto. Só tivemos flashes de sua participação durante as memórias de Dolores, mas ganhamos uma ótima sequência envolvendo William (Jimmi Simpson). Finalmente “entrando na brincadeira”, William acaba salvando uma das prostitutas (Angela Sarafyan) de um criminoso, e se empolga para iniciar a caçada a um procurado – para desdém de seu amigo Logan (Ben Barnes), mais preocupado em sexo e bebidas. O desfecho do núcleo da dupla nesse episódio promete rumos interessantes, além de desbancar a teoria popular de que William seria uma versão passada do Homem de Preto.

Pode não ter sido um episódio perfeito como seus antecessores (confesso que as sessões de Bernard com Dolores começam a soar redundantes), mas The Stray faz um excelente trabalho ao expandir ainda mais o universo de Westworld e implantar mais dúvidas e mistérios em nossas cabeças. Os rumos que a série promete tomar a partir dos eventos deste episódio são promissores, e eu mal posso esperar pra ver o que vem à frente.

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Publicado por Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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