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Crítica | Westworld – 01×06: The Adversary

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nota-4,5

Spoilers!

Depois de semanas concentrada praticamente em seus Anfitriões, Westworld voltou seus olhos consideravelmente para os bastidores do parque e o drama humano. Não tivemos nada do núcleo de Dolores (Evan Rachel Wood), William (Jimmi Simpson) e Logan (Ben Barnes), mas nem por isso The Adversary perdeu seu charme; pelo contrário, tivemos um dos mais esclarecedores e melhores episódios da temporada até agora.

Começamos um pouco depois da arrasadora reviravolta do episódio anterior, com Maeve (Thandie Newton) enfim assumindo total controle de sua consciência enquanto no parque, “escolhendo” a morte a fim de despertar no laboratório com Felix Lutz (Leonardo Nam) e obter respostas sobre sua real natureza. Esse arco rende um dos momentos mais incríveis da série, graças ao roteiro forte de Jonathan Nolan e Hayley Wegryn Gross, que parecem de vez libertos do caráter slow burn e colocam Maeve em absoluto controle da situação. Newton entrega uma excelente performance aqui, com um misto de espanto e fascínio ao descobrir sua origem como uma Anfitriã construída e programada por outros, rendendo ainda um “tour” pelos diferentes cantos do setor de controle do parque, embalado por uma peça sinfônica apropriadamente triste e marcante do genial Ramin Djawadi – pouco falei do trabalho do compositor na série, mas que fique claro que é algo irretocável.

O arco vai até o ponto de colocar Maeve evoluindo rapidamente, culminando no ótimo cliffhanger onde ela exige que sua autoconcepção (AKA, a inteligência dos Anfitriões) seja elevada para o nível máximo de funcionamento. É algo que certamente trará um novo rumo e ritmo para a série, e mal posso esperar para ver as consequências disso. É o começo da Insurreição das Máquinas? O dia do Julgamento Final chegou a Westworld?

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Em níveis de comando mais acima, tivemos um avanço notável na investigação de Bernard (Jeffrey Wright) e Elsie (Shannon Woodward) quanto ao misterioso transmissor encontrado no braço do Anfitrião Desgarrado do terceiro episódio, revelando a nós que alguém de dentro do parque está envolvido com algum tipo de espionagem industrial. Isso rendeu algum dos momentos mais tensos do episódio, especialmente quando Elsie adentra um antigo teatro abandonado a fim de encontrar respostas, e a fotografia de Brendan Galvin realça com perfeição os objetos e bonecos quebrados do local – tornando-os ainda mais sinistros graças à composição da luz. No fim, acabamos descobrindo que é ninguém menos do que Theresa (Sidse Babett Knudsen) quem está envolvida na espionagem, mas que que alguma outra identidade obscura têm alterado o comportamento e as narrativas de diversos Anfitriões no parque. Novamente temos a suspeita do tal Arnold, e fico curioso para ver logo o que acontece após o brutal encontro entre Elsie e uma figura não identificada no local inóspito…

O arco de Theresa também trouxe de volta Lee Sizemore (Simon Quarterman), que estava ausente da série desde seu esculacho ao final de Chestnut. Aliás, isso mostra como Westworld é excepcionalmente eficiente na retirada e inserção de seus personagens (obviamente, seria uma bagunça estrutural enfiar tantas narrativas e personagens ao mesmo tempo), e o retorno de Sizemore traz de volta a sagacidade do personagem e até um pouco de humor, principalmente com a introdução da personagem de Charlotte Hale, uma das diretoras do Conselho de Dale, vivida pela sempre radiante Tessa Thompson. Vai ser interessante agora observar os próximos passos de Theresa, e também como Bernard reagirá após a revelação, que o coloca em choque diretamente com Ford (Anthony Hopkins).

E por falar nele, tivemos – pra variar – excelentes momentos com o personagem de Hopkins. Descobrimos que o grande idealizador mantém quatro Anfitriões não registrados sob sua supervisão, e aqui a coisa fica mais interessante: são Anfitriões da primeira geração construídos por Arnold (aliás, aprendemos que existem exatos 47 Anfitriões desse tipo ativos no parque) antes de sua suposta morte, e foram feitos para servir de réplicas à infância de Ford. Exato, nosso criador tem versões robôs dele mesmo e de sua família andando por aí. Isso já ganha pontos pelo elegante simbolismo e também para adicionar uma camada de complexidade ainda mais profunda ao personagem, que literalmente mantém seu passado andando vivo por aí. Mais importante, percebemos mais sinais da interferência de Arnold quando Ford realiza uma sessão com sua versão criança, que revela estar ouvindo vozes de Arnold e iniciou um comportamento de sua própria agenda.

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Por último e menos importante, infelizmente não tivemos algo realmente empolgante com o Homem de Preto (Ed Harris) nesta semana. Ainda com Teddy Floods (James Marsden) a caminho do misterioso Labirinto, a dupla acaba tendo de fazer um desvio quando descobrem uma interferência em Pariah. Aliás, esse pequeno detalhe talvez seja importante para desbancar de uma vez por todas a teoria de que o HdP e William são a mesma pessoa: essa interferência em Pariah pode ter sido causada justamente pelo tiroteio e confusão que William e Dolores causaram no episódio anterior, logo justificando que as ações dos dois arcos ocorrem simultaneamente na mesma linha temporal. Mas bem, sempre questione tudo quando se trata de Westworld

Voltando à HdP e Teddy, os dois acabaram prisioneiros de uma Infantaria que acaba reconhecendo Teddy e ligando-o ao massacre cometido por Wyatt. O que se segue então é uma boa sequência de ação onde os dois conseguem fugir e iniciam um tiroteio devastador, mas confesso que a mise em scène do diretor Frederick E.O. Toye falta imaginação e o dinamismo que vimos outros nomes realizarem muito bem em outros episódios. Em outras palavras, foi o arco filler da semana.

The Adversary foi um episódio que beirou a perfeição, só pecando na ausência de eventos consideráveis na jornada do HdP. Com exceção desse pequeno deslize, trouxe o melhor que Westworld é capaz de oferecer, com a progressão na resolução dos mistérios em torno dos bastidores do parque, os esquemas ocultos e, principalmente, a tomada de consciência dos Anfitriões. É, de longe, o caminho mais empolgante que a série vem percorrendo, e ele acaba de ficar mais interessante.

 
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Publicado por Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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