Segundo um extenso artigo do Indiewire, Christopher Nolan quer ir na contra-mão da indústria atual e voltar a usar antigas práticas, como o uso do filme e a projeção em película.

Depois que a projeção digital chegou aos cinemas de Hollywood, nunca mais se ouviu falar de uma projeção em 35mm. Isso ficou restrito apenas para os cinéfilos que moram perto de museus ou de teatros que guardaram os matérias necessários para a projeção. E por conta disso, Christopher nunca havia conseguido convencer os estúdios a gravar novamente com filme. Até Dunkirk.

Por esse motivo, o filme Os Oito Odiados de Quentin Tarantino foi muito importante. Afinal, o diretor conseguiu chegar muito perto do sonho de Nolan, com as projeções de seu longa em 70mm. Algo que também já era considerado defasado. E essa opção ajudou bastante o longa de Tarantino, já que, mesmo não alcançando o faturamento de seus filmes anteriores, os números das projeções em 70mm bateram alguns recordes para o formato – em mais um sinal claro do retorno dess preciosismo.

Nolan, que sempre foi um defensor de filmagem usando filme e projeções maiores como a de 70mm e IMAX, já chegou a dizer que Hollywood não deixou esses formatos de lado por conta da qualidade, mas porque o digital havia salvado o dinheiro dos estúdios. Isso porque o processo fotoquímico para revelação de filme é mais caro, e tudo o que se faz no digital é mais rápido, prático e eficiente no sistema mercadológico da indústria hollywoodiana. Aproveitando a deixa, é sempre bom recomendar o essencial documentário Side by Side, que discute exatamente essa transição do analógico para digital na cinematografia americana, e traz depoimentos do próprio Nolan.

Por isso fez questão que Dunkirk fosse exibidos em alguns dos cinemas que ainda tinham os projetores de 70mm, que também serviram para o período de estreia de Os Oito Odiados. Tudo isso ajudou a tornar o filme de Nolan o maior lançamento em 70mm dos últimos 25 anos, com o longa estreando em 125 salas nesse formato (o filme de Tarantino estreou com 100, em 2015) e oferecendo uma experiência mais imersiva e que dispense ferramentas mais distorcivas como o 3D.

A tradição da película nunca esteve tão viva, e Christopher Nolan é um dos grandes responsáveis.