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Entrevista | Escola SAGA e o mercado de design de jogos no Brasil

Estando em seu 15º ano no mercado, a escola SAGA introduziu os cursos de desenvolvimento de games no Brasil, tornando-se pioneira no mercado digital nacional e expandindo seu império ao longo de todo esse tempo. Com unidades agora localizadas em todo o Brasil, a companhia também é conhecida por seus inúmeros cursos de efeitos especiais, arte digital, animação em 3D, tendo como objetivo a preparação de seus alunos para o ambiente profissional.

Na última sexta-feira (10), o Bastidores teve o prazer de conversar com Jonatas Freire, coordenador acadêmico da unidade do bairro Tatuapé, localizado na Zona Leste de São Paulo. Confira nossa entrevista na íntegra abaixo:

BASTIDORES: Qual a história da SAGA?

JONATAS: A SAGA já está há quinze anos no mercado. Ela nasceu como uma escola de softwares simples, de Word, Excel, Windows, e nós vimos a oportunidade de investir num mercado que não estava sendo explorado, de computação e games. Então quinze anos atrás, a gente abraçou essa brecha e ser pioneiro no mercado, além de fomentar uma indústria que basicamente não existia no Brasil.

B: Como você disse, o mercado de design de jogos no Brasil não existia. Quais foram os principais obstáculos enfrentados?

J: Foi justamente isso mesmo. A falta de empresas que trabalhassem com essa parte do mercado, voltada para o entretenimento, mais naquela época. Tudo era importado dos outros países, havia a falta de investidores e impostos taxados pelo governo que não ajudavam na criação de uma indústria desse gênero no país… Essa série de coisas foram os principais problemas enfrentados no início, mas agora a gente tem um resultado considerável de mudança, ainda mais depois de quinze anos.

B: Quantos alunos em média vocês têm por módulo?

J: Os cursos aqui na SAGA têm duração de dois anos. Nesta unidade, nós temos uma média de 2300, 2400 alunos. Ao todo, temos por volta de 15 mil a 18 mil.

B: E vocês estão localizados apenas em São Paulo?

J: Não, estamos espalhados pelo Brasil inteiro. No Nordeste temos unidades em Salvador, Recife; estamos em Goiânia, Brasília, Belo Horizonte. São 13 localidades no geral, mas pretendemos abrir mais portas no futuro.

B: Em relação aos cursos, a SAGA opta por uma abordagem mais específica ou prefere abranger o gênero do design digital?

J: Aqui temos três cursos principais: em São Paulo, apenas dois deles são ministrados. O primeiro é o Start, que é voltado para artes digitais no geral, computação gráfica, no qual o aluno tem uma visão geral sobre os softwares e como o mercado funciona, seja para trabalhar na área de publicidade, videomaking, cinema, canais pra YouTube, a parte de ilustração… Esse é um curso que fala sobre tudo justamente para dar um start na carreira no aluno. Além disso, também temos o nosso curso principal, que é oPlayGame, voltado especificamente para games e tem duração de dois anos, nos quais eles um projeto de desenvolvimento de jogos do começo ao fim.

B: Os jogos que os alunos desenvolvem saem direto para o mercado? Vocês têm parceria com alguma outra empresa para que isso aconteça?

J: A gente tem algumas empresas que entram em contato conosco, mas não é nenhuma parceria oficializada. Por estarmos há bastante tempo no mercado, eles acabam por nos procurar pedindo indicações, mas muito dos alunos hoje optam por fazer o “jogo do sonho” deles, por assim dizer, um próprio estúdio indie, e lançá-lo no mercado. Então, se pegarmos feiras como a BGS (Brasil Game Show), você tem espaços para jogos indies, expositores indies, e você pode sair perguntando e ver que boa parte dos novos estúdios saíram da SAGA, partiram de grupos daqui e conseguiram se virar e monetizar isso muito bem, aplicando no mercado. Sentimos muito orgulho, inclusive, de termos fomentado esse espaço. Mas além disso, temos alguns alunos que saem daqui e são chamados por grandes indústrias, sim.

B: Como você disse, a SAGA foi pioneira para fomentar o entretenimento digital no Brasil. Mas hoje, quais são os obstáculos que os alunos enfrentam ao sair daqui? Ainda existe uma evasão considerável de profissionais do meio para o mercado internacional?

J: Acho que o primeiro pontapé é sempre o passo mais difícil. Se estabelecer no mercado, porque quando você já consegue se estabelecer, as coisas ficam muito mais fáceis. Mas até conseguir entrar, é um pouco complicado, assim como em qualquer área. Você acabou de se formar na faculdade, está procurando um emprego e é difícil. Então posso dizer até que eles têm um pouco de imaturidade para encontrar as empresas certas, passar numa entrevista e tudo o mais… Além de encontrar as vagas e conseguir passar nos processos, tem também todos os processos burocráticos de quem quer abrir a própria empresa: como conseguir o CNPJ, dar conta de toda a papelada. Mas depois de um tempo, eles acabam se resolvendo, a gente inclusive vê vários ex-alunos que já estão estabelecidos no mercado, e sempre tentamos ajudar com consultaria em relação ao que for.

Em relação à evasão para o exterior, boa parte dos alunos têm o sonho de trabalhar para as maiores empresas de design de jogos do mundo. E sobre o Brasil, podemos ser sinceros quanto à falta de estúdios de nome. Eles existem, mas não tanto quanto nos Estados Unidos, por exemplo, onde o mercado é imenso. Percebemos que alguns alunos que se formam aqui e passam por uma outra parte do processo, no qual também ajudamos, que é para entrar no mercado internacional. Alguns conseguem via contato prévio no exterior, outros por processos de seleção de cursos que existem lá fora. Nós ajudamos a fazer esse encaminhamento, porque eles perguntam sobre o visto, sobre como trabalhar, então sempre conversamos em relação a isso. Hoje, entretanto, essa evasão não é tão grande, apesar de existir: cerca de 10% dos nossos alunos optam por seguir uma carreira no exterior.

B: Vocês pretendem expandir o “império SAGA” para outros países?

J: A longo prazo, isso é uma possibilidade a ser considerada. Mas por enquanto o Brasil continua sendo um país muito grande, então até explorarmos ele 100%, não pretendemos ir lá para fora.

Saiba mais sobre os cursos da SAGA clicando aqui!

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Publicado por Thiago Nolla

Thiago Nolla faz um pouco de tudo: é ator, escritor, dançarino e faz audiovisual por ter uma paixão indescritível pela arte. É um inveterado fã de contos de fadas e histórias de suspense e tem como maiores inspirações a estética expressionista de Fritz Lang e a narrativa dinâmica de Aaron Sorkin. Um de seus maiores sonhos é interpretar o Gênio da Lâmpada de Aladdin no musical da Broadway.

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