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Fatos arrepiantes e bizarros sobre as catacumbas de Paris

Cemitérios – há algo inerentemente arrepiantes sobre eles e, para muitos, eles ainda se configuram como um dos lugares mais respeitados e temidos do planeta. Do mesmo modo em que se configura como um lugar sagrado de eterna memória daqueles que já se foram, a própria atmosfera parece diferente no momento em que passamos pelos portões. E se isso já nos causa um tremor involuntário, e quanto a um gigantesco cemitério subterrâneo que abriga milhões de parisienses?

Para uma cidade conhecida por ser a capital da moda e do romance, ápice da cultura europeia durante a belle époque, Paris tem segredos bastante obscuros sob suas ruas. Àqueles que desconhecem, as catacumbas da Cidade-Luz na verdade é um de seus pontos turísticos – mas alguns fatos sobre elas podem te deixar hesitante quando a conhecê-las.

Construídas inicialmente como canteiras de calcário para construir os inúmeros monumentos de centro urbano parisiense, os túneis subterrâneos possuíam mais de trezentos quilômetros de comprimento, escavados durante anos, servindo como uma espécie de armazém. Entretanto, durante o século XVIII, com as epidemias assolando grande parte da Europa, os cemitérios da metrópole estavam superlotados. Para completar, alguns dos corpos das vítimas não eram queimados do modo correto e começavam a espalhar doenças. Como forma de conter, os cadáveres foram trasladados para os túneis, sendo removidos de suas valas originais e re-enterrados.

Estima-se que, da década de 1780 até meados de 1800, mais de seis milhões de corpos foram movidos para as catacumbas, transportados através de carretas e depositados para um “descanso eterno”. E detalhe: ainda há milhares de quilômetros que não foram mapeados pelas autoridades dos dias de hoje, o que nos leva a pensar que alguma coisa pode se esconder na escuridão da gigantesca cripta.

Mas não pense que o sobrenatural é a única coisa fora do comum. Além de servir como ponto turístico para diversos aficionados por cemitérios, alguns desses turistas se aventuram nas profundezas das catacumbas para aproveitar uma piscina secreta, não mapeada e no estilo de um oásis escondido. É claro que, dentre o crescente pavor, você também teria que enfrentar uma possível claustrofobia e lidar com o fato de estar nadando em um cemitério obscuro.

Os túneis também foram usados para diversas outras finalidades. Em 2004, a polícia francesa se deparou com uma cena muito fora do comum: um dos espaços mais amplos estava sendo utilizado como sala de cinema, equipada com projetores, telão e até mesmo um bar. E tudo parecia estar funcionando perfeitamente. Como se não bastasse, em 2017 um grupo de ladrões conseguiu lucrar mais de 250 mil euros vendendo garrafas de vinho, estocadas em uma adega construída por entre os ossos. É claro que a operação clandestina acabou sendo descoberta e a venda, cessada para sempre.

Mas não pense que o ponto turístico permanece largado às traças. Apesar de serem apenas jogados e esquecidos nas profundezas de Paris nos anos 1780, os trabalhadores responsáveis pela manutenção das catacumbas começaram a rearranjar os ossos dos falecidos em objetos decorativos, como vasos, círculos e corações, alinhando as paredes demarcadas com caveiras e outros restos medonhos. Alguns desses funcionários inclusive utilizavam o solo do cemitério subterrâneo para plantar cogumelos selvagens, utilizando-os como mercadoria e sendo até mesmo reconhecidos pela Sociedade Horticultural de Paris. A prática começou no século XIX, quando um dos nomes mais ricos da época, Monsieur Chambery, se aventurou nos túneis, e percebeu o que poderia ser feito.

Parafraseando o dramaturgo inglês William Shakespeare, há muito mais a se conhecer do que nossos olhos podem ver. E é claro que, além de todos esses segredos, há muito ainda a ser explorado nas profundezas parisienses – só esperamos que não seja nada muito mortal.

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Publicado por Thiago Nolla

Thiago Nolla faz um pouco de tudo: é ator, escritor, dançarino e faz audiovisual por ter uma paixão indescritível pela arte. É um inveterado fã de contos de fadas e histórias de suspense e tem como maiores inspirações a estética expressionista de Fritz Lang e a narrativa dinâmica de Aaron Sorkin. Um de seus maiores sonhos é interpretar o Gênio da Lâmpada de Aladdin no musical da Broadway.

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