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Lista | 10 Perseguições de Carro Históricas no Cinema

perseguições de carro historicas

Poucas coisas são tão atraentes para o Cinema como as perseguições de carro. Elas parecem ter sido feitas sob medida para a linguagem do audiovisual, uma vez que a trilha sonora, os movimentos de câmera e os truques de montagem, quando bem empregados, conseguem recriar com perfeição a sensação de estar num automóvel fugindo ou indo atrás de alguém. Porém, em razão dos avanços tecnológicos alcançados nos últimos anos, elas se tornaram cada vez mais computadorizadas e similares aos jogos de videogame, se distanciando da experiência real para se aproximar do efeito estéril das explosões e das performances inverossímeis por detrás dos volantes.

Por ocasião da estreia do novo filme da franquia Velozes & Furiosos – que é mais um exemplar do subgênero a usar exaustivamente os recursos anestesiantes do cinema de ação contemporâneo -, aqui está uma lista com 10 das melhores perseguições de carro da História da Sétima Arte e que foram filmadas “na raça” (na falta de melhor expressão) por seus diretores, com pouco ou quase nenhum uso das ferramentas tecnológicas disponíveis na época de sua produção.

10 – Drive, de Nicolas Winding Refn

Drive é o título mais recente a entrar nesta lista. Romântico e ao mesmo tempo chocantemente violento, o filme já começa com uma perseguição de carro que, além de envolver o espectador imediatamente na narrativa, chama atenção pela forma como foi decupada: sem usar panorâmicas, tomadas de helicóptero e grandes planos gerais, Refn e o diretor de fotografia, Newton Thomas Sigel, estabelecem a geografia de cena através de uma alternância entre subjetivas do carro, do protagonista e dos bandidos sentados no banco traseiro com planos que mostram a reação dos personagens. Assim, eles conseguem em efeito raro nesse tipo de cena: o da claustrofobia. Poucas cenas são tão tensas como a de abertura de Drive (o momento ainda culmina com o protagonista se infiltrando no meio da multidão e os magistrais créditos iniciais surgindo).

09 – Mad Max 2 – A Caçada Continua, de George Miller

Quando Mad Max: Estrada Da Fúria estreou, muitos críticos louvaram o filme por sua narrativa catártica e pelo fato de George Miller ter empregado o frame rate de uma maneira inusitada, além de não ter recorrido em demasia ao CGI e efeitos digitais para criar as cenas de ação alucinantes (apesar de esses recursos serem usados em boa parte da história). Porém, tudo isso já estava presente de uma forma ainda mais magistral em Mad Max 2 – A Caçada Continua. Na cena final do filme, que dura mais de 15 minutos, há de tudo: destreza técnica, explosões, adrenalina, loucura, trocas de olhares, momentos emotivos, violentos e tensos. Tudo filmado com clareza e perfeito domínio narrativo. Em suma, uma genuína catarse cinematográfica.

Obs: o vídeo disponibilizado acima não contém a trilha original do filme.

08 – 007 – Somente Para Seus Olhos, de John Glen

A presença dessa sequência de ação na nossa lista pode causar um certo estranhamento. Pois, apesar de ser bem realizada, ela não contém muitos elementos técnicos que mereçam ser destacados veementemente. Porém, a sua presença aqui tem um motivo claro: ela serve para nos lembrar como uma perseguição de carros pode ter momentos de comédia pastelão (James Bond e outros personagens virando o infame carro amarelo que estava de cabeça para baixo), ser romântica (as interações entre o agente e a personagem feminina) e até mesmo caliente (as charmosas vielas e construções de pedras da Espanha). Nem sempre precisamos ficar tensos ao acompanhar carros correndo em alta velocidade.

07 – Correndo Contra O Destino, de Richard C. Sarafian

Retratando a contracultura, Correndo Contra O Destino é um daqueles filmes injustamente esquecidos pela história. Contendo vários méritos, que vão desde a fotografia do genial John A. Alonzo (que capta com maestria as planícies norte americanas) até o roteiro intimista e socialmente relevante do escritor cubano Guillermo Cabrera Infante, passando pela trilha sonora que refletia o período pós-Woodstock, o filme é repleto de perseguições de carro deslumbrantes, mérito do famoso dublê Carey Loftin, que as concebeu e executou. Como não há nenhuma cena em particular para ser destacada (já que quase todas se sobressaem), no vídeo acima, há uma compilação de vários momentos protagonizados pelo venerado carro do filme, o 1970 Dogde Challenger.

06 – Viver e Morrer em Los Angeles, de William Friedkin

William Friedkin é um mestre do Cinema. Aparentemente, não há nada que ele não consiga fazer. A sua obra é composta por quase todos os tipos de filmes: há comédias, dramas de tribunal, thrillers, remakes, filmes de terror e muitos outros. Entre as suas inúmeras áreas de domínio técnico, estão as perseguições de carro. Três das suas obras possuem inesquecíveis cenas de ação envolvendo automóveis. Uma delas é Viver e Morrer em Los Angeles, na qual um jovem William Petersen, depois de ultrapassar perigosamente um trem, termina a perseguição preso num engarrafamento real. Essa cena foi filmada em locação e teve o uso de vários dublês.

05 – 60 Segundos (1974), de H. B. Halicki

Não, não é o filme com o Nicolas Cage. Na verdade, é o clássico B original que serviu como material de adaptação da fraquíssima obra de 2000. Porém, ao contrário do longa de Dominic Sena, o filme de Halicki impressiona pela sua ousadia técnica e narrativa: há uma perseguição de carro com mais de 40 minutos de duração! A cena é uma orgia cinematográfica: começando com um zoom in que prepara o espectador para aquilo que está por vir, posteriormente, juntamente com o emprego de distintos planos, o uso inteligente de montagem alternada – que intercala as cenas de ação com outras num ritmo mais lento – dá à perseguição um charme e particularidade incomparáveis.

04 – Os Irmãos Cara-de-Pau, de John Landis

Depois de serem perseguidos por um número absurdo de policiais – numa cena tão genial quanto a destacada aqui -, Jake e Edwood (John Belushi e Don Aykroyd, respectivamente), os irmãos cara-de-pau, invadem um shopping repleto de lojas e consumidores. Um clássico recente da comédia, o filme dirigido pelo criativo John Landis ainda tem, acima de todos os outros desta lista, a melhor trilha sonora. Aliás, é normal que tenha, afinal de contas, a obra é, geralmente, catalogada como uma comédia musical. Mas, independentemente dos rótulos, o  longa é um brilhante exercício de estilo, e parte desse brilhantismo pode e deve ser conferido no vídeo acima.

03 – Ronin, de John Frankenheimer

John Frankenheimer é um dos diretores mais subestimados da história do Cinema. Quando dirigiu Ronin, ele já estava na fase final de sua carreira e vida (ele faria mais três filmes apenas – um deles para a televisão – e viria a falecer em 2002, aos 72 anos de idade) e não nos tempos áureos, quando comandou, na década de 1960, clássicos como O Homem de Alcatraz, Sob o Domínio do Medo, Sete Dias de Maio e Grand Prix (outro filme que poderia estar nesta lista). Mas, mesmo assim, na obra de 1998, ele achou um espaço dentro do roteiro irregular de J. D. Zeik e David Mamet para comandar uma das mais impressionantes perseguições de carro já vistas nas salas de Cinema. Com carros se espremendo em alta velocidade pelas ruas estreitas e túneis de Paris, o momento é um deleite para os cinéfilos de plantão. Além disso, para aqueles que duvidam da qualidade das mulheres atrás do volante, serve para mostrar como isso está longe de ser verdade.

02 – Bullitt, de Peter Yates

Se fôssemos falar de influência, Bullit estaria no primeiro lugar, definitivamente. Praticamente, todos os filmes que estão nesta lista foram influenciados ou tentaram recriar similarmente a principal perseguição de carro do filme de Peter Yates. Até no ramo dos videogames o raio de influência do longa se alastrou. Porém, mesmo se a cena não tivesse influenciado ninguém, ainda assim merecia todos os méritos pela sua perfeição técnica. E não teria como ser diferente: um roteiro competente, carros charmosos, ousadia criativa e o astro mais fascinante da história incumbidos de dar vida à imaginação fértil do seu diretor. O resultado disso é a segunda perseguição de carro mais fascinante já vista.

01 – Operação França, de William Friedkin

William Friedkin novamente! Sim, ele merece estar presente mais de uma vez nesta lista (se Jade tivesse sido colocado – outro filme do diretor com uma boa perseguição de carro -, veríamos o seu nome três vezes). A pergunta que o leitor deve estar se fazendo é a seguinte: por que em primeiro lugar? A resposta é fácil: porque de todas que estão aqui, a perseguição de Operação França é a mais conceitual do ponto de vista artístico. Além de ter sido filmada na mesma lógica documental usada em todos os outros momentos do filme (é muito comum que a decupagem de sequências de ação sejam diferentes daquelas usadas no restante da história), a cena é construída paralelamente, mostrando tanto a perseguição de carro quanto o embate físico que acontece nos vagões de metrô acima, numa composição simetricamente horizontal e vertical de causar espanto até os dias de hoje.

Menção Honrosa

Buster Keaton

Embora nenhum filme de Buster Keaton tenha aparecido entre os 10 primeiros da lista (devido ao fato de que não há em sua filmografia uma perseguição de carro propriamente dita), o artista mor da época do cinema mudo é o pai de tudo aquilo que veio posteriormente. Trabalhando com parcos meios e servido apenas da sua genialidade, ele compôs as melhores cenas de perseguição que existem até os dias de hoje. Nada consegue superá-lo. Anos virão, diretores surgirão, novidades tecnológicas revolucionarão o Mundo e, ainda assim, Buster Keaton será o Deus no céu da  cinematografia. Para quem duvida do que acabei de dizer, deem uma breve olha na sequência abaixo:

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Publicado por Miguel Forlin

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