Mas que ano fantástico para seriados! Entre séries originais e novas temporadas para franquias consagradas, picos de audiência para emissoras de TV e uma expansão ainda maior para produções de streaming, reunimos aqui os grandes destaques da televisão em 2016. Para essa tarefa, eu (Lucas Nascimento), Thiago Nolla e Leandro Konjedic tentamos montar um ranking coeso e justo com os principais lançamentos.

Confira:

10. Better Call Saul

Vince Gilligan continua demonstrando o porquê de a televisão precisar dele. Com uma apuração e cuidados técnicos absurdos, é simplesmente delicioso acompanhar Better Call Saul semana após semana contemplando a fotografia passear pelos tons amarelados, amarronzados ou escuros em cenas intimistas e os movimentos de câmera variados que sempre acompanham o estado dos personagens. Ver a evolução do extremamente carismático Jimmy Mcgill em Saul Goodman e seu relacionamento com seu irmão é um prazer. A narrativa, mesmo lenta e contemplativa, ainda abre espaço para um arco solo envolvendo o Mike de Jonathan Banks que jamais soa forçado ou intrometido na trama principal. Definitivamente, uma das séries da atualiade que merece ser mais louvada do que já é. Excepcional. (Leandro Konjedic)

9. House of Cards

Ainda não consigo me decidir qual foi a melhor temporada de House of Cards e discordo piamente de quem alega que trata-se de uma série inconstante. Se provando a mais relevante da atualidade pelo quarto ano consecutivo, a temporada se aprofunda no relacionamento de Frank e Claire e nas consequências da terceira temporada ao passo que introduz um novo personagem, adversário Republicano de Frank, Will Conway – interpretado por Joel Kinnaman – retratando, em partes, o cenário político americano como realmente é. A relação entre Frank e o presidente russo, Viktor Petrov – Lars Mikkelsen – continua impagável e a direção precisa com enquadramentos extremamente detalhistas embalados com a já característica fotografia acizentada ainda são dignos de nota. (LK)

8. How to Get Away with Murder

Shonda Rhimes parece ter um desejo de ver seus fãs sofrendo, e a terceira temporada de How to Get Away with Murder deixou uma margem para diversas viradas de enredo e resoluções inusitadas. A equipe da série parece ter aprendido com erros no passado, conseguindo recuperar tramas convincentes para este novo ano e manter um ritmo crescente que culminou em uma das maiores e mais chocantes catarses de 2016. (Thiago Nolla)

7. Game of Thrones

Eu não vou mentir. A sexta temporada de Game of Thrones seria tão decepcionante quanto a quinta, não fossem os dois episódios finais. Com uma narrativa que, se não prolongava demasiadamente os acontecimentos – herança da temporada passada, os apressava de forma conveniente, não conseguindo manejar diversos núcleos espalhadas por cada episódio de forma eficiente. E ainda flertando com um terreno pouco familiar na série: a previsibilidade. Se o ritmo e a estrutura não ajudaram, o magnífico design de produção, os cada vez mais caros efeitos especiais e os eventos gigantescos do final foram a recompensa. “A Batalha dos Bastardos” já entrou para a história como um dos maiores feitos da televisão em termos de escala, continuidade, coreografia e direção de uma cena de guerra entre dois exércitos e o episódio final retornou a característica imprevisibilidade da série com força total me fazendo ter cada vez mais admiração pelo trabalho da excelente Lena Headey. A expectativa é, já que as peças estão todas posicionadas no tabuleiro para o fim, a série deixe de ser inconstante e volte ao equilíbrio que sempre teve até a quarta temporada. (LK)

6. American Horror Story: Roanoke

American Horror Story já estava em sua crise de meia-idade há algum tempo. Desde Coven, a terceira temporada, as tramas desenvolvidas e o próprio gore não conseguiam encantar mais o público. E foi quando o showrunner Ryan Murphy decidiu apostar suas fichas numa estética perigosa – o found footage e o mockumentary. O tiro poderia sair pela culatra, mas não foi isso o que aconteceu: o resultado foi um dos melhores anos para a série, resgatando a angústia e o terror característicos de sua abordagem maquiavélica – e muitas vezes chocante. (T.N.)

5. Black Mirror

A série de antologia futurista/tecnológica de Charlie Brooker está por aí desde 2011, mas foi só agora que ela caiu nas graças do público geral. Isso graças à terceira temporada da série, encomendada pelo Netflix, que entregou seis novas histórias para fazer o público pensar e se sentir extremamente desconfortável. Ainda que imperfeita, é preciso reconhecer o brilhantismo do episódio protagonizado por Bryce Dallas Howard, assim como a ousadia da série em gastar 90 minutos em um mesmo episódio. Black Mirror está mais forte do que nunca. (Lucas Nascimento)

4. O Povo Contra O.J. Simpson: American Crime Story

Adotando o modelo de antologia baseado em acontecimentos reais, American Crime Story – série desenvolvida em conjunto com os criadores de American Horror Story, Ruan Murphy e Brad Fachuk, foca no julgamento de O. J. Simpson, baseada no livro “The Run of His Life: The People v O. J. Simpson”, apresentando atuações estelares de Cuba Gooding Jr – extremamente dramático e intimista, John Travolta – sua melhor em anos, David Schwimmer e Sarah Paulson. Não é fácil ser digno de ganhar de Fargo no Emmy mas nem precisamos de um tribunal para julgar que, ACS, foi sim, para a minha surpresa, um concorrente à altura que superou. Mal posso esperar a segunda temporada que focará nos consequências do furacão Katrina, ainda mais com a apuradíssima habilidade de condução do drama pelos criadores demonstrada aqui. (LK)

3. The Night Of

Na ausência de True Detective, cujo futuro na emissora ainda permanece incerto, a HBO precisava de um thriller urbano que nos mantesse engajado. Felizmente, isso veio na forma da impecável minissérie The Night Of, que juntou os talentos de Richard Price e Steven Zaillian para uma narrativa muito especial e envolvente. Uma aula sobre como desenvolver e estudar personagens, ainda mais com performances tão magistrais quanto as de Riz Ahmed e John Turturro. Parcialmente noir, parcialmente série de sistema judicial, The Night Of é inteiramente uma masterclass. (LN)

2. The Crown

A série mais ambiciosa da Netflix deu o que falar neste ano. E bom, a gigante do serviço de streaming não costuma nos desapontar. A primeira temporada de The Crown gira em torno das duas primeiras décadas de reinado de Elizabeth II, e quem melhor para encarnar a monarca que sua sósia escrita, a fantástica Claire Foy? Não é preciso nem dizer que Stephen Daldry e Peter Morgan, o duo por trás da direção e da roteirização de uma das governantes mais contraditórias da história, conseguiram entregar exatamente – e por que não além? – do que prometeram. (T.N.)

1. Westworld

Não bastasse a escala épica e cinematográfica de Game of Thrones, a HBO explodiu nossas cabeças com Westworld, sua nova série original que promete assumir o trono quando a saga de George R. R. Martin chegar ao fim. Com um conceito fabuloso e uma narrativa desafiadora e que exige que o espectador use a inteligência, a série de Jonathan Nolan e Lisa Joy surpreendeu com o trabalho no desenvolvimento de personagens e a escala do mundo que criou, fazendo aquela saudosa prática de elaborar teorias e discussões retornasse em grande estilo. Vai ser uma longa espera até a próxima temporada em 2018… (LN)

Hors Concours

Stranger Things

Netflix mais uma vez mostrando o quão diversificado e expansivo pode ser o seu catálogo, dessa vez explorando o conceito já manjado de aventura oitentista com clima de suspense e mistério acompanhando protagonistas juvenis. A série não só se salva pela sensação absurda e gratificante de nostalgia e boa colocação de referências que remetem diretamente a atividades da minha infância mas pelo peso de seu elenco que nos força a torcer por cada um dos personagens, incluindo a atriz mirim revelação Milli Bobby Brown interpretando a enigmática Eleven. A série é perfeita em termos de formato e roteiro? Não. É inovadora? Não. Utiliza todas as possibilidades de direção do gênero? Não, desperdiça várias. Na verdade, pega todo o feijão com arroz com os clichês que lhe são devidos mas os aplicam bem, deixando o público satisfeito e pedindo imediatamente pela segunda rodada com sobremesa. Certamente a série que mais deixou os telespectadores elaborando teorias para o próximo ano, só perdendo para Westworld que teve exibição semanal. (LK)

Mr. Robot

Uma das séries mais originais e elogiadas do ano passado, Mr. Robot acabou decepcionando certa parcela de seus fãs nesta nova temporada. Eu por outro lado, acredito que o segundo ano da série de Sam Esmail foi ainda mais profundo e complexo do que o primeiro, mergulhando muito mais na psique de seus personagens e suas motivações, ao mesmo tempo em que dá muito espaço para coadjuvantes da primeira temporada. O mistério da morte ou não de Tyrell é outro arco absolutamente fascinante, e eu estou empolgado para ver até onde a jornada de Rami Malek irá nos levar. (LN)

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