Mais um ano fantástico para os seriados de TV!

Entre séries originais e novas temporadas para franquias consagradas, retornos de séries icônicas, picos de audiência para emissoras de TV e uma expansão ainda maior para produções de streaming, reunimos aqui os grandes destaques da televisão em 2017, além de uma seção especial para algumas menções honrosas que acabaram ficando de fora do ranking principal.

Confira:

Colaboração de Lucas Nascimento, Matheus Fragata, Thiago Nolla, Guilherme Coral, Miguel Forlin, Filipe Gabriel, Júlio Vechiato e Débora Fernandes.

10. Better Call Saul

A terceira temporada de Better Call Saul é superior às outras duas, mantém qualidade técnica mas possui uma narrativa mais interessante que permite todos os personagens e, assim também, seu elenco a um melhor desenvolvimento.  O spin off de Breaking Bad vai se tornando uma série tão interessante quanto sua genitora, com diversos estudos sobre famílias disfuncionais, dramas de tribunal de altíssima qualidade e o retorno ao oculto submundo do tráfico de drogas; e, apesar de não ser melhor, vai deixando sua essência própria e sua excelência audiovisual. (Filipe Gabriel)

9. Feud: Bette e Joan

Além de ser encantador acompanhar a recriação dos bastidores, não apenas dos filmes, mas das negociações que os envolvem, Feud acerta na medida e no equilíbrio de drama e humor, permitindo que espectador seja gentilmente guiado através de uma narrativa que, obviamente se posiciona diante dos fatos que opta mostrar, mas sem forçar sentimentos ou exigir também o posicionamento de quem assiste. Dessa forma, a série resiste ao sensacionalismo e oferece um retrato crítico, mas emocional de Hollywood, capaz de gerar inquietação e questionamentos sem respostas fáceis. Isso sem falar no elenco incrível, liderado por Jessica Lange e Susan Sarandon no auge. Que venham mais rixas. (Salete Correa)

8. Legion

 Sob os cuidados do excelente showrunner Noah Hawley, que comprovou seu talento nas duas geniais temporadas de sua antologia Fargo, Legion é algo diferente de tudo o que já vimos no famigerado gênero de super-heróis, portando de sua própria narrativa peculiar, uma identidade visual marcante como poucas e um senso de humor único. É uma narrativa sinuosa e propositalmente confusa, que corajosamente nos coloca sob os olhos de um protagonista incomum, algo refletido na direção ousada e na direção de arte completamente surtada. Vida longa ao louco, confuso e fascinante universo dos X-Men. (Lucas Nascimento)

7. The Crown

Se a primeira temporada já se tornou um sucesso por sua competência narrativa e técnica, o novo ano de The Crown conseguiu superar ainda mais as expectativas. Claire Foy, retornando de forma incrível e memorável pela última vez como a Rainha Elizabeth II, nos entrega aos momentos de maior tensão dentro desse governo real, cujos principais conflitos vão muito além da superficialidade monárquica e adentram os paradoxos entre a imutabilidade do conservadorismo e o anseio pelo progresso e pela evolução. (Thiago Nolla)

6. Big Little Lies

Esqueça tudo o que conhece sobre mistério: David E. Kelley e Jean-Marc Vallée irão te colocar numa nova e inusitada perspectiva acerca desse gênero que não apenas fará com que você repense seus próprios atos, mas também acompanhe a jornada de três distintas protagonistas unidas pelo desejo da mudança e da superação. Big Little Lies é uma mistura extremamente livre de amarras entre o melhor de Agatha Christie e Desperate Housewives, ambientada numa pequena cidade litorânea cujo semblante pacífico e envolvente é, na verdade, uma máscara para os podres que se escondem na vida de cada um dos personagens. Trazendo um mistério aparentemente insolúvel como pano de fundo, o show talvez seja uma das surpresas mais agradáveis do ano – e com certeza mais desesperadoras. (Thiago Nolla)

5. Mindhunter

Eu aplaudo de pé Mindhunter. Há anos que eu não assistia a uma série policial tão promissora, cheia de identidade, estética irreparável e magnética quanto esta. Qualquer fã do gênero ficará extremamente fascinado pela sedução diabólica das entrevistas com os psicopatas e também por alguns casos de investigação e captura de criminosos que Joe Penhall se esforça tanto em construir, tudo isso complementado pela direção sempre precisa do mestre David Fincher. Mindhunter é um pacote completo. (Matheus Fragata)

4. Fargo

É difícil agora, no balanço, tentar comparar esta temporada de Fargo com suas excepcionais antecessoras. Cada uma trouxe uma identidade visual e temática completamente distinta, com o terceiro ano oferecendo sua própria gama de qualidades, com um estelar elenco que traz o melhor de um Ewan McGregor duplicado, uma Carrie Coon determinada e um David Thewlis apavorante, certamente ficando no mesmo nível da criação de Noah Hawley. Talvez até um pouco acima, mas isso só o tempo dirá. O que fica agora é mais uma temporada primorosa e especial, definitivamente representando o que há de melhor na TV atualmente. (Lucas Nascimento)

3. The Handmaid’s Tale

Baseado no romance homônimo de Margaret Atwood, The Handmaid’s Tale é uma obra atemporal e definitivamente memorável. Uma sociedade essencialmente medieval ambientada num futuro distópico no qual as mulheres férteis são submetidas ao controle e à vontade dos governantes – líderes extremistas e religiosos que abominam o trabalho, o prazer, a cultura e qualquer coisa que possa indicar uma desestabilização da ordem vigente. A série não apenas resgata os melhores elementos do gênero futurista, principalmente o apreço pelo caos e pela desesperança, mas emerge como um discurso de empoderamento que dialoga com a sociedade contemporânea muito mais que o esperado. (Thiago Nolla).

2. Master of None

O segundo ano de Master of None é uma verdadeira pérola da comédia contemporânea. Não só é capaz de explorar uma gama muito maior do que sua já ótima primeira temporada, mas Aziz Ansari e Alan Yang triunfam ao trazer histórias com temas variados e um olhar cômico único, que navega pelo drama e pelo romance de forma belíssima. A comédia é mais requintada, e o romance é belíssimo, de um jeito que se aproxima do trabalho de Richard Linklater em sua fabulosa trilogia de Antes do Amanhecer. Para entrar pra História. (Lucas Nascimento)

1. Twin Peaks: O Retorno

Quando foi ar pela primeira vez, Twin Peaks revolucionou a maneira como as séries de televisão eram feitas. Vinte e seis anos depois, é muito possível que a criação de David Lynch Mark Frost tenha realizado essa façanha novamente. As dezoito partes que constituem a nova temporada do programa não só respeitam os patamares estabelecidos pela Segunda Era de Ouro da Televisão, como também parecem superá-los em alguns momentos. Além disso, é a obra-prima definitiva de um cineasta cuja carreira está repleta de filmes memoráveis. Nem mesmo os fãs mais fervorosos de Lynch esperavam que ele, aos setenta anos de idade, fosse entregar algo tão perfeito, ousado e original como Twin Peaks – O Retorno(Miguel Forlin)

Hors Concours

american-gods-01x05

American Gods

As obras de Neil Gaiman representam uma fusão completamente distorcida de inúmeras culturas que já habitaram a face do planeta. Em American Gods, essa profusão descontrolada une-se em um único totem que compõe a cultura norte-americana, o centro do mundo visto também como a principal rota de fuga de diversas criaturas mitológicas. Mas o que acontece quando o secularismo dessas narrativas enfrente o avanço impiedoso do progresso e da constante banalidade? É exatamente isso que a série adaptada por Bryan Fuller e Michael Green propõe: analisar de forma épica o confronto entre passado, presente e o caótico futuro. (Thiago Nolla)

Game of Thrones

A sétima temporada de Game of Thrones foi a mais grandiosa e bombástica até agora. Com menos episódios, a ação ficou mais concentrada e a velocidade dos eventos ganhou um aumento impressionante, garantindo uma narrativa mais dinâmica e que enfim cruzou todas as linhas principais da história para um direcionamento final promissor. Seja nas batalhas com dragões, as reviravoltas que fizeram nos queixos caírem, ou o simples fato de finalmente estarmos vendo Daenerys Targaryen e Jon Snow dividindo a tela, a penúltima temporada de GoT foi uma de suas melhores, inquestionavelmente. (Lucas Nascimento)

GLOW

GLOW é uma grande homenagem a esses filmes de outrora, resgatando de forma impactante a atmosfera oitentista, nos entregando drama e comédia nas doses certas. Com excelente design de produção, atuações envolventes, um visual imersivo e trilha sonora memorável, a inusitada série de Liz Flahive e Carly Mensch se estabelece como uma obra realmente viciante, que nos faz querer assistir tudo de uma vez, mesmo com seus leves tropeços no meio do caminho. Assim como inúmeros longa-metragens dos anos 80, não há como não se divertir com GLOW. (Guilherme Coral)

The Leftovers

A melhor série que ninguém assistiu, The Leftovers concluiu as jornadas de seus personagens neste ano, com sua terceira temporada. Seguindo o final surpreendentemente esperançoso da temporada anterior, esse último volume questiona todos aqueles finais felizes dos personagens de Justin Theroux, Carrie Coon, Christopher Eccleston e outros. Seus 8 episódios foram distintos, tanto apresentando novas perspectivas quanto resgatando conceitos anteriores. Sem supresa alguma, mantendo a qualidade audiovisual que é de se esperar da HBO. E, mesmo com momentos frustrantes na narrativa, nos traz a um final memorável e emocionalmente revelador. Ou não. Afinal, terminou como começou: divisiva como um levante. (Júlio Vechiato)

Rick and Morty

Já definimos Rick and Morty como a melhor animação adulta que já aconteceu desde South Park. Agora, podemos colocar a terceira temporada como a melhor de todas, focada em aprofundamentos – tanto de seus personagens, quanto da mitologia da série; basta observar o nível de criatividade de um episódio colossal como The Ricklantis Mixup. Se Harmon e Roiland continuarem assim, podemos esperar muito daqui para frente – e que venham as teorias! (Débora Fernandes)

Concorda com a lista? Qual a sua série de TV preferida do ano?