Uma das maiores conquistas do Cinema contemporâneo com certeza é Avatar, filme que mudou todo o mercado cinematográfico após seu lançamento em 2009. James Cameron conseguiu revolucionar o gênero blockbuster por duas vezes em sua vida: a primeira com Titanic e outra com esse curioso longa profundamente carregado de mensagem ambientalista.

Com quatro sequências confirmadas, a Fox/Disney e Cameron farão de tudo para retomar a sensação completa que Avatar tinha se tornado em 2009 para 2020 quando um novo filme da franquia será lançado, onze anos depois do lançamento do original. Logo veremos se a estratégia dará certo.

Enquanto o novo filme não chega, sempre é uma ótima ideia descobrir um pouco mais dos segredos da produção de Avatar que sempre será um grande filme.

Acabou banido na China

Curiosamente, Avatar foi um dos filmes melhores sucedidos em território chinês conquistando 1628 telas de exibição. Entretanto, após algumas semanas, o governo chinês removeu o filme de cartaz para inserir a estreia de um filme sobre o filósofo Confúcio. Pelo alto rendimento na bilheteria no país, alguns dizem que o governo não gostou do espaço que um filme americano tomou no mercado, desviando o foco das produções nacionais. Além da mensagem revolucionária contra sistemas de controle rígidos desagradarem as autoridades.

Sam Worthington estava vivendo em seu carro antes de ser chamado

Toda história de sucesso é bastante inspiradora e em Hollywood não faltam reviravoltas impressionantes. No caso de Sam Worthington, protagonista de Avatar, tivemos mais uma das viradas inspiradoras. O ator australiano estava em uma crise financeira pessoal muito grave, vivendo em seu próprio carro, por conta de várias tentativas frustradas em conseguir emprego nos EUA. Foi em seu pior momento que acabou aprovado no casting de Avatar que mudou sua carreira completamente.

O idioma Na’vi foi criado do zero

Sempre quando uma nova cultura é elaborada para uma obra fictícia, um dos maiores esforços é a criação de um alfabeto, vocabulário e idioma. Já vimos isso acontecer com perfeição em O Senhor dos Anéis, Star Trek e Game of Thrones, mas o mesmo aconteceu em Avatar. James Cameron pediu ao professor de comunicação Paul Frommer para criar todo o idioma que realmente é funcional caso alguém deseje aprender e aplicar na vida real.

Tecnologia de ponta foi usada e criada

O uso de computação gráfica em Avatar foi absolutamente impressionante para a época. Nada se assemelhava com a tecnologia que Cameron havia dominado. Usando câmeras virtuais e praticamente inventando esse conceito, o diretor capturava a performance via motion capture e as expressões com câmeras acopladas próximas ao rosto do ator. Após a captura, tudo era digitalizado em um software exclusivamente criado para a produção – foi batizado de Gaia e foi feita pela Microsoft.

Todos os dados de interpretação, criação de cenário, animação, texturização, entre diversos passos complexos virtuais, eram compilados no Gaia que basicamente tornou toda a produção possível.

Levou uma era para renderizar a versão final

Quem mexe com software de edição, entre outros, sabe que todo projeto criado precisa ser renderizado em um arquivo final que chegará nas mãos dos consumidores. Avatar foi renderizado pela Weta que usou todo seu poder de fogo para render o filme: 40 mil processadores de alta velocidade, 104 terabytes de memória virtual e 10gb de velocidade de rede. Para finalizar apenas 1 frame do longa, foram necessários horas de trabalho das máquinas. E como cada segundo no cinema conta 24 frames, já dá para ter uma ideia de quanto tempo levou para finalizar 162 minutos de filme.

A Trilha Musical foi experimental

O falecido compositor James Horner se esforçou ao máximo para criar uma trilha musical que realmente fosse “alienígena” para Avatar. Para isso, pegou diversos instrumentos fora do comum de culturas indianas e suecas para criar algo verdadeiramente novo e único para o filme. Seu esforço chamou a atenção até mesmo dos etinomusicologistas que foram contados para encontrar instrumentos pouco conhecidos de civilizações tribais. Impossível dizer que Horner não era um compositor dedicado.

James Cameron foi processado por plágio diversas vezes

Desde a estreia de Avatar, muita gente comparou o longa com Pocahontas pela similaridade entre as narrativas e características das duas obras sobre colonização e revolução. Porém, embora isso fosse somente uma crítica normal para o filme, alguns criadores realmente se sentiram lesados pela obra de James Cameron e logo trataram de resolver judicialmente. Porém como Cameron ainda havia guardado desenhos e rascunhos do texto de Avatar feitos ainda sua adolescência, antes das outras obras terem sido lançadas comercialmente, todas as acusações foram descartadas pelo júri.

Algo normal quando se enriquece bilhões de dólares com uma propriedade preciosa como Avatar, não?

Outra curiosidade sobre a franquia é o fato da demora estarrecedora da sequência, afinal levar mais de uma década para lançar um novo filme após o sucesso bilionário do original é uma jogada arriscada. Novamente, Cameron quer revolucionar o blockbuster e por isso aguardou pacientemente para a tecnologia evoluir até o ponto que ele desejava. O segundo filme será totalmente focado nos oceanos de Pandora, incluindo histórias sobre os segredos que existem no fundo desses mares.

Agora resta apenas aguardar para ver se a espera realmente valeu a pena.