Apesar de um ótimo começo e de ter entregue alguns longas-metragens bastante aprazíveis, 2018 não foi um ano fácil de engolir, principalmente em relação ao cinema. Em meio a revivals de histórias clássicas, inúmeras produções originais das plataformas de streaming e continuações que definitivamente já saturaram tanto na indústria quanto em meio ao público, nossa última lista contempla, numa triste infelicidade, os piores filmes que machucaram nossos olhos.

Aqui, buscamos aquelas obras que prometeram nos entregar o que prometiam ou bastante além, mas morreram na praia, respaldando-se em técnicas narrativas e artísticas mal estruturadas, decepcionando até mesmo o cinéfilo mais fã – e temos certeza de que você sabe muito bem de qual estamos falando. Entre obras vazias e presunções desnecessárias, confira nossas escolhas abaixo:

ROBIN HOOD: A ORIGEM

“É de se pensar que, para um filme de época, ao menos o escopo artístico conseguiria comover ou procurar uma catarse iminente. Porém, Robin Hood passa muito longe disso. Tanto a plebe quanto a nobreza estão inseridas em uma zona de conforto angustiante, por assim dizer: enquanto esta reluz em meio a um luxo escondido e a construções imponentes, aquela é obrigada a viver em meio a casebres em ruínas, convulsionados por condições de vida subumanas. O problema é: a falta de nexo. A paleta de cores, os cenários e até mesmo os efeitos especiais se engessam num patamar incômodo, no qual a magia que nos transporta para as obras cinematográficas é quebrada sem piedade. Há uma sequência de perseguição, por exemplo, em que conseguimos enxergar a falta de minúcia da pós-produção – sim, é possível ver até mesmo a tela verde ao fundo.” – Thiago Nolla

UMA DOBRA NO TEMPO

“Um final extremamente insatisfatório com um plot twist preparado de forma desleixada e apressada para atender a trama do livro entregam uma experiência que deixa a desejar do início até o (amargo) fim. Um filme com poucos pontos altos, diversos pontos baixos e muita mediocridade. Não chega nem perto de atender às altas expectativas em torno da produção e é bem provável que o público saia do cinema pensando mais na perda de tempo que acabou de suportar do que em Uma Dobra no Tempo.” – Lucas Voltolini

VENOM

Venom é mais uma adição ao catálogo podre de produções da Sony para o universo da Marvel nos cinemas. É um filme mal desenvolvido e completamente perdido em suas intenções, mas que acaba revelando-se como um passatempo precioso e genuinamente divertido graças à seu absurdo e humor acidental, que automaticamente acabam colocando-o no status de um trash. O tempo pode fazer muito a favor do filme de Ruben Fleischer, mas fãs do anti-herói certamente ficarão decepcionados.” – Lucas Nascimento

A FREIRA

“Infelizmente, A Freira representa o primeiro grande tropeço da franquia Invocação do Mal nos cinemas, ficando abaixo até mesmo do primeiro derivado centrado em Annabelle. É um exemplo de grande potencial desperdiçado em um roteiro defeituoso e uma direção pouco inspirada, e que requer um carinho maior do produtor James Wan na hora de aprovar seus projetos, já que este aqui representa pura preguiça.” – Lucas Nascimento

BIRD BOX

“Bier não apenas falha em sua própria função, como destrói quaisquer simbologias mais profundas que o romance trouxe alguns anos atrás. Temas como depressão e confiança são travestidos com um suspense amargurado, que na verdade nem mesmo chega a se realizar, mantendo-se em um melodrama excessivo e cansativo. Até mesmo o título original é esquecido; é claro, Malorie carrega consigo uma caixa de pássaros, libertando-os assim que chegam ao abrigo. E o que isso deveria realmente representar? Que ela e as crianças finalmente estão seguras e podem crescer em paz em um microcosmos protegido das criaturas? Porque caso essa seja a grande “lição de moral”, sinto lhes dizer que não funcionou muito bem.” – Thiago Nolla

PREDADOR

“Quanto à criatura do título, Black não faz nada para expandir sua mitologia de forma animadora. O chamado “Super Predador” é uma mera versão mais alta e forte do Predador comum, com a diferença de ser criado inteiramente por efeitos digitais, que transparecem facilmente em cena – especialmente quando temos um ator de carne e osso interpretando o outro Predador. O vilão nunca torna-se ameaçador ou memorável, com a ausência de uma máscara também atuando contra sua vantagem, e nem todo o sangue digital do mundo (o gore é presente, mas artificial e risível) conseguem nos fazer temer esse personagem tão genérico.” – Lucas Nascimento

ANIMAIS FANTÁSTICOS: OS CRIMES DE GRINDELWALD

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald é uma grande decepção, tanto como obra em si quanto como parte do universo mágico. E o principal problema não reside nos personagens, mas sim no que se fazer com eles. De fato, Rowling precisa decidir de que forma proceder – e isso não inclui transformar o roteiro em um romance épico e intraduzível.” – Thiago Nolla

JURASSIC WORLD: REINO AMEAÇADO

“É difícil explicar Reino Ameaçado. É de uma sucessão de ideias tão ruins que não parecem ser um acidente, parecem como um grito de socorro. É como se Colin Trevorrow deliberadamente tentasse fazer o pior tipo de filme possível, como a vítima sequestrada que tenta enviar algum sinal discreto para as autoridades sobre sua condição de cativeiro. Se não, é simplesmente triste ver os rumos que um longa tão genial acabou trilhando. Talvez seja o novo Transformers do cinema, e sem dúvida é a pior coisa a se acontecer com dinossauros desde o impacto daquele meteoro que os extinguiu.” – Lucas Nascimento

VERDADE OU DESAFIO

Verdade ou Desafio representa uma mancha feia no currículo impecável da Blumhouse, que vem se destacando como produções como Corra! Fragmentado. Partindo de uma premissa absurda e de uma execução pior ainda, fica difícil fazer milagres. A verdade é que este filme não chega perto nem do aceitável, e o real desafio é chegar até o fim.” – Lucas Nascimento

critica-the-cloverfield-paradox

O PARADOXO CLOVERFIELD

“É risível e ridículo a forma como as cenas de tensões recebem seu tratamento aqui. Diferentemente da sutileza construtiva de Rua Cloverfield, 10 e até mesmo da estética em found footage de Cloverfield – Monstro, Onah não ousa – então espere sim os planos fechados em momentos de epifania científica e a câmera na mão com os ângulos distorcidos e o excesso de planos holandeses em sequências de ação e de luta. O problema é que nada disso se torna fluido e quase nenhuma parte tem uma explicação válida – ora, Elizabeth Debicki faz uma entrada surpreendente como Jensen apenas para ser desperdiçada e tratada como uma vilã maniqueísta e sem qualquer objetivo aparente. Aliás, é difícil realmente enxergar algum dos personagens sem cair nos estereótipos do gênero (nem mesmo as referências a Alien, O Oitavo Passageiro conseguem resgatar um pouco de brilho).” – Thiago Nolla

MENTES SOMBRIAS

“Os equívocos não se restringem apenas à história, mas também se alastram pelas atuações e pela composição da obra. Ruby eventualmente embarca numa subtrama romântica com o recém-conhecido Liam (Harris Dickinson), dotado de poderes telecinéticos que são bem explorados pelo filme. Entretanto, Dickinson e Stenberg não trazem uma centelha sequer de química, impedindo o público de se conectar com qualquer possibilidade futura ou se comover com o “trágico” final compulsoriamente necessário para uma sequência (a qual espero que não aconteça).” – Thiago Nolla

15:17 – TREM PARA PARIS

“Basicamente, 15h17: Trem para Paris é uma obra estupidamente ruim e que sem dúvida entra como uma mancha permanente na carreira de Clint Eastwood. Ele não apenas funciona como um ridículo panfletarismo republicano que louva aqueles a favor da guerra e a favor de um conflito armado, como coloca em cheque inúmeros ideais humanitários e pacifistas observados com tanta cautela em seus filmes anteriores – o que por um lado é risível e, por outro, infeliz e passível de rechaça total.” – Thiago Nolla

CINQUENTA TONS DE LIBERDADE

“De qualquer modo, Hyde não tem um pingo de motivação real, valendo-se de aspectos definitivamente não condizentes com a atmosfera que é construída e que se valem de conclusões no estilo deus ex machina – utilizando-se de uma backstory de Christian que remonta ao tempo em que ambos estavam no mesmo orfanato e que “não foi justo ele ter sido escolhido em meu lugar”. Basicamente uma supérflua subtrama de méritos, vantagens e injustiças que nunca vê de forma sólida a luz do dia, mantendo-se em uma coberta de boas ideias desperdiçadas ou descartadas em prol de algo mais simplório.” – Thiago Nolla

O QUEBRA-NOZES E OS QUATRO REINOS

“A história carece de bons personagens e de um universo verdadeiramente rico, que nem chega a ser definido ou suficientemente explorado. Há uma explicação tola durante um ballet (para honrar as origens) sobre a criação dos Reinos, mas nota-se um desinteresse até mesmo dos realizadores. Tudo o que envolve Clara e as regentes, que contam com uma insuportável Keira Knightley, são ridículos, assim como o plano maléfico da antagonista – uma que parece ser uma ideia descartada por Burton, além de anacrônico com toda a “lógica” daquele universo. Raios, nem ao menos o Quebra-Nozes tem grande tempo em tela, e seu nome literalmente é o título da produção.” – Lucas Nascimento