A família Kennedy é bastante conhecida, não apenas nos Estados Unidos, mas no mundo inteiro. Afinal, um de seus integrantes, John F. Kennedy, tornou-se presidente em 1961 e foi assassinado dois anos depois, não chegando a cumprir seu mandato e rendendo inúmeras teorias da conspiração. Seus irmãos, apesar de não tão famosos, também ficaram conhecidos na complexa e arbitrária regência dos EUA, como os senadores RobertTed Kennedy.

Entretanto, certas histórias permaneceram debaixo das cobertas ou foram esquecidas conforme o tempo passou – e aqui estou me referindo à irmã mais nova de John, Robert e Ted, Rosemary Kennedy. E ao contrário do que muitos podem acreditar, houve um motivo para que a família escondesse sua identidade e a deixasse para fora dos holofotes – um motivo assustador e chocante.

Nascida em 1918, às vésperas do fim da I Guerra Mundial, Rosemary não veio ao mundo do modo mais confortável possível. Durante o parto, o médico responsável não estava prontamente disponível, e a enfermeira ordenou à sua mãe, Rose, que mantivesse as pernas fechadas, forçando o bebê a permanecer no canal vaginal por duas horas. A ação resultou em uma brusca perda de oxigênio, cujas consequências seriam enfrentadas mais tardes.

Conforme Rosemary crescia, seus pais percebiam que ela não acompanhou o mesmo tempo de desenvoltura das outras crianças de sua idade, começando a andar muito mais tarde que o previsto. Aos dois anos, ela batalhava para conseguir se sentar, andar e comer por conta própria. Ela até mesmo repetiu de ano duas vezes em sua passagem do jardim de infância para o primeiro grau, tudo resultado das deficiências mentais que desenvolveu devido à negligência médica.

Aos 15 anos, sua mãe a enviou para o Convento do Sagrado Coração, em Providence, no estado de Rhode Island, onde recebia aulas de modo diferenciado das outras garotas. Duas freiras e uma professora especial, a Srta. Newton, trabalhavam com ela em uma sala separada. Mesmo na adolescência, sua leitura, sua escrita e suas habilidades matemáticas se assemelhavam as de uma criança da quarta série. Ela continuava persistindo nos estudos, mas sentia que cada vez mais decepcionava seus pais.

Segundo o psicanalista Henry H. Goodard, Rosemary sofria de deficiências intelectuais, sendo diagnosticada com um QI entre 60 e 70. Um biógrafo não identificado escreveu que Rose não confiava em suas amigas e fingia que a filha “se desenvolvia do jeito mais normal possível”. Diários escritos no final de 1930, publicados apenas cinquenta anos depois, revelavam, com bastante desconfiança, uma menina cuja vida se baseava em bailes, provas de vestidos e eventos sociais, acobertando o que os Kennedy encaravam como uma “vergonha inadmissível”.

Rosemary tornou-se, conforme chegava à idade adulta, uma pessoa assertiva e rebelde. Ela também possuía mudanças violentas de humor, as quais, de acordo com especialistas da época, provinham de sua inabilidade de compreender como seus irmãos alcançavam o que queriam e ela não, bem como as tardias mudanças hormonais da puberdade.

De qualquer forma, a família teve um período complicado em aceitá-la. Após descobrirem que ela fugira inúmeras vezes de sua escola, seu pai, Joseph, estava “preocupado” que seu comportamento iria envergonhar a família e possivelmente atrapalhar sua carreira política. Em novembro de 1941, médicos de confiança disseram a Joseph que uma cirurgia psicofísica estava disponível, conhecida como lobotomia. Ele então, decidiu que o procedimento deveria ser realizado, mas não informou à sua esposa.

Após a operação, ficou bem claro que algo havia dado errado. A capacidade mental de Rosemary se reduziu à vista de uma criança de dois anos. Ela não conseguia andar ou falar de modo inteligível, além de ficar totalmente incontinente às suas necessidades. Logo depois, ela foi institucionalizada, vivendo durante vários anos no Craig House, um hospital psiquiátrico privado, localizado a uma hora de Nova York. Em 1949, foi realocada para Jefferson, em Wisconsin, onde passou o resto de seus dias. Entretanto, após a morte do pai vinte anos depois, ela passou um tempo em Florida e em Washington, com parentes.

Rosemary Kennedy morreu de causas naturais em janeiro de 2006.