A 1ª e 2ª temporadas da série Rotas do Ódio, da Universal, explorou temas bastante interessantes envolvendo a violência empregada pelo grupo de neonazistas “Falange Branca” contra minorias. Na 3ª temporada, a produção criada por Susana Lira, mantém o foco nos trabalhos da investigadora Carolina Ramalho Chagas (Mayana Neiva), chefe da Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI).

Com oito episódios a série parece ter amadurecido melhor o jeito que trabalha os temas e que antes não eram tão discutidos a fundo. O foco da 3ª temporada é a intolerância contra imigrantes. Logo no primeiro episódio o grupo de neonazistas comete crime de ódio contra duas mulheres imigrantes e que passa a ser investigado pela policial Carolina Ramalho e por seu parceiro Júlio Pedrazza (Antonio Saboia).

A ideia desta terceira parte será o de discutir os crimes cometidos contra minorias e novamente os neonazistas serão o foco da discussão, o que torna a trama repetitiva em relação as temporadas anteriores, algo que a torna cansativa de se seguir, pois mudam-se apenas os atos cometidos, mas não os personagens que estão envolvidos na questão, tanto do lado policial quanto do lado dos criminosos. 

Duas situações são mostradas no primeiro episódio, mas de forma não tão aprofundada. Primeiro o caso da policial Carolina que enfrenta uma representação da corporação contra ela pela morte de Pedro Nabuco, e outra situação em relação ao policial que mata um homem dentro de um prédio com moradores sem teto, isso feito possivelmente para mostrar a violência policial nessas situações em que a polícia entra em um prédio invadido, tal cena é bastante jogada.

Quanto aos neonazistas em si continuam bastante caricatos, com crucifixos invertidos tatuado na testa e agora com um novato se aliando ao grupo. O seu teste de entrada é algo bastante ridículo, tendo que dar soco no líder da gangue. Já o chefe dos neonazistas é um personagem bastante incoerente, pois se é o líder que prega o discurso de ódio não faz o menor sentido o jeito que o caracterizaram na trama. Um exemplo é na situação em que o personagem 22 lhe entrega um relógio roubado e o líder dá um sermão dizendo que é para devolver o relógio e não roubar mais. A incoerência vem do líder ser extremamente mal minutos antes e logo em seguida aparecer sendo moralista ao pedir para devolver o objeto roubado.

Há um tom novelesco no jeito que a narrativa se desenvolve, não apenas na forma com que as situações são debatidas e do jeito que são montadas, mas também na fala dos personagens. Os diálogos lembram muito ao das novelas da Globo, em que é necessário explicar com detalhes o que já está sendo visto na tela, algo que torna toda a cena muito teatral.

As questões sociais são discutidas de forma bastante superficiais. Temas como imigração ilegal, xenofobia e a questão dos refugiados são apresentados no primeiro episódio de forma atropelada, muita coisa sendo discutida, mas nada sendo aprofundado. A ideia da 3ª temporada de Rotas do Ódio é boa, mas se atrapalha em não organizar as questões de forma clara, mesmo assim já uma 4ª temporada preparada, e tema não faltará para os próximos capítulos. 

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