Bit Reactor traz de volta parte da equipe de Star Wars: Zero Company afastada sem salário
Bit Reactor, de Star Wars: Zero Company, começa a trazer funcionários de volta, mas muitos seguem sem salário.
A Bit Reactor, estúdio por trás de Star Wars: Zero Company, começou a trazer de volta parte da equipe que havia sido afastada sem salário semanas antes do lançamento. A retomada é parcial. Segundo fontes do site Game File, a folha de pagamento voltou a ter pouco mais da metade do tamanho que tinha antes do afastamento. Isso significa que muitos funcionários continuam sem receber.
O que o CEO disse
Em comunicado, o CEO Greg Foertsch afirmou que o estúdio iniciou nesta semana o processo de reintegrar mais gente ao time. Ele chamou o movimento de um passo importante no apoio contínuo ao jogo.
Foertsch voltou a defender a decisão de ter pedido que parte da equipe se afastasse. Segundo ele, foi uma escolha dolorosa, tomada depois de “acontecimentos inesperados fora do controle do estúdio” tão perto do lançamento, e necessária para tentar recuperar o maior número possível de pessoas no futuro. O executivo agradeceu aos fãs e prometeu novidades sobre a empresa e o jogo em breve.
A declaração não traz números, datas nem as condições de retorno. Também não esclarece se o estúdio vai pagar o período em que os funcionários ficaram sem salário.
Do afastamento à volta
O afastamento veio à tona em 1º de setembro, quando o Game File revelou que cerca de 80% da equipe havia sido posta em licença sem remuneração (o chamado furlough, em que o funcionário continua contratado, mas sai da folha de pagamento). Segundo as fontes, o estúdio havia ficado sem a maior parte do dinheiro pouco antes de lançar seu primeiro jogo. Apenas uma equipe mínima seguiu ativa para corrigir problemas após a estreia.
Um porta-voz da Bit Reactor confirmou os cortes e disse que a decisão foi do próprio estúdio, sem participação da EA, que publica o jogo, nem da Disney, dona da licença de Star Wars. Na época, a empresa afirmou que esperava recolocar os funcionários na folha caso o jogo se saísse bem.
O desempenho que sustenta a volta
Star Wars: Zero Company chegou em 27 de agosto para PC, PS5 e Xbox Series X|S. O jogo tático por turnos foi bem recebido pela crítica, com 85 pontos no Metacritic na época do primeiro relato e 88 no OpenCritic. Foi também a melhor nota de um jogo de Star Wars no Metacritic desde Knights of the Old Republic II, de 2004.
Os números comerciais ajudam o argumento do estúdio. Segundo a Newzoo, o jogo foi o sexto de PC em faturamento em agosto nos seis principais mercados ocidentais: Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Espanha e Itália. Nos consoles, ficou em 20º lugar.
As críticas dentro e fora do estúdio
Um ex-funcionário afirmou, ainda em setembro, que é comum ver um jogo de grande empresa chegar ao topo da Steam enquanto a equipe procura emprego e fica sem participação nos lucros. Para ele, tudo teria sido diferente se o estúdio tivesse sido transparente antes, e agora a equipe estaria numa espécie de compasso de espera movido a “boas vibrações” e promessas vazias.
Um dos primeiros a tornar o caso público foi o ex-artista técnico sênior Zachariah Scott, que deixou a empresa em maio. Ele criticou o fato de executivos da EA, da Disney e da Bit Reactor comemorarem o sucesso do jogo enquanto o afastamento da equipe não vinha a público. Scott também disse que o estúdio trabalhou sob orçamento apertadíssimo. Segundo ele, até pedidos de mais animações de sabre de luz foram negados por falta de verba.
Disputa judicial paralela
A Bit Reactor também enfrenta um processo movido em 2024 por Alison Kelly, ex-diretora de operações, que diz ter sido afastada por Foertsch e privada de uma participação igual na empresa. Ela pede mais de US$ 20 milhões em danos. Foertsch nega as acusações, e o julgamento está previsto para o início de 2027.
Na semana de lançamento, Foertsch esteve na Gamescom e disse que o estúdio gostaria de fazer mais jogos de Star Wars.